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Sozinho em Lisboa, José de Abreu fala do fim do seu casamento de dez anos

O ator, de 68 anos, e a psicóloga Camila Paola Mosquella, de 32 anos, puseram recentemente fim ao seu casamento de dez anos. Apesar de já ter sido casado quatro vezes, o ator diz que tem o coração aberto.

Redação CARAS
29 de outubro de 2014, 10:30

Um dos atores mais acarinhados do Brasil, José de Abreu, de 68 anos, é também muito popular em Portugal, devido à participação em novelas como Caminho das Índias, Avenida Brasil, ou, mais recentemente, Rebu. Apesar de ao longo de mais de 40 anos de carreira ter feito, sobretudo, papéis de mau da fita – expressão que aprendeu em Portugal –, José é um homem simpático, descontraído e de sorriso fácil. A CARAS aproveitou a sua vinda a Lisboa, para a apresentação da nova novela da TV Globo Portugal, Joia Rara, para conversar com o ator sobre a sua vida profissional e pessoal, esta no início de uma nova fase. 
– Esta não é a primeira vez que vem a Portugal. Sente-se bem no nosso país?
José de Abreu – Gosto muito de Portugal, para mim é um reencontro com as minhas raízes. O meu nome é José Pereira de Abreu, nome típico português. O meu avô já nasceu no Brasil, mas dizem que uma parte da minha família é do Porto e a outra aqui de Lisboa.
– Portanto, de certa forma, é como se estivesse em casa...
– Claro que sim! Ainda para mais, aqui, o carinho das pessoas para com os atores brasileiros é enorme.
– Sei que é um apaixonado pela comida portuguesa. No Brasil, sente falta de algum prato específico?
– Sinto muita falta do leitão [risos]! No Brasil temos bons restaurantes de comida portuguesa, mas não é a mesma coisa que comer aqui. Eu acho que a tradição de comer bem nasceu com os portugueses. Comi algumas das melhores refeições da minha vida aqui em Portugal.
– É um dos atores mais acarinhados do Brasil, ainda que tenha sempre papéis controversos. Como lida com isso?
– É tão raro convidarem-me para fazer “papel de bom”... Já é uma tradição fazer de vilão, mas eu gosto, são personagens mais interessantes, mais ambíguas. Por exemplo na Joia Rara, sou um joalheiro suíço, o Ernest Hauser, um homem muito rígido, sem um traço de bondade.
– Ser ator sempre fez parte dos seus planos?
– Não, nunca! Eu nasci numa cidade do interior muito peque­na, durante parte da minha adolescência vivi numa fazenda, andava a cavalo, subia às árvores, tomava banho no rio... E aos 12 anos a minha família pôs-me num seminário, para ser padre [risos]! Fiquei apenas um ano, não aguentei mais! Na realidade, toda a minha família é constituída por advogados e, obviamente, com 18 anos entrei na faculdade de Direito. Quis o acaso que houvesse um grupo de teatro na faculdade. Um dia, um colega meu chamou-me para experimentar. Nunca tinha visto teatro na minha vida, subi a um palco antes de ver uma peça! Quando lá cheguei, convidaram-me para entrar no grupo, não co­mo ator, mas como produtor. Houve um dia que um dos atores faltou e eu entrei para o substituir. Envolvi-me com aquilo tudo de forma tão natural que me convidaram para entrar como ator, com um papel pequeno, e no fim dos ensaios da peça já era o protagonista!
– Como é que a sua família aceitou essa sua escolha?
– Mal, muito mal. Só aceitaram muito mais tarde, quando fui para a Globo. Comecei a fazer teatro em 1967 e só fui para a Globo em 1980... durante todo este tempo, eu era o marginal da família, a ovelha negra. Quando fui para a Globo, tornei-me o rei da família!
– Porquê?
– Porque as pessoas que não eram do meio não percebiam, há alguns anos, ser ator não era bem visto, tínhamos má fama. Hoje em dia é muito diferente. Mas a Globo dava-nos um estatuto diferente, era como se fôssemos os “escolhidos”.
– E por não ter esse apoio da família, alguma vez pensou em desistir?
– Não, acho que era o contrário. Quanto menos eles queriam, mais eu tinha vontade de continuar. E chegou a um momento em que atuar era quase um impulso, o palco é uma atração, nós, atores, costumamos dizer que é um vírus, irresistível. Eu fiz tudo ao contrário do que a minha mãe me mandou, e quando ela morreu, há quatro anos, disse-me: “Ainda bem que não fez nada do que eu disse, se me tivesse obedecido estaria muito mal na vida.”
– O seu casamento de dez anos com Camila Paola Mosquella chegou há pouco tempo ao fim, mas já antes tinham estado separados. Desta vez não há vol­ta a dar?
– Ninguém acreditava que conseguíssemos ficar um ano juntos e nós ficámos dez! Ainda assim, terminou. O problema é o mesmo de sempre: a Paola quer ter filhos e eu não quero ter mais, já tenho cinco! A nossa diferença de idades é grande, são 35 anos. A separação foi totalmente consensual, continuamos amigos, falamos ao telefone o tempo todo.
– Gosta de estar sozinho?
– Não, não gosto nada. Já me casei quatro vezes, tive cinco filhos de três mulheres diferentes, mas continuo à procura, tenho o coração aberto [risos].
– E agora que está numa nova fase da sua vida, tem novos projetos também?
– Sim, vou morar em Pa­ris, comprei um apartamento lá. Quero tentar um mercado novo para a minha carreira, quero fazer produção de cinema e minissé­ries de televisão. Há imenso tempo que quero fazer isto, mas vou continuar a representar, até porque vou andar entre Paris e o Rio de Janeiro.
– Em 2013 gerou-se uma grande polémica à sua volta, depois de ter afirmado nas redes sociais que era bissexual...
– Foi uma provocação. Existe muito preconceito no Brasil, mas o nível de preconceito na Internet é muito diferente, é muito mais violento. A única coisa que eu podia dizer, para fazer parte de uma minoria, era dizer que era bissexual. Fiz esta declaração como experiência sociológica e a verdade é que as pessoas importaram-se mais com isso do que com qualquer outra coisa que eu tivesse feito na minha carreira.

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