Nas Bancas

Paulo Cardoso: “Tenho a sensação de que por ser astrólogo fui sacrificado na pintura”

A partir desta semana o astrólogo, que nos recebeu em sua casa, assina na CARAS a previsão do horóscopo.

Andreia Cardinali
7 de dezembro de 2014, 12:00

Paulo Cardoso, de 61 anos, é conhecido pelo seu trabalho como astrólogo. Mas há muito mais por detrás deste homem. Pintor, escritor, cenógrafo e com formação académica em Química, Paulo tem muitos ofícios e há oito anos decidiu enveredar por mais um ao criar o espaço Entremaremar, um turismo rural entre o Cabo Espichel e o Meco, uma das suas zonas de eleição. Porque o seu sucesso como astrólogo é reconhecido, Paulo Cardoso passa a assinar semanalmente o horóscopo da CARAS já a partir desta edição. O astrólogo assinará ainda, a partir do dia 19 de novembro e durante quatro semanas consecutivas, quatro livros que serão distribuídos gratuitamente com a nossa revista, cada um dedicado a um tema específico: o primeiro será um guia do amor, o segundo sobre trabalho e dinheiro, o terceiro tem por tema o bem-estar e o último terá uma abordagem mais geral sobre a astrologia.
Foi no seu espaço dedicado ao turismo rural que Paulo Cardoso nos recebeu e contou como esta nova fase lhe tem trazido tantas coisas boas. O astrólogo falou ainda das saudades que sente do filho Ricardo, de 33 anos, fruto do seu casamento de três décadas, já terminado, com a soprano Helena Vieira, e do neto, Santiago, de quatro.
– Como surgiu a paixão pela astrologia?
Paulo Cardoso –
Surgiu após uma série de tentativas de realização em várias áreas. Passei pela química, pela física nuclear e sempre gostei muito de números. Foi este trajeto académico que me ajudou em muitas das coisas que fiz. Mas a verdade é que me sentia insatisfeito com o que fazia e sentia uma vocação para uma área mais estética e humana. Passei pela Escola Superior de Belas Artes e pelo Conservatório. Tudo isto na tentativa de encontrar aquilo que procurava. Inesperadamente, em 1976 começo a interessar-me por astrologia através de uma amiga que tinha descoberto um livro que ensinava a fazer os cálculos astrológicos. Sempre tive alguma simpatia pelos signos e aquilo passou a fazer-me algum sentido. Fiquei embasbacado com tudo e encantado por perceber como era possível que a minha data de nascimento falasse com tanto rigor sobre mim. Percebi que ali estaria um filão e que as potencialidades da astrologia eram imensas.
– Calculo que nessa altura não se falasse muito de astrologia...
As pessoas sabiam os seus signos e pouco mais, não se falava de astrolo­gia nem de ascendentes. Nessa altura estas coisas pagavam-se caro e foi muito difícil, até para encontrar livros, pois não havia quase nada. Tinha de pedir para me trazerem de Paris ou de Londres. Mas sou persistente e quando sou apaixonado não largo, por isso não desisti. Rendi-me, acabei por fazer disto profissão e em pouco tempo tinha o meu dia preenchido com consultas.
– Na sua vida rege-se pela astrologia?
Durante muitos anos, sim, até porque gostava de ‘testar’ aquilo que estava a fazer. A partir de certa altura, e com o volume de trabalho, deixei de ter tempo para isso. Depois, já conheço tão bem o meu horóscopo que tudo é automático, pois ao saber a posição dos astros sei a influência que eles terão em mim.
– Como têm sido estes 35 anos de carreira?
Sou um bocadinho out­sider e aquilo que faço não se faz muito em Portugal, já que tento conciliar as minhas variadíssimas vocações. E na realidade aquilo que me dá mesmo mais prazer é a pintura, uma carreira que tenho há 40 anos, mas que é mais reconhecida no estrangeiro. Aqui em Portugal tenho a sensação de que por ser astrólogo fui sacrificado na pintura. A minha carreira faz-se entre o prazer da pintura, o dever da astrologia e o prazer e o dever da escrita. Parecendo que não, já escrevi perto de 40 livros.
– E está a escrever outro...
 – Sim, é uma continuação do trabalho que faço há 30 anos sobre o astrólogo Fernando Pessoa. Será o quarto livro sobre esse assunto.
– E agora decidiu dedicar-se ao turismo rural...
Venho para o Meco há uns 40 anos e sempre disse que quando fosse grande gostava de ter uma casa aqui [risos]. Há uns oito anos andava a ver se arranjava um terreno e apareceu exatamente o que eu queria, com vista para o mar e um determinado número de características... Endividei-me para conseguir comprá-lo e depois para conseguir construir uma casa bonita.  Mais tarde, percebi que só poderia sobreviver se fizesse uma casa que desse em turismo rural. É uma guest house com uma sala para recitais, onde tudo é inserido na natureza. Estou muito apaixonado por este local. Aqui há uma vertente ecológica, a energia vem dos painéis solares, a água é tirada da terra com um furo, não tenho praticamente resíduos. Tenho um pomar, faço compotas para os hóspedes, é um pouco como receber essas pessoas na minha casa.
– E num espaço assim há mais tranquilidade para trabalhar?
Muito mais.
– Mudando de assunto, o Paulo já é avô e agora vive afas­tado da sua família...
Sim, é verdade, e sinto-me um bocadinho desconsolado. O meu filho, nora e neto foram viver para o Porto há um ano e eu não tenho muita facilidade em lá ir. Agora sinto-me como se fosse meio avô.
– Como lida com essa distância do seu filho?
Com alguma mágoa. Quan­do temos filhos achamos sempre que vamos estar o mais próximo possível deles, mas se eu olhasse para o horóscopo já sabia que isso ia acontecer, pois o planeta da casa 5 é muito independente [risos.] Mas pronto, a vida é assim...
– Estando aqui e com a idade que tem, alguma vez se sente sozinho?
Não, nunca. Tenho muitos animais que me fazem companhia e muitos afazeres.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras