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Fátima Lopes: “Se para salvar os meus filhos tivesse de morrer, não hesitaria”

Aos 45 anos, a apresentadora é uma mulher de bem com a vida. Tem a família que ama e persegue com vontade o caminho para a felicidade.

Cristiana Rodrigues
13 de dezembro de 2014, 14:00

A última entrevista que fizemos a Fátima Lopes foi há precisamente um ano. Tempo mais do que suficiente para que a apresentadora de A Tarde É Sua, da TVI, que comemora 20 anos de carreira, nos conte como está a sua vida. Aos 45 anos, mantém a transparência no olhar, a serenidade e aquele desejo supremo de continuar a ser feliz. Mulher de emoções, tanto dá uma gargalhada como deixa cair uma lágrima quando nos revela que daria a vida pelos filhos, Beatriz, de 14 anos, da sua primeira união, e Filipe, de quatro, do casamento feliz com o enfermeiro Luís Morais. Segue invariavelmente a voz do coração e deixa-se guiar pelos afetos. Nestas páginas está o resumo dos 365 dias em falta.
– Quem é hoje a Fátima Lopes?
Fátima Lopes – Não é muito diferente da de há um ano. A passagem do tempo significa sempre maturidade e crescimento, portanto, saberei hoje mais algumas coisas. Mantenho-me a mesma pessoa, sigo-me pelos mesmos princípios, valores e tenho a mesma conduta.
– Aos 20 anos de carreira continua a gostar do que faz?
Não sei o que me espera daqui para a frente, mas até agora têm sido anos muito bons, tenho tido muito sucesso. Continuo a adorar o que faço e o trabalho para mim é fundamental, mas também tenho de dizer que, mais que o meu trabalho, amo a minha família, eles estão numa posição muito destacada em relação a tudo o resto na minha vida. Vim a esta terra para criar uma família e vivê-la ao máximo.
– Tem tido tempo para mimar e cuidar dessa família?
– Às vezes gostaria de ter mais. Mas quando comento isso com a minha mãe, que é uma mulher extraordinária, ela diz-me que o importante é a qualidade, e faz-me ver que no tempo dela é que não havia tempo para brincar comigo como eu faço com os meus filhos. Procuro sempre equilibrar a parte pessoal com a profissional. Onde não há equilíbrio não há felicidade.
– Mas sente que o trabalho lhe rouba tempo em família?
Rejeito muitas vezes trabalho porque não quero roubar-lhes muito tempo. Quando a Beatriz nasceu, tudo na minha vida foi arrumado e reorganizado com ela em primeiro plano. Depois, quando comecei a minha relação com o Luís e nasceu o Filipe, alterei ainda mais algumas coisas. A minha família tem de ter um espaço muito importante na minha vida. Quando entro em casa é como se fosse o meu retiro. Estou completamente em paz com os que lá estão e é o melhor sítio do mundo. Não há outro igual.
– Ser mãe é muitas vezes pôr-nos à prova... O que é que dá mais trabalho?
O que dá mais trabalho é definir fronteiras, perceber os limites, isso tanto nos quatro anos do Filipe, como nos 14 da Beatriz. E educar também é isto. Exige ciência, sabedoria, saber ouvir e gene­rosidade da nossa parte no sentido de aceitarmos que a personalidade de cada um deles não é igual à nossa e que o que eles podem querer não é exatamente o que nós queremos.
– Temos a mania que sabemos tudo e não precisamos de os ouvir...
É uma pena quando os pais não olham para os filhos como fonte de ensinamento. Os filhos têm uma resiliência e generosidade que nós às vezes não temos, uma doçura que não conseguimos ter em determinados momentos da vida. Se estivermos atentos, percebemos que temos pequenos professores dentro de casa.
– Como é que se define o amor por um filho?
Não se consegue medir. Uma vez a Beatriz perguntou-me o que era o amor pelos filhos e eu disse-lhe: “Se surgisse alguma coisa em que eu, para salvar a tua vida, tivesse de morrer, eu morria, não hesitava um segundo.” Vi as lágrimas a correrem-lhe cara abaixo. Ela percebeu que era um sentimento avassalador e ficou esclarecida.
– Dizem também que é a melhor mãe do mundo?
