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Cláudia Semedo confessa: “Quero muito ter a casa cheia de filhos”

A atriz e apresentadora falou-nos ainda da sua paixão pela cozinha

Inês Neves
3 de janeiro de 2015, 10:00
Cláudia Semedo é uma mu­lher de sorriso e conversa fáceis, que não tem receio de falar sobre aquilo que a faz feliz: o marido, João Ribeiro, a filha, Alice, de dois anos, o trabalho... e a cozinha. Atualmente, podemos ver a atriz e apresentadora na novela Água de Mar, na RTP, mas precisamente essa sua veia de chef que nos suscitou curiosidade...
– Depois de apresentar o programa Guerra dos Pratos, passou a haver uma chef lá em casa?
Agora há uma Cláudia ‘versão 2.0’ que já prepara as coisas de uma forma um bocadinho diferente. Apesar de ter sido sempre uma curiosa da cozinha, sempre adorei cozinhar, tive aulas de cozinha na minha escola preparatória, mais tarde procurei fazer cursos com alguns chefs. Ou seja, há um lado meu que já era completamente apaixonado por tachos e panelas, mas a proximida­de ao chef Alexandre Silva e estes dois meses muito intensos de convivência direta com chefs de topo deram-me uma excelência à minha versão normal. Tenho agora outro cuidado, seja na forma como corto os alimentos, seja na confeção.
– O seu marido e a sua filha agradecem, imagino...
Agradecem, mas já agradecem há muito tempo, já há muito tempo que cozinho diariamente e com prazer. E não perco o lado da criatividade e de tentar inovar naquilo que faço, não há receita que siga até ao fim. Depois, sou muito meticulosa na parte do empratamento, sempre fui, tal como a pôr a mesa. Mesmo em casa, quando vivia com os meus pais, fazia questão de tirar sempre o melhor serviço, de arranjar a mesa como se fosse uma festa todos os dias. E isso mantenho na minha casa.
– Portanto, a cozinha é só sua, não deixa o João lá entrar?
É, a cozinha é muito minha e chego ao ridículo de, com uma agenda de estar a trabalhar das oito da manhã à meia-noite, acordar ainda mais cedo para deixar a sopa da Alice feita por achar que vai sair melhor se for feita por mim.
– O João não se chateia com essas suas ‘manias’?
O João é o tradicional homem da grelha, quando é grelhados é com ele. De resto, na cozinha mando eu!
– Quando gravou o programa, passou praticamente dois meses fora de casa, não foi? 
Sim, de final de abril a início de junho. Saía de casa à segunda e voltava à sexta, andávamos de norte a sul do país. Foi o meu primeiro choque entre o ser mãe e ser profissional. Passei muito tempo fora de casa e foi difícil fazer essa gestão, mesmo a nível emocional. Mas eu preciso de trabalhar e adoro. Mesmo que ganhasse o Euromilhões, continuaria sempre a trabalhar, para fazer teatro, cinema, televisão, porque a comunicação passa por aquilo que eu sou, é uma necessidade.
– Com dois anos, a Alice já se queixa das suas ausências?
Já, fica zangada comigo. Senti que ela estranhou quando saí para fazer a Guerra dos Pratos, mas agora, com a Água de Mar, ela reclama mesmo. Às vezes, é das oito da manhã às oito da noite e quando chego a casa ela primeiro fica muito conten­te, chama por mim, mas depois parece que se lembra que eu estive o dia todo fora e faz “género”. Mas ela é uma miúda muito fácil, tive muita sorte com a Alice, porque ela facilita-me muito a tarefa de ser mãe. Não me dá trabalho além do normal, dorme bem, come bem, desde os dois meses que dorme das dez da noite às dez da manhã. Tem uma personalidade forte, mas eu sei exatamente o que ela quer ou não quer, expressa-se muito bem, mas se eu lhe explicar as coisas ela entende. Estou perdidamente apaixonada por ela. É mesmo incondicional, é mesmo tudo aquilo que nos dizem e muito mais.
– Ela já está na escola?
Não. Temos a possibilidade de tê-la em casa connosco e temos uma rede familiar gigante, maravilhosa, muito próxima e atenta e muito cheia de vontade de estar com a Alice. Acho que até aos três anos, até terem o sistema imunitário completo, até conseguirem falar e contarem como foi o dia deles, acho que o que eles precisam mesmo é de amor, carinho e estímulo. E como nós conseguimos dar esse estímulo, acho que, para já, felizmente, ela não tem de ir para a escola.  
– Sei que quer ter mais filhos... 
Quero muito. Ser mãe passa pela definição daquilo que eu sou. Apesar de ser a irmã mais nova, sempre fui a mais maternal de todas, estou sempre preocupada com toda a gente à minha volta. Quero muito que a Alice tenha irmãos, quero muito ter a casa cheia... antes dizia que queria ter cinco filhos, agora que já sei o que é ter filhos, acho que me contento com três. 
– E para já?
Gosto mui­to de ler e de planear as coisas, mas depois deixo que a vida me leve. Estive a ler um bocadinho a filosofia dos índios em relação às crianças e à idade com que se lhes deve dar irmãos. A teoria diz que a criança já tem de ter quatro anos para poder nascer outra criança. De facto, quando nasce uma criança, a atenção de um pai tem de se dividir e a Alice teria de se tornar mais autónoma, mais independente do que é, porque agora tem-nos a cem por cento para si. Ela ainda precisa de colo e enquanto precisar, não quero ocupar os meus braços com mais nada.
– Tenta compensar as ausências fazendo-lhe as vontades todas? Comprando brinquedos?
Não. Descobri que não tenho esse lado consumista, nunca fui uma pessoa muito apegada ao lado material das coisas e com a Alice achava que ela ia ser o meu ponto fraco, que lhe ia comprar roupas e brinquedos. Não, não tenho nada isso. Para já, ela herdou o espólio das primas e das filhas das minhas amigas, a teoria da reutilização faz todo o sentido. Portanto, compenso-a com a minha presença. Se não tenho gravações de manhã, reservo a manhã para irmos as duas à praia, por exemplo, ou ao parque, para estarmos mesmo juntas. Quero muito que ela aprenda a dar valor ao ser e não ao ter.

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