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Rita Mendes: "Os meus filhos são o melhor dos meus dias"

Aos 38 anos, a DJ tem nos filhos, Afonso Luz e Matilde Estrela, o centro da sua vida.

Andreia Cardinali
4 de janeiro de 2015, 10:00
Assertiva nas palavras e sem receio de opiniões alheias, Rita Mendes é a mulher dos sete ofícios. DJ, blogger, relações-públicas, empresária e apresentadora, tem em Afonso Luz, de quatro anos, de uma relação anterior, e Matilde Estrela, de dois, da atual relação com o fotógrafo Hugo Caetano, as suas principais razões de viver. É por eles que dedica tanto do seu tempo ao trabalho, mas é também a pensar neles que lhes dedica todos os momentos disponíveis.
– Não é fácil ser mãe de duas crianças pequenas...
Rita Mendes – Nada fácil... Mas não escolheria outra vida. São muito pequenos e exigentes, trabalho muito e faço das tripas coração para estar presente o mais possível nas vidas deles. Mesmo que descanse menos...
– Como faz nos dias de mais cansaço?
Não faço. Aguento. Centro-me nas coisas positivas, no facto de ter dois filhos saudáveis e eu própria ter saúde também, ter trabalho e gostar do que faço, de ter uma vida confortável. Pode parecer cliché, mas não é. Nos dias que correm, temos que ser agradecidos pelos pequenos grandes confortos da nossa vida. 
– Agora que eles começam a ficar mais crescidos, torna-se mais fácil?
Ainda não... O Afonso Luz está nos chamados “terríveis 4” e, apesar de ser um miúdo impecável, está na fase de fazer birra e braço de ferro. A Matilde Estrela tem o feitio muito vincado, é muito ciumenta do irmão, muito assertiva e tenta fazer só o que quer. Isto com dois anos... Os dois juntos são o melhor dos meus dias, mas também me dão muito trabalho. Até porque acredito que educar é isso mesmo: estar presente nos mimos e brincadeiras, mas também a tentar vergar as birras e a oferecer-lhes as regras que eles insistem em não ir cumprindo. 
– É-lhe natural impor respeito ou tem de se forçar?
Sou um coração mole com tudo, mas principalmente com eles. Por isso, sim, tenho que me obrigar a fazer o papel da “mazona” de vez em quando. A rigidez e os berros não combinam comigo, tento sempre primeiro todos os outros meios. 
– O Afonso é fruto de uma relação anterior. Como é a relação dele com o seu companheiro?
Muito boa, apesar de ele ter muito bem definido quem é o pai e ter uma paixão assolapada por ele. O Hugo é a referência masculina do dia-a-dia, mas o pai é o herói e tenho orgulho da relação que, orientada por mim, ele foi criando com ambos. É um menino muito bem resolvido.
– E como é a relação entre os irmãos?
A normal nestas idades. Uns dias inten­sa e amorosa, outros dias cheia de ataques de ciúmes e luta pelo espaço de cada um. Mas acho que é assim uma relação saudável entre irmãos.
– Como gere o facto de eles serem de pais diferentes?
Ao início, pensava que ia ser mais difí­cil, mas depois tudo se vai tornando rotina e felizmente todos nos damos muito bem. A minha maior preocupação é de como eles, os miúdos, compreendem e lidam com esta diferença. A Matilde ainda anda a apalpar terreno e acho que não percebe nada... mas vai chegar o dia em que terei de lhe explicar por que é que o mano tem um pai fora de casa e vai lá dormir umas quantas vezes.
– Com a Matilde tornou-se uma mãe mais descontraída?
Sempre fui. Mesmo. O amor, esse sim, é desmedido, mas acho que às vezes as pessoas confundem amor de mãe com preocupação constante. E não é. Sempre quis que eles fossem “desenrascados” e a verdade é que são e é engraçado ver isso nas tarefas diárias e, principalmente, no contacto com os outros.
– Começou como apresentadora, mas tem conseguido reinventar-se profissionalmente...
Teve que ser. Depois de dez anos na televisão, descobri a música na sua vertente eletrónica. Fui das primeiras mulheres DJ. Outros quase dez anos se seguiram, intercalados com alguns projetos na comunicação e artes, até que fui mãe e tudo mudou. Até as minhas diretrizes profissionais começaram a “puxar-me” para projetos cada vez mais ligados a crianças e à maternidade. E assim nasceu o blog Barriga Mendinha, a DJ Mendinha, o único e pioneiro projeto de DJ “personagem” dirigido para as crianças.
– Como concilia a carreira com a maternidade?
Com a dificuldade normal que todas as mães têm. Todas vivemos a ambiguidade de ter que trabalhar, gostar dos nossos projetos enquanto profissionais e mulheres e o sentimento de culpa por estarmos com os nossos filhos menos tempo do que gostaríamos.
– E consegue ainda cuidar da sua relação amorosa?
Sim, cuidar é a palavra. É realmente difícil ter tempo para cuidar. Ela existe e aguenta os embates, os cansaços, os desgastes, os stresses, porque há amor e união. Porque há a família. Porque há a vontade. Mas a verdade é que, sem demagogias, o tempo de namoro já passou e é raro conseguirmos um jantar à luz de velas ou uma saída romântica. Ambos com muito trabalho, temos que ser muito focados no que queremos e resistir aos altos e baixos de uma relação exigente mas desejada.
– Já foi notícia algumas vezes, pelos desabafos que publica no Facebook, que a sua relação tem passado por algumas crises. Como se gerem essas fases?
Como toda a gente gere. Relações perfeitas não existem nem nunca existiram... A grande diferença dos tempos modernos, é que ao desabafarmos por meias palavras nas redes sociais, os dias “sim” da relação passam ao lado de quem nos segue, mas os dias “não” são foco de curiosidade. As fases menos boas gerem-se com a vontade de as ultrapassar e com esperança, de forma a continuar em frente.
– Apesar da azáfama diária, consegue ter momentos para si?
Muito pouco. Mas é normal isso acontecer aos 38 anos, e já me diverti muito e durante muitos anos. Sinto que tenho que ser ‘formiguinha’ agora para assegurar o futuro. Espero que o esforço que agora despendo me faça colher o futuro que desejo para a minha família. É por isso que luto todos os dias.
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