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Cristina Ferreira: “Nada me abala a confiança enquanto mulher"

Durante a sua primeira viagem a Marraquexe, a apresentadora, de 37 anos, revelou-se uma mulher segura, confiante e determinada.

Cláudia Alegria
30 de outubro de 2014, 13:06

Durante os quatro dias que passámos em Marrocos ficámos a conhecer uma Cristina Ferreira determinada, exigente, pontual, simpática e afetuosa. Quase poderíamos dizer que existe uma Cristina Ferreira apresentadora, mais expressiva e extrovertida que, ao lado de Manuel Luís Goucha, dá vida ao programa da manhã da TVI, e uma Cristina Ferreira que todos os dias acorda com uma atitude positiva, preocupada com a imagem, igualmente atenta, mas muito mais serena e tranquila.
– Foi a primeira vez que esteve em Marraquexe. O que a seduziu mais nesta cidade?
Cristina Ferreira – Há uma mistura entre Europa e África que, ao primeiro impacto, causa alguma estranheza, mas depois a cidade vai-se apresentando. Surpreendeu-me descobrir uma Marraquexe moderna, muito semelhante às capitais europeias.
– Tenciona regressar?
Tenciono voltar com o meu filho. Ele é muito atraído pelos sons, por igrejas – no Dubai, onde estivemos de férias há dois anos, ele teve essa experiência de ouvir o som do chamamento para a reza – e acho que ele ia adorar a azáfama da praça principal.
– É difícil resistir à gastronomia?
Ainda bem que foram só quatro dias! É quase impossível fazer dieta, porque tudo tem muitos condimentos e acompanham quase tudo com pão...
– Tem perdido algum peso nos últimos dois meses. É fruto de uma dieta rigorosa?
Tem a ver com uma mudança completa de estilo de vida. Já o devia ter feito há mais tempo, mas era muito difícil: a minha mãe é uma excelente cozinheira e vivo numa zona muito complicada para fazer dieta, onde há sempre pão quente a sair do forno a lenha. Quando comecei a receber no programa a Iara Rodrigues, que agora é minha nutricionista, e a provar a comida que a minha colega Isabel Silva trazia de casa, percebi que gostava daquilo tudo. E mudei de chip. Agora é-me até difícil comer o que antes comia, porque o corpo já estranha. Sentimo-nos leves, o corpo a mudar e a moldar-se, e isso deu-me entusiasmo para continuar. Passei também a fazer mais ginásio e a aceitar aquilo que o personal trainer diz, que era coisa que não fazia!
– Que peso perdeu?
Devo ter pedido dois ou três quilos, mas esta não é uma dieta para perder peso, é uma dieta para moldar o corpo. As minhas ancas em televisão ficam muito largas e tenho tentado que elas fiquem um nadinha mais estreitas, depois é pôr o rabiosque para cima, ficar com os braços bonitos outra vez, mas nada de exagerado, até porque não gosto de mulheres muito musculadas. Tem mesmo a ver com o prazer de descobrir o exercício físico.
– Fiquei impressionada com a sua agenda tão preenchida. É uma pessoa muito organizada?
Muito, e não tenho sequer uma agenda física. Memorizo tudo e raramente me esqueço de algu­ma coisa. Por isso é que não gosto de atrasos, porque interferem em tudo o resto. Tenho de estar na TVI às 7h20 para conseguir ter tempo de tomar o pequeno-almoço, ler jornais, preparar tudo para o programa e estar na reunião às 8h00. Desço para estúdio no máximo às 9h35, saio às 13h00, tenho a reunião com a equipa toda, vou ao ginásio às 13h45, saio às 15h00, regresso à TVI para as minhas tarefas de direção e, quando não tenho reuniões, faço coisas para o meu blogue. Normalmente também passo na minha loja todos os dias e consigo estar ao pé do meu filho no máximo às 18h30. Sou tão organizada que todos os minutos, entre as 7h20 e as 18h00, estão completos, não paro, é assim que me sinto bem.
– Apesar dos dias preenchidos, nunca quis ajuda de uma empregada para as lides domésticas...
Nunca senti essa necessidade. Vou conseguindo fazer as minhas coisas e adoro entrar em casa sem ter a sensação de lá ter estado alguém. Mas até nisso sou muito organizada. Tenho uma mãe fantástica que, de três em três semanas, decide lá ir dar uma volta maior. De resto, gosto de fazer as minhas refeições e do trabalho de casa. Passar a ferro, que era o mais difícil, é a minha mãe que o faz. Sou só eu e o meu filho, portanto, não é complicado.
– O seu filho entrou este ano para a escola primária. Conse­guiu acompanhá-lo?
Consegui. Fui lá no primeiro dia, fui às reuniões, comprámos juntos o material escolar. Foi lindo vê-lo abrir os livros pela primeira vez e achar que eram jogos. Ele ficou fascinado com tudo aquilo, adora a escola e não deixou cair nem uma lágrima.
– Porque é que quis que ele fosse para uma escola pública?
Porque nunca senti necessidade de uma escola privada. Eu andei sempre em escolas públicas e adorei, e gostava de passar ao meu filho que ele é igualzinho aos outros. Claro que há pessoas que acham que o ensino privado é melhor que o público, mas eu sempre tive boas informações da escola pública onde ele anda, pelo que prefiro tê-lo lá.
– Um dia destes garantiu que é exatamente a mesma Cristina que se estreou nas manhãs da televisão há dez anos...
Eu sei que sou a mesma pessoa na essência. Como é óbvio as experiências mudam-nos, e eu não sou a mesma aos 37 do que era aos 25. Vou tendo cada vez mais a certeza do que quero, tenho muito mais confiança em mim enquanto mulher – nada me abala a confiança – e isso só se ganha com o passar dos anos. Mas sou a mesma Cristina. Fiz um alerta aos meus amigos e família: no dia em que me acharem parva, avisem-me. Porque é fácil as pessoas deslumbrarem-se. Tenho um país inteiro a olhar para mim, já recebi alguns prémios, como o de ser a mais sexy, e podia ter ficado deslumbrada. Consegui não o ficar e isso acho que se deve à educação dos meus pais.
– Desde 2010, quando anunciou a sua separação, nunca mais assumiu uma relação amorosa. Não houve ninguém na sua vida ou isso não é uma prioridade?
Não, isso significa que o que será meu está à minha espera de certeza absoluta. Até nisso sou mesmo muito tranquila [risos]. O amor não se procura, o amor vem ter connosco e nós damos por isso quando ele chega.
– E nós também iremos dar por isso?
Como é óbvio. Há alguém apaixonado que não mostre ao mundo inteiro que o está? Nunca vi ninguém!
– Ser eleita a mulher mais sexy é lisonjeiro...
É. Claro que não é o mais importante no reconhecimento da nossa vida profissional, mas tem graça. Dá-nos alento, confiança e mais vontade de ir ao ginásio!
– Sobretudo porque coincide com o esforço de corrigir a alimentação e fazer mais exercício?
Sim, qual é a mulher que não gosta que lhe digam que é sexy e sensual? Acho que cada vez mais uma mulher confiante, que sabe muito bem o que quer, que tem planos para a vida, começa a atrair os homens [risos] e eu estou nessa fase tranquila.
– Sente-se numa boa fase?
Sinto-me muito melhor hoje do que aos 25 anos. Acho que me sofistiquei, que fui tentando apagar e esquecer aquilo que era menos bom – porque todas temos coisas menos bonitas no nosso corpo, nas nossas cabeças, nas nossas emoções – fui limando as imperfeições a ponto de ter segurança agora para enfrentar o resto da minha vida.

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