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Recorde a entrevista de Carlos do Carmo à CARAS depois de ter vencido o Grammy

O prémio é entregue hoje, em Las Vegas. 

CARAS
19 de novembro de 2014, 15:45

No passado dia 1,  Carlos do Carmo recebeu uma das notícias mais gratificantes da sua vida: a Latin Recording Academy acabara de consagrar a sua carreira de 50 anos com um Grammy de excelência musical, o Lifetime Achievement, galardão que irá receber em novembro, nos EUA.
Não obstante a felicidade que sente por ter sido distinguido com um prémio tão importante, o fadista mantém os pés bem assentes no palco, local que lhe “faz bem à alma” e onde quer continuar a agradecer o apoio que milhares de admiradores lhe têm dado ao longo dos anos.
Humilde, mas de alma e coração cheios, Carlos do Carmo partilhou com a CARAS os sentimentos que pautam este momento tão especial da sua vida e que marca  igualmente a história da música portuguesa, uma vez que foi o primeiro português a ser distinguido com tão alto galardão. Que antes dele foi dado a nomes como  Frank SinatraElla Fitzgerald, Bob DylanBillie HolidayJames BrownTom Jobim ou  Leonard Cohen.
– Com que estado de espírito se recebe um prémio tão importante?
Carlos do Carmo
 – Com grande surpresa, em primeiro lugar, e, em segundo, com uma grande emoção e alegria. Este é um prémio de todos: daqueles que me ensinaram, dos meus contemporâneos, das pessoas que têm composto e escrito para mim, que me têm acompanhado. Sozinho não tinha feito carreira nenhuma.
– Mas deve ser impossível manter-se a humildade depois de uma notícia como esta…
– Não é uma questão de humildade forçada, apenas relativizo a vida. Há 14 anos estive a morrer, com intervenções cirúrgicas de altíssimo risco. E depois, quando recuperei – o que foi quase um milagre da medicina e da minha mulher, que me ajudou a sobreviver –, a minha filosofia de vida mudou completamente! Portanto, vivo um dia de cada vez e dou-lhe a minha palavra de honra de que não me dou importância nenhuma. Tudo isto é muito breve. E na vida pública muito facilmente se passa de bestial a besta...
– Mas isso nunca lhe aconteceu…
– Nunca me aconteceu até hoje. Tenho assistido a tanta coisa...
 Como é que a sua mulher, Judite, e os seus três filhos, Al­fredo, Cila e Gil, receberam a notícia deste Grammy?
– Foi uma euforia completa! Os meus filhos são mui­to exigentes comigo, seja no campo pessoal seja no artístico. E no dia em que eles acharem que já não estou em condições de subir a um palco, deixo de cantar. Porque eles são as pessoas que mais atentas estão a isso. A decadência em palco quase elimina tudo o que fizemos para trás.
– Muitos artistas poderiam encarar este prémio como a ‘cereja no topo do bolo’, a maneira perfeita de terminar a carreira. Sente que já chegou essa altura?
– Tenho uma forma muito boa de descansar: subir aos palcos. O palco faz-me bem à alma. Se as pessoas já me tivessem mandado embora, se eu sentisse isso, com toda a certeza que já tinha parado. No ano passado, quando celebrei os 50 anos de carreira, as salas onde cantei ficaram esgotadas com muita antecedência. Portanto, as pessoas não me estão a mandar embora. Mas, tal como o meu médico deseja, não cantarei mais do que 12 vezes por ano, entre o estrangeiro e Portugal. Esse é o meu limite físico.
– Depois de 50 anos de carreira e deste prémio, o que poderá continuar a movê-lo? O que lhe falta alcançar?
– Tenho uma família muito bonita, uma mulher maravilhosa, que foi a minha companheira de sempre e que me estimulou e amparou em todos os momentos. Tenho três filhos nos quais tenho muito orgulho, porque são pessoas de bem, com caráter. Tenho netos maravilhosos e amigos queridos, que já são poucos, porque me morreram muitos... Portanto, tenho muitas razões para estar apegado à vida. E tenho o privilégio de fazer uma coisa de que realmente gosto.
– É a mesma paixão pelo fado que o continua a mover ao fim de 50 anos?
– Acho que agora a paixão ainda é mais forte, porque está mais consolidada. Hoje, quando subo a um palco, tremo mais do que há 10 ou 20 anos, mas depois sinto uma felicidade enorme!
– Vários fadistas da nova geração chamam-lhe mestre. Assume a responsabilidade de ser um exemplo para eles?
– Sinto-me mais um companheiro de viagem, porque não quero ser um exemplo para ninguém, mas é agradável tratarem-me por mestre, porque também era assim que eu tratava os mais velhos.
– E agora, o que se segue?
– Amanhã é um novo dia e terei de continuar a responder a centenas de mensagens que me enviaram para casa. Quero continuar a agradecer às pessoas e depois voltar ao meu sossego.

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