Nas Bancas

Joana Câncio: “Tive medo que a Constança não sentisse que eu a amava”

Genuína, a atriz de “O Beijo do Escorpião” fala das suas emoções.

Cristiana Rodrigues
31 de agosto de 2014, 12:00

Com um sorriso doce e rasgado Joana Câncio, atriz, 28 anos, chegou ao Nortada, o restaurante na Praia Grande onde, como diz, se sente em casa. Trazia a filha, Constança, de dois anos, ao colo. Trocaram beijos, mimos e, depois de um apertado abraço, a bebé foi à sua vida, que é como quem diz, foi explorar os recantos da “casa”. E conquistou as nossas objetivas a correr, brincar, saltar, rir e a dar muitas gargalhas. No fim, adormeceu, dando espaço para que esta entrevista acontecesse. À CARAS, Joana, que no ecrã mostra o seu inegável talento na pele de Tina Castelo em O Beijo do Escorpião, falou dos dois casamentos falhados, da importância da mãe na sua vida, do amor recente pelo pai, da paixão que está a viver e que trouxe muita paz à sua vida e, claro, da filha, com a qual descobriu que o amor não tem limites. E foi precisamente a falar de amor que começou esta conversa.
– Lembra-se do seu primeiro amor?
Joana Câncio – Perfeitamente! Quando terminei a escola fiz uma viagem com a minha mãe a Marrocos, onde conheci o meu primeiro marido, Luís Baião. Eu tinha 19 anos, ele 32. A paixão foi tão grande que nunca mais nos largámos. Nessa altura, acabei por deixar a representação de lado para o acompanhar, já que ele era guia turístico e viajava bastante. Mas entre nós as coisas não correram muito bem e cada um seguiu o seu caminho
– E que caminho foi esse? 
Como tinha interrompido a minha carreira, assim que soube de um casting para os Morangos com Açúcar fui. E fiquei com um papel muito engraçado. Durante mais ou menos um ano, entreguei-me ao que gostava de fazer: representar. Entretanto, conheci aquele que veio a ser o meu segundo marido, Tiago Bento, e, no final da série, decidimos ter um bebé. Porque ou era naquela altura ou a minha carreira começaria a andar e depois ia ter de adiar esse desejo. Engravidei e estive um ano e meio em casa a tomar conta da Constança.
– Ou seja, pôs mais uma vez a sua carreira em pausa para se dedicar à vida pessoal...
Eu não sabia gerir as duas coisas! Achava que para fazer uma coisa tinha de parar a outra. E só agora, recentemente, percebi que é possível fazer as duas.
– Casou-se uma segunda vez a achar que era para a vida e aca­bou por se divorciar de novo... 
Acho que a imaturidade é uma bênção [risos]! Bem, apesar de o resultado não ser o esperado, porque sonhei casar-me para sempre, o caminho que fiz, o que construí nos meus dois casamentos, foi muito importante para mim. Não voltaria atrás. 
– Faria exatamente a mesma coisa?
Sem qualquer dúvida! Saí magoada, frustrada, triste, porque ninguém sai feliz e maravilhosa de um casamento, mas não mudaria nada. Eu teria sido outra pessoa se não tivesse passado por estas coisas.
– Sabe o que correu mal em cada um dos seus casamentos?
No primeiro, a diferença de idades, a diferença de prioridades. Aos 19 anos não consegui perceber isso, sou muito sonhadora, muito livre, muito apaixonada, queria fazer tudo na hora, no imediato. O Luís queria outras coisas na vida, que na altura não faziam sentido para mim. E eu não tinha vivido uma série de coisas que precisava de viver... Com o Tiago, voltei a achar que era para a vida toda, mas como casal não estávamos preparados para ter um filho, não estávamos preparados para viver a três. As pessoas acham que um bebé fortalece as relações, mas o desafio é tão grande que muitas vezes acaba é por demonstrar que a relação não é assim tão sólida.
– Deve ter sido bastante difí­cil ficar sozinha com a sua filha numa altura em que ainda nem sequer estava refeita de todas as alterações hormonais que uma gravidez e o nascimento de um filho implicam...
Eu tinha 26 anos e a Cons­tança quatro meses quando nos separámos e eu saí de casa. Foram tempos difíceis. Ela não era um bebé muito fácil, era muito irrequieta, e eu vivia muito ansiosa.
– Tinha receio de não ser uma boa mãe?
Tive medo de não ter a capacidade de lhe transmitir que o mundo é um lugar seguro para viver. Eu tinha tido tantas desilusões que não conseguia transmitir-lhe segurança, porque eu própria não a tinha. Depois, tinha medo que ela não sentisse que eu a amava, e por isso só queria estar com ela. Só depois de ela ter um ano e meio é que consegui reconstruir-me. 
– E contou com a ajuda de quem? Dos seus pais? 
O nascimento da Constança veio restruturar todas as minhas relações, inclusivamente aproximou-me do meu pai e da minha mãe.
– Mas não tinham uma relação saudável?
Quando eu nasci os meus pais separaram-se, mas foi tudo muito tranquilo. Cresci em ambientes saudáveis, mas acabei por sair de casa da minha mãe com 17 anos, o que acabou por criar alguma distância entre nós. Hoje em dia tenho com a minha mãe uma relação muito verdadeira, muito frontal: refilamos, zangamo-nos, mas estamos sempre lá uma para a outra. É uma pessoa muito presente na minha vida e é um dos grandes pilares da Constança. Em relação ao meu pai, tenho sentido o que nunca tinha sentido antes, que é o amor pelo pai. Era uma figura na minha vida, mas não tinha uma relação de amor com ele. O amor não existe só porque somos do mesmo sangue, o amor vai crescendo de dia para dia. Com esse aumento de amor pelo meu pai, aumentou o amor por mim também e, consequentemente, a capacidade de amar alguém que esteja comigo.
– Já encontrou essa pessoa?  
Sim, voltei a apaixonar-me há muito pouco tempo. É uma relação recente, que me trouxe uma coisa que eu não sentia há muito tempo: paz.
– Corre o risco de pôr novamente a carreira em stand by?
[risos] Não, agora não! Agora aprendi que posso ter tudo! Já aprendi a gerir. Sinto-me estável e feliz. Não sei o que a vida me reserva, mas agora está a ser muito bom, senti que me posso apaixonar, que é possível alguém aceitar-me com a minha filha e aceitar a minha filha. Está a ser um trio muito coeso. Estamos as duas muito gratas e felizes por termos conhecido esta pessoa, que trouxe muita paz às nossas vidas. 
– Acha que ainda teria coragem de ir ao terceiro casamento? 
[Risos] Já não vivo na fantasia de querer casar-me e ser feliz para sempre, porque percebi que as relações dão muito trabalho e que para durarem e serem verdadeiras tem de haver muito empenho, muito altruísmo. 
– Disse que saiu de casa pela primeira vez quando tinha 17 anos...
E até hoje mudei 13 vezes de casa [risos]!
– Isso é andar sempre com a casa às costas! Não lhe causa alguma instabilidade?
Não tem a ver com instabilidade. As casas fazem parte dos meus ciclos emocionais, representam o início de um novo ciclo e o fim desse mesmo ciclo. Desde que a Constança nasceu, tenho tentado ao máximo criar raízes e, mesmo que mude de casa, não mudo de sítio, porque assim ela continua na mesma escola, com os mesmos amigos e a mesma vida.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras