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Maria Botelho Moniz conta como os cães lhe devolveram o sorriso e a ‘salvaram’

Numa entrevista emotiva, a atriz e apresentadora falou da altura mais difícil da sua vida.

Inês Neves
15 de novembro de 2014, 14:00

Maria Botelho Moniz come­çou por nos contar que adotou Hope na altura mais difícil da sua vida: depois de o seu namorado de longa data ter morrido num acidente de mota, em março deste ano. “Eu sentia-me abandonada e ela foi abandonada. A Hope mudou completamente a minha vida e a do Sushi, este velhote rabugento que já tenho há dez anos e que precisava também de companhia (...) E entre os cães e o meu trabalho, foi mais ou menos assim que me salvei, que sobrevivi”, desabafa. Depois da adoção da Hope, a atriz e apresentadora tornou-se madrinha da associação Animais de Rua.
– Porquê adotar um cão nessa altura tão difícil?
Maria Botelho Moniz – Os cães dão um conforto gigante e têm uma sensibilidade muito própria. E a Hope estava descrita como uma cadela muito dócil e que queria e dava muitos mimos. Entrou na minha vida numa altura caótica, trouxe um bocadinho mais de caos, mas também trouxe esperança, por isso o seu nome. Quis dar-lhe esperança de uma vida melhor e ela trouxe-me esperança de bons momentos e futuros sorrisos. Ajudamo-nos mutuamente. Às vezes penso que foi uma decisão um bocadinho precipitada, porque estava mesmo muito frágil, mas foi a melhor decisão que tomei, porque trouxe outra alegria àquela casa, trouxe de volta o meu sorriso.
– Identificou-se com ela...
– Sim, eu sentia-me abandonada e ela foi abandonada. E acho que ela também sentiu isso, sentiu que eu precisava de companhia e de uma energia diferente. Acho que outro cão que não tivesse passado por aquilo que ela passou talvez não sentisse ou reagisse da mesma forma.
– Entregou-se também ao trabalho: começou logo a trabalhar no Curto Circuito e iniciou um estágio na equipa de conteúdos no programa Queridas Manhãs...
– É verdade. Ando com uma vida completamente louca. Entro às 8h nas Manhãs, saio às 12h. Começo logo no Curto Circuito e saio às 20h. Isto todos os dias desde abril, têm sido ‘tareias’ sucessivas, mas que me têm feito bem.
– O trabalho funciona como uma terapia, um escape?
– Sim. Mas eu já sabia que ia ter esse horário antes de a minha vida mudar como mudou. E depois do que aconteceu, foi-me dito que podia começar a trabalhar quando quisesse, estava à vontade para tirar o tempo que fosse preciso. E eu fiz questão de voltar no dia em que era suposto voltar, 15 dias depois estava a fazer diretos. E uma das pessoas que mais me incentivaram a fazer isso foi a Júlia Pinheiro. Fui falar com ela e disse-lhe que queria começar, mas que não sabia se estava com grandes forças. E ela disse-me: “Vem porque te vai fazer bem, tu precisas de estar com a cabeça ocupada.” E acho que isso me salvou. Entre os cães e o meu trabalho, foi mais ou menos assim que me salvei, que sobrevivi.
– Estar ocupada ajudou-a a não pensar tanto?
– Claro que durante aquelas 12 horas de trabalho ia na minha cabeça aquilo que aconteceu, mas ter que me manter ativa, pensar e tomar decisões ajudou-me. Estive dois meses sem conseguir raciocinar bem. Acho que o corpo entra em modo de sobrevivência, em autogestão. Se me perguntares sobre os meses de abril e maio, não te sei dizer grande coisa, não tenho grande memória deles. Estava completamente bloqueada. Mas sei que estava a trabalhar e a executar bem o meu trabalho. Acho que os diretos no CC foram o escape perfeito. Durante uma hora e um quarto tinha de estar focada, não podia pensar em mais nada, havia um alinhamento para cumprir, pessoas para entrevistar e adolescentes em casa à espera do meu sorriso. Não podia desiludir essas pessoas. Portanto, nessa hora e um quarto tinha de estar feliz e estava, porque apagava tudo o resto.
– Foi preciso ter uma força enorme e controlo sobre si própria para conseguir fazer isso, para não transmitir a sua tristeza a quem a via...
– Não sei o que foi. Muitos dos telespectadores só souberam do que aconteceu muito tempo depois. E até me vieram perguntar se era verdade, porque não fazia sentido eu estar a apresentar o programa com aquela cara e energia se tudo aquilo era verdade. Não sei se é força, se é controlo, acho que o nosso corpo e o nosso cérebro entram em modo de sobrevivência. Ou tu sobrevives ou deixas-te levar por aquilo e deixas de existir. Não foi um esforço consciente, foi automático. Comecei a sentir necessidade de ocupar a cabeça e pensar noutras coisas, por isso fui trabalhar e era onde realmente me sentia mais ou menos bem.
– E agora já conseguiu voltar à sua vida normal? Trabalhar menos e sair com os amigos?
– Tudo a seu tempo. Tu nunca sabes como é que vais acordar... É um sentimento que não desaparece, um peso que carrego sempre, mas há dias em que o peso é mais leve, outros em que parece que é como no primeiro dia. Tento não fazer muitos planos. Quando me dizem: “vamos jantar para a semana”, respondo “liguem-me no próprio dia e eu logo vejo”. Vivo o dia-a-dia.
– Há uns anos passou uma temporada nos Estados Unidos atrás do sonho da representação. Depois disto tudo, não pensou voltar para lá e mudar de vida?
– Pensei, mas desisti rapidamente. Por muito que me apetecesse, e apetece-me muitas, acho que é tão difícil conquistar um lugar na televisão aqui em Portugal que tenho medo que uma fuga para o estrangeiro fizesse as pessoas esquecerem-se de mim. Ainda não tenho uma carreira suficientemente sólida para poder virar costas.
– Na última entrevista que nos deu, em fevereiro, disse: “O sorriso é a saída para qualquer situação”...
– Ainda é. Acho que já me safou de várias situações e já me protegeu.

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