Nas Bancas

José Manuel Fernandes chora a morte do irmão

Jornalista despede-se com texto emotivo

Redação CARAS
23 de novembro de 2014, 10:33

“O meu irmão morreu. Morreu o Luís Pedro.
Há pouco mais de um mês soubemos da doença e soubemos que era fatal. Tentámos estar preparados. Mas não estávamos. Nunca se está. É uma mentira dizer que se está. Espera-se sempre qualquer coisa. Que seja possível recuperar o tempo. Que… nem sabemos. Por isso quando o dia chega, e o do Luís chegou hoje, e chegou com o fim do seu sofrimento, achamos que podia ser amanhã, ou depois, para recuperarmos todo o tempo que, afinal, não tivemos. Não tivemos juntos.
O Luís nasceu apenas dez meses e meio depois de eu ter nascido. Nada, portanto. Fizemos muita coisa juntos, e depois a vida levou-nos por caminhos diferentes. Ele cumpriu o seu sonho de menino, fez-se marinheiro, oficial da marinha mercante, e passou a vida no mar. Agora que olho para trás verifico que estivemos demasiado distantes. Não devia ter acontecido. E é tarde demais para reviver a vida. É sempre tarde demais.
Éramos irmãos, separados por poucos meses, mas éramos bem diferentes. Esta fotografia, de que gosto imenso, apanha-nos quando éramos quase iguais e já diferentes. Eu, com o gato ao colo, ar pensativo, mais sisudo. Ele, mais atrevido a brincar com o gato, mais desafiador, com um riso quase provocador. Olho de novo para ela, e reencontro-me com o Luís, um Luís que afinal conheci e vivi menos do que devia.
Nas últimas semanas, nos últimos dias, nós, que somos cinco irmãos, mais os pais, mais os filhos de todos nós, estivemos com o Luís como porventura nunca sucedera antes, e nisso é que a família, ser da família, se torna algo de realmente poderoso. Abraçamo-nos como ninguém se abraça, o que faz a diferença.
Este domingo vamos todos despedir-nos do Luís. Chorar o que for preciso, sem medo de chorar. Rir, se for possível, se tivermos forças, porque ele também se ria. Procurando recordar-nos do que ele gostaria que nós recordássemos. E encontrando forças para o dia seguinte, como ele também quereria que fizéssemos.
Adeus Luís. Que saudades de todos os tempos irrepetíveis. Que saudades de ti, Luís"

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras