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Uma viagem no tempo com Cinha Jardim: “Tudo o que quis ter, eu tive”

Uma das suas paixões é viajar, por isso, nesta milésima edição convidámos Cinha a fazer as malas e a revisitar os últimos 19 anos.

Cristiana Rodrigues
8 de novembro de 2014, 10:00

Sempre disse que o mais importante não é como os outros a veem, mas estar de bem consigo, com a sua vida. E hoje Cinha Jardim, de 57 anos, está tranquila, a viver uma das melhores fases a nível emocional. Com o passado bem arrumado e sem traçar grandes metas, o que mais quer é continuar a ter o seu mundo de afetos preenchido. Esta viagem no tempo que fazemos nestas páginas começou com Pedro Santana Lopes como protagonista, uma vez que o romance de ambos fez capa da edição n.º 3 da nossa revista, e terminou com as personagens principais do seu mundo de afetos, as filhas Pimpinha e Isaurinha, e os dois netos, Francisco e Raul.
– A primeira capa que fez para a CARAS foi em setembro de 1995 ao lado de Pedro Santana Lopes. Recorda-se disso?
Lembro-me perfeitamente. Foi em Sin­tra, fizemos umas fotos muito engraçadas, algumas de família, com os nossos filhos. São momentos que deixam saudades. O Pedro era magríssimo. Fazia-lhe bem aquela altura. [risos] Ainda hoje mantenho uma boa relação com os filhos dele e com o Pedro também. Está tudo arrumado no passado e estamos muito bem resolvidos.
– Embora já estivesse habituada aos flashes antes da CARAS, era a sua vida amorosa que mais curiosidade suscitