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Maya Booth: “Estou solteira e gosto muito, sabe bem investirmos em nós”

A atriz, que podemos ver na TVI no ‘remake’ da novela “Jardins Proibidos” e no cinema com o filme “Os Maias”, revela que terminou a relação com Francisco Botelho e fala ainda de um problema dermatológico – rosácea – que afetou a sua autoestima na juventude e com a qual aprendeu a lidar já adulta.

Inês Neves
25 de outubro de 2014, 10:30

Sem receios ou inseguranças, Maya Booth expõe nesta entrevista uma das suas maiores fragilidades. Numa conversa franca, a atriz conta-nos que descobriu que sofria de rosácea na adolescência, uma doença dermatológica comum e tratável, e explica-nos como isso afetou a sua vida.
– Como é que descobriu que tinha rosácea?
Maya Booth – A primeira vez que tomei conhecimento da minha condição era adolescente, tinha 15 anos, foi quando comecei a trabalhar como atriz, na novela Jardins Proibidos. Até aí sempre achei que fosse uma coisa normal e não uma patologia. Como tenho ascendência inglesa, uma pele branca, com familiares que também têm peles sensíveis e avermelhadas, sempre achei que fosse normal. E nessa altura, percebi que a maquilhagem, as luzes, os horários intensos e o stresse por vezes agravavam o problema. Decidi então procurar um bom dermatologista para me ajudar.
– Como é que isso tem afeta­do a sua vida?
– Acredito que há pessoas com a mesma doença que possam passar por situações sociais di­fíceis ou inseguranças no ambiente de trabalho, pois sei como isto pode prejudicar a autoestima. Houve alturas em que senti o mesmo, mas hoje em dia essas inseguranças já não existem porque tenho uma boa relação com este problema e sei que estou a fazer de tudo para evitar que se agrave. Ainda bem que fui procurar ajuda, porque fui ficando mais confiante, percebi melhor o que era, percebi que era uma coisa comum. E é muito importante não encarar isso como um problema.
– Mas e a nível pessoal? Tor­nou-se uma pessoa mais fechada, sentia vergonha do seu rosto?
– Sempre fui muito tímida e lembro-me de alturas em que tentava tapar a cara com o cabelo, de ter vergonha, de às vezes não olhar nos olhos das pessoas, sentia-me muito insegura. Isto acontecia mais durante o dia, na escola. Se algum professor me perguntasse alguma coisa, corava imediatamente e de uma forma inacreditável. E muitas vezes ouvia risos, os adolescentes podem ser muito maus, gozam uns com os outros. Fazia muito desporto e isso potenciava... Mas nunca quis que isso fosse um problema, não deixei de fazer nada.
– Hoje em dia já é uma mulher mais segura?
– A partir do momento em que consultei o dermatologista e ele me disse que isto não era um problema e que me ia ajudar... foi muito importante e ajudou-me imenso.
– Não se achava bonita?
– Não e era muito insegura. Não me achava bonita, perguntava porque é que isto me estava a acontecer a mim, culpava-me.
– Agora tem uma boa auto­estima?
– Estou muito mais confiante. Tenho 30 anos, quero desfrutar bem da vida, pois ela passa muito depressa. Claro que ainda há dias em que me sinto feia e insegura, mas tento ultrapassar isso rapidamente.
– Quando descobriu que sofria de rosácea estava a fazer Jardins Proibidos, há 14 anos. Sentiu-se inferior às suas cole­gas? Retraiu-se no trabalho?
– No início sim, mas não quis nem deixei que isso dominasse a minha vida ou condicionasse o meu trabalho. Quando trabalhas em televisão, cuidam de ti, maquilham-te, e isso faz-me sentir logo mais confiante. Na escola é que era diferente. O meu trabalho não saiu prejudicado em nenhuma altura. E a partir daí tive sempre o cuidado de informar os maquilhadores e saber quais os melhores produtos cosméticos para a minha pele.
– Voltando à adolescência: se a situação a fez retrair-se, deve ter passado um pouco ao lado dos namoricos de adolescente...
– Escondia-me um pouco dis­so, estava sempre no meu cantinho. Comecei tudo muito tarde [risos]. Mas acho que isso teve mais a ver com a minha personalidade do que com a patologia. O facto de ser bilingue [pela ascendência inglesa] também não ajudou. Tinha uma certa vergonha disso, por me achar diferente dos meus colegas de turma, porque de facto cresci noutra cultura. Comecei a falar português tarde e quando era adolescente saíam-me muitas expressões em inglês e isso era estranho para alguns colegas, que gozavam com isso. Quando somos adolescentes temos vergonhas das coisas mais estúpidas. Hoje em dia é um dom, uma coisa incrível.
– E atualmente, ainda mantém o namoro com Francisco Botelho?
– Já não estamos juntos. Estou solteira. E estou a gostar muito desta fase, gosto de estar sozinha. Se bem que acho que raramente estamos sozinhos, temos tantas distrações à nossa volta...
– Portanto, não é daquelas pessoas que tem de ter sempre alguém consigo?
– É importante pormo-nos à prova, saber se conseguimos lidar com a solidão. Acho que a solidão é uma coisa assustadora. E se for durante muito tempo, a solidão pode ter coisas negativas. Todos nós precisamos de amor e carinho. Mas sabe tão bem estarmos sozinhas às vezes, investirmos mais em nós... Numa relação, seja ela romântica, de amizade ou trabalho, muitas vezes esquecemo-nos de nós, vivemos para agradar a toda a gente. E isso, por vezes, torna-se cansativo. É bom ter a consciência de que vai haver sempre pessoas que não vão gostar de nós, que não vão gostar do nosso trabalho.
– Aos 30 anos já vê as suas amigas a casarem-se, a terem filhos... Sente vontade de fazer o mesmo?
– É verdade, já não somos umas crianças, já somos mulheres! São os casos da Vera Kolodzig, da Daniela Ruah e da Teresa Tavares: crescemos juntas, fizemos o primeiro trabalho juntas, os Jardins Proibidos, e agora é giro essas diferenças em nós. Falamos carinhosamente disso. Por isso, este remake da novela é um projeto muito especial para nós. Mas para responder à pergunta, casar-me ou ter filhos não faz parte dos meus planos, não para já. Ainda há muita coisa que quero fazer: viajar, estudar, trabalhar...

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