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Rosarinho Cruz partilha com a filha, Marta, a sua paixão por joias

Uma é impulsiva, a outra, racional. Juntas, mãe e filha desenvolvem a marca de joias Rosarinho Cruz.

Joana Brandão
29 de novembro de 2014, 14:00

A antropóloga, designer de joias e pintora portuense tenta adaptar-se a uma nova realidade que não é uma opção sua: há dois anos sofreu uma indisposição que a deixou imóvel e sem forças, e foi então que Rosarinho Cruz descobriu que sofre de síndrome de Burnout, também conhecido como síndrome do esgotamento profissional. Reconhecida pela sua imensa energia e hiperatividade, Rosarinho é hoje uma mulher diferente, mas não baixa os braços e graças à ajuda da filha, Marta Pina, tem conseguido desenvolver a sua marca de joias sem pôr em risco o seu bem-estar.
Psicóloga de formação, Marta, de 31 anos, é o grande apoio da mãe, que garante estar feliz por ter quem dê continuidade ao seu trabalho. Embora nem sempre tenha sido pacífica a relação entre as duas – nada de extraordiná­rio tratando-se de mãe e filha –, tudo começou a mudar logo com o nascimento de Mateus, fruto da relação de Marta com Manuel Rico, que conheceu em Moçambique quando trabalhava na comunicação de uma ONG, que trouxe outra animação à vida da avó.
Realizada com esta parceria, Rosarinho convidou Marta para esta sessão fotográfica com a CARAS. De fora ficaram desta vez os filhos, João Batista, de 33 anos, e Manuel Pina, de 16.
Têm apenas 22 anos de diferença. Como é a vossa relação?
Rosarinho Cruz – Agora é mais fácil. Desde que começámos a trabalhar juntas e a Marta se tornou mãe, a nossa relação melhorou bastante. Como passamos muito tempo juntas, tivemos de nos adaptar uma à outra e aprender a lidar com os feitios de cada uma. Antes discutíamos mais porque somos bastante diferentes. Eu sou muito impulsiva, quero tudo para agora; a Marta é mais racional e eu tenho aprendido imenso com ela, não só a nível profissional, como nas relações humanas. É preciso haver um equilíbrio e é nesse sentido que caminhamos.
Durante o horário de trabalho consegue despir o papel de mãe e não ver a Marta como filha?
Sim, completamente.
Marta Pina – Isto é o nosso trabalho e fazemo-lo com seriedade. Quan­do estamos em modo trabalho não somos filha e mãe. Mas é engraçado, porque toda a gente nos pergunta isso. No entanto, estou certa de que conseguimos distinguir bem os papéis.
Como surgiu esta parceria?
– Quando regressei de Mo­çambique, onde estive durante quase três anos a gerir a comunicação de uma ONG, fui trabalhar para uma agência de comunicação. A certa altura dei por mim a co­­mu­nicar outras marcas e pensei que faria mais sentido comunicar o trabalho da minha mãe, que é lindo de morrer. Tudo começou pela comunicação, mas hoje já faço um bocadinho de tudo. Foi fácil entrar no mundo dela porque a vejo trabalhar desde que nasci. Foram muitas as vezes que tive de afastar as pedras e os pincéis para pôr a mesa de jantar...
Rosarinho, como é ter uma colaboradora depois de 30 anos a trabalhar sozinha?
Rosarinho – Uma maravilha! É verdade que fiz sempre tudo sozinha – as joias, a comunicação e a venda – mas a Marta é uma grande ajuda. Finalmente consigo delegar e concentrar-me na parte criativa. Fico muito feliz por saber que um dia, quando não estiver cá, tenho quem dê continuidade ao meu trabalho. Se ela não estivesse a trabalhar comigo, já não conseguia gerir tudo, por causa do meu problema de saúde.
– Quer explicá-lo melhor?
– Há dois anos fiquei sem força e depois de muitos exames o médico disse-me que sofro de síndrome de Burnout, também conhecido como síndrome do esgotamento profissional, ou fadiga crónica. A verdade é que trabalhei sempre mais do que aguentava e acumulei alguns esgotamentos. Nunca os valorizei ao ponto de me tratar e agora fiquei com uma doença que não tem cura. Depois de algum tempo, e do grande susto que apanhei, já consigo aceitar o que tenho e graças à ajuda da Marta no ateliê posso ausentar-me para descansar sempre que preciso. Se não tivesse a Marta comigo não sei o que aconteceria.
Há dois anos também foi avó pela primeira vez. Marta, como vê a sua mãe neste papel?
Marta – É uma avó super babada e o Mateus adora brincar com ela.
Rosarinho – Ele é um miúdo fantástico. Tem muita personalidade e é independente, características que adoro. Estou sempre a agarrá-lo para o encher de beijos e ele fica muito irritado, diz que não, tem muita piada. Felizmente estou com ele todos os dias. Estou a adorar ser avó.
É uma avó com um espírito bastante jovem, presumo...
– Pois, na verdade vejo o Ma­teus mais como filho do que como neto. O meu filho mais novo tem 16 anos, ainda há pouco tempo era bebé, e quan­­do vejo o Mateus a brin­car com os car­rinhos do Manel é difícil distinguir os sentimentos. Sinto-o como um filho, mas sem a responsabilidade de ser mãe... é complicado de explicar. No entanto, deixo-o fazer coisas que nunca deixaria os meus filhos fazerem.
Marta – A minha mãe ainda é muito jovem e tem uma vida ativa. Não tem a disponibilidade que os avós reformados têm, daí ser um bocadinho diferente.
Estamos no Palacete Pinto Leite, que pertenceu à família do seu namora­do. O Nuno Pinto Leite já faz parte da família?
Rosarinho – Namoramos há quase quatro anos e estou muito feliz por ter o Nuno na minha vida. Ele é fantástico, generoso, super criativo, amigo dos meus filhos e do Mateus. Foi curioso virmos fazer a entrevista aqui. O Nuno é muito ligado à família e está sempre a contar histórias do passado. Algumas delas aconteceram aqui, por isso, quando lhe disse que vínhamos ao palacete, ofereceu-se logo para ajudar. É um bom companheiro, espero tê-lo sempre como namorado.
Marta – O Nuno é uma ótima pessoa e faz muito bem à minha mãe. É um querido connosco e já faz parte da família.

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