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Anabela Moreira: “Quando amo, amo em excesso”

Além de todos os projetos que continua a ter em televisão e cinema, tanto à frente como atrás das câmaras, Anabela Moreira é também, desde 2010, diretora do Teatro Turim. Numa entrevista intimista, a atriz falou, sem rodeios, da relação que tem com a irmã gémea, a atriz Margarida Moreira, e revelou um pouco mais sobre si própria.

André Barata
25 de dezembro de 2014, 10:00

Depois de Mal Nascida e San­gue do Meu Sangue, que lhe valeram nomeações para o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Cinema, Anabela Moreira, de 38 anos, continua em busca da perfeição. No início do ano, terminadas as gravações da série Filhos do Rock, agarrou numa câmara de filmar e percorreu o norte do país a pedido do realizador e seu amigo João Canijo, para um trabalho documental.
A aventura profissional tem as suas raízes na infância quando, em brincadeiras com a irmã gémea, Margarida Moreira, também ela atriz, descobriu o que haveria de fazer para a vida.
É visível o seu à-vontade com a fotografia. É algo de que gosta muito?
Anabela Moreira –
Divirto-me muito com a imagem, com os cenários, o faz de conta. Ainda sinto que tenho dificuldade em mostrar quem sou na fotografia! Como atriz, não receio estar feia, mas na fotografia tenho essa limitação! [risos]
Como foi crescer com alguém igual a si?
Foi uma coisa natural, porque eu não fazia a mínima ideia de que era tão fora do normal! Eu e a Margarida temos personalidades muito distintas. É complicado ver uma pessoa exatamente igual a nós e normalmente as características que te irritam mais nos outros são as que tens.
– Por serem fisicamente iguais, sentiam necessidade de ser diferentes em tudo o resto?
O facto de querermos ser atrizes foi uma coincidência e termos ambas estudado Psicolo­gia também, mas em tudo o resto houve uma ne­cessidade de destacarmos as nossas diferenças. O facto de eu ter saído primeiro da escola para trabalhar como atriz fez as pessoas perceberem que havia uma Anabela e não perceberem logo que havia uma Margarida. Foi complicado, porque quando ela começou a trabalhar, as pessoas pensavam que era eu! É divertido, mas ao mesmo tempo incomoda, e decidimos começar a aparecer juntas para que percebessem que éramos duas! [risos] Temos feito esse trabalho, não muito óbvio, porque nunca quisemos estar muito relacionadas. Há pessoas que fizeram a sua carreira associadas ao facto de serem gémeas, mas nós temos pudor em fazê-lo. Somos pessoas diferentes! Eu olho para a imagem da minha irmã e até nem a acho assim tão parecida comigo, o que é estúpido! [risos]
– Sempre se deram bem?
Não somos aquelas gémeas que querem fazer tudo juntas, nunca fomos muito ligadas. Sentíamos necessidade de nos afirmarmos. Desde pequenas que os meus pais, só pelas nossas atitudes, conseguiam distinguir-nos!
Mesmo em termos artísticos acreditamos em coisas diferentes e temos discussões sobre isso. Em relação a darmo-nos bem... entendemo-nos. Olho para ela e consigo perceber o que sente e isso não sinto com mais ninguém.
Na última entrevista que nos deu, em 2012, estava soltei­ra... Continua assim?
Cada vez mais dou valor a quem amei e a quem me amou, mas é um assunto que não gosto muito de abordar, porque não estou de casamento marcado, nem tenho nada a anunciar...
– Mas está apaixonada?
Estou sempre apaixonada [risos]. Pela vida, pelas coisas!
Não sonha ter uma família, casar-se, ter filhos?
Nunca sonhei com isso nem tenho essa preocupação. Mais rapidamente sonho conhecer o mundo inteiro! Ser mais dura comigo própria, ser melhor pessoa, tentar divertir-me mais, aprender...
É exigente no amor?
Quando amo, amo em exces­so e isso é bom. Tenho tido momentos de grande solidão a esse nível, não sou namoradeira, nunca tive um caso, nunca traí. Às vezes não me sinto bem enquadrada com a forma como o amor é visto. A acontecer, que seja a sério.
– Sente que está num bom momento da sua vida?
Vivo um dia de cada vez! Trago sempre preocupações com as pessoas que amo, com a família, com os projetos e tenho momentos de felicidade quando tudo corre bem. Estou numa boa fase.
– Estamos perto do Natal... Como costuma passar o seu?
A comer [risos]. Passo o Natal com a minha família e é mesmo, basicamente, a comer! Começo com as filhós, que a minha mãe faz como ninguém! Depois passo pelo frango com castanhas, o bacalhau no forno, o peru e o arroz-doce! [risos]
– Não têm o hábito de trocar presentes?
Também o fazemos, mas não dou muito valor a essa tradição. Nisso a minha irmã Margarida é diferente! Ela dá mesmo valor às prendas e acha importante haver uma prenda, nem que seja simbólica, e eu acabo por andar até à última a dizer que não vou oferecer nada a ninguém e depois ela insiste tanto que acabo por gastar o dobro! Se é para dar, dou alguma coisa que faça falta. Não tenho muito espírito natalício. Mas adoro comer, acho que é uma boa maneira de conviver. Cozinhar é uma arte extraordinária e um ato de amor para com o outro.

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