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Catherine Cabral: “Tenho a sorte de ter encontrado um amor como o dos meus pais”

Para Catherine, a decoração de cada Natal depende muito do estado de espírito. Na sua mesa deste ano, por exemplo, convivem pacificamente arranjos florais e corais, lembrando as suas raízes francesas e brasileiras.

CARAS
25 de dezembro de 2014, 12:00

O sangue que lhe corre nas veias pode não ser português, mas a essência e a alma de Catherine Cabral, de 38 anos, são totalmente alfacinhas. “Não me imagino a viver noutro sítio. Portugal e Lisboa, mais particularmente, fazem parte da minha identidade”, diz. E foi na cidade onde nasceu e cresceu que Catherine se afirmou como decoradora e se dedica totalmente à família. Casada com Miguel, administrador de empresas, relação que tem quatro anos, confessa ser decoradora de interiores por paixão e que nunca se imaginou a fazer outra coisa. “Desde os meus sete anos que quero ser decoradora. Lembro-me de o escrever na ficha da escola. Na altura fui bastante gozada, porque normalmente as crianças querem ser professoras ou enfermeiras. Mas é algo que faz parte de mim”, sublinha. Hoje tem o seu próprio ateliê – Catherine Cabral Interiores – com vista para o Tejo, mas foi em casa que nos recebeu para uma conversa descontraída e intimista.
– É filha de pai brasileiro e de mãe francesa. Como é que estas duas culturas tão díspares a influenciaram?
Catherine Cabral – Para mim, é super enriquecedor. Por exemplo, falando do Natal, nós dividíamos os Natais entre França e o Brasil. No Rio de Janeiro tínhamos uma família enorme, com uma árvore de Natal toda enfeitada em casa dos meus avós, o peru e as tradições todas a que temos direito, com um calor de 40 graus. E em Paris éramos muito poucos, não havia árvore de Natal, se houvesse era pequenina, e comíamos ostras e salmão fumado. São experiências muito diferentes.
– Fala dessas memórias com um brilho especial. Tem saudades desses Natais?
– Tenho, porque são momentos bons da vida. Mas é uma saudade que não me traz tristeza, não está associada a uma lágrima. É mais: “Que sorte que eu tenho por ter vivido isto.”
– Hoje, quando olha para si, encontra muitas características da sua mãe e do seu pai?
– Fisicamente sou muito parecida com a minha mãe e tenho um gosto muito igual ao dela, muito francês. Mas tenho uma ligeireza, um humor, um à-vontade e um pragmatismo muito grandes que herdei do meu pai. Eles são completamente diferentes.
– E como é que se encontraram no mundo?
– A minha mãe trabalhava na aviação em Paris, em terra, e encontraram-se numa viagem. Mudou-se para cá há 40 anos e esta também já é a terra dela. O meu pai morreu há quase dois anos e a minha mãe nunca pensou ir-se embora.
– Cresceu a ver nos seus pais um exemplo de amor e companheirismo...
– É verdade. Éramos só nós, mas tive uma infância muito feliz. Com muito mimo, colo e brincadeira. Em nossa casa tudo era leve e nunca vi os meus pais a discutirem, o que acho extraordinário. Com certeza que tinham os momentos deles, mas isso foi muito leve.
– E sempre quis um amor assim para si?
– Sim, sempre. E tenho a sorte de o ter encontrado. É aquele poder de quando os casais discutem por alguma coisa parva, ainda nem aca­baram a discussão, mas já se estão a rir, porque basta olharem um para o outro... Eu tenho essa leveza na minha relação. É uma química que me dá paz. Claro que uma relação tem que ter emoção e altos e baixos. Mas tem que ter paz. Eu tenho que sentir que ali é o meu porto seguro, e eu encontrei isso.
– É muito orientada para a família?
– Bastante. Acho que a família é a nossa base. E quando falo de família, refiro-me também a alguns amigos-chave, sem os quais já não posso viver. São a família que escolhi.
– Não tem filhos. Gostava de ser mãe?
– [Pausa] Aceito tudo o que o futuro me der... É só o que posso dizer.
– Como é a Catherine na sua intimidade?
– Sou uma pessoa de valores, prezo muito isso, e sou muito feliz e alegre.
– Sabe rir-se de si própria?
– Sei imenso, sim. De mim e das situações. Vivo esse humor diariamente, preciso muito dele. Sou abençoada em muitos aspetos e esta postura faz-me encarar a vida de forma mais leve e otimista.
– Parece-me que essa forma de estar na vida acaba por se refletir na maneira como trabalha, ou não?
– Sim, completamente. Acho que tem de haver bases, valores, regras, etiqueta, mas tem que haver humor e ligeireza. E esse é o meu lado brasileiro. Posso ter uma imagem mais séria e reta, mas na minha intimidade gosto bastante da comédia. E isso nota-se na decoração que faço. Hoje nada é original, tudo é reinventado. A base clássica é algo que estudei e que continuo a aprofundar. Mas gosto imenso de coisas contemporâneas, simples, que perdurem no tempo. E faço essa mistura. Mas tudo com equilíbrio, caso contrário, não resulta. Tal como na vida.
– Um bom exemplo desse equilíbrio de que fala é a sua casa?
– Sim, penso que sim. Esta nossa casa é muito vivida, uma casa não é um museu. É uma fusão de peças de um e de outro e de coisas que fomos adquirindo. Há peças de que eu até posso não gostar, mas que fazem parte da minha história, por isso quero olhar para elas, têm que ter um lugar. Vivemos aqui com os nossos animais, que brincam e estão no sofá, os nossos amigos vêm cá frequentemente, é uma casa com as portas abertas. Gosto muito de receber e acho que não é preciso haver sempre jantares pomposos. Basta uma salada, um frango e estarmos sentados no chão. Isso é bom e sabe bem. O que interessa é haver alegria nesta casa.

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