De uma forma ou de outra vão dizen­do... A Beatriz diz: “Eu sei que a minha mãe é uma âncora, eu sei que é um porto seguro.” Ela é muito madura emocionalmente talvez porque a habituei desde pequena a comunicar muito comigo. O melhor e maior investimento que se pode fazer num filho é na comunicação. Uma pessoa que sabe expressar o que lhe vai na alma é seguramente mais bem resolvida.
– Depois de se ter separado do pai da Beatriz, ficaram a viver só as duas. Acha que isso contribuiu para que a vossa li­gação se tornasse mais forte?
Sem dúvida que sim. Embora a Beatriz tivesse um contacto diário com o pai, era comigo que vivia, e tenho a certeza que os laços se fortaleceram porque passávamos muito tempo juntas. Desenvolvemos uma proximidade que se mantém e tenho consciência de que, além de mãe e filha, somos boas amigas. Estamos numa fase em que ela é capaz de partilhar fragilidades comigo e eu faço o mesmo com ela. E respeitamos sem problemas o espaço uma da outra.
– E a sua relação com o Filipe?
O Filipe é uma criança tão feliz... Tenho uma relação muito estreita com ele. Ele tem as suas opiniões, ideias, sabe o que quer e é preciso explicarmos muito bem o porquê de tudo. E é curioso, porque ele com o pai tem uma relação diferente da que tem comigo, mas igualmente forte. Gosto tanto de os observar... Acho tão bonito a facilidade com que o Luís educa e ama ao mesmo tempo. Adorava conseguir fazê-lo com a mesma leveza. Às vezes comovo-me ao ver os dois.
– Fala do Luís com admiração. Como está o seu casamento? Cada vez melhor?
Estamos juntos há 11 anos e temos uma relação bastante boa. Temos muito boa comunicação, que é o mais importan­te. Sei que nos amamos, sei o que sinto pelo Luís e sinto o que o Luís sente por mim... Não sinto que o sentimento se tenha desgastado com o tempo, o que sinto é que o tempo trouxe mais maturidade para nos conhecermos melhor e para nos ajudarmos mais um ao outro. Somos grandes companheiros, sabemos gerir as nossas personalidades e egoísmos e saber gerir isso num casal exige pinças.
– Também nunca ninguém disse que manter um casamento era fácil. [risos]
[risos] Pois não! Mas acima de tudo as pessoas têm de querer estar juntas e se aquilo que as une ainda é amor, o resto quase vem com alguma leveza. Quando há dúvidas nos sentimentos, algum cansaço na relação ou se se acha que dela já não se vai conseguir tirar a felicidade que se ambiciona, aí é que já não é tão fácil. E no nosso caso sinto que ainda nos queremos muito um ao outro. Enquanto assim for, estamos muito bem.
– Tem falado muito em felicidade. Como é que se constrói a felicidade?
Com muito trabalho. Não há nada na vida que dê tanto trabalho como a felicidade. Exige tanta inteligência emocional, tanta sensatez, tanto bom senso... Não há receitas milagrosas, não há segredos, há ferramentas e temos de ir à procura delas e ter a coragem de as pôr em prática se realmente queremos ser felizes. E eu quero muito ser feliz e vim a esta vida para ser feliz.
– E ser feliz é...
Crescer, dar tropeções, enfrentar obstáculos e por vezes ter de ultrapassar montanhas. Faz tudo parte. A vida idílica, cor-de-rosa, não existe... E quando me depa­ro com alguns dissabores penso sempre que depois disso vem alguma coisa feliz. Eu quero sempre o caminho da felicidade.
– Fala em caminho. Que rumo tem traçado neste momento?
Profissionalmente, tenho a sorte de ter um programa diário, de entrevistas e testemunhos que é realmente o que mais gosto de fazer e onde me sinto peixe na água, e continuar a trabalhar com uma equipa capaz de revitalizar e enriquecer o formato à medida que o tempo passa.
– E pessoalmente? Há metas a cumprir?
Se eu conseguir continuar a ser para os meus filhos a mãe que tenho sido até aqui acho que já é um bom objetivo. Sou uma mãe com muitos defeitos, mas tenho conseguido que eles sintam o quanto os amo e o quanto eles são importantes para mim. Depois a nível da minha relação com o Luís, se continuar o trajeto que tenho seguido até agora, sem dúvida que serei na maior parte das vezes uma mulher feliz.

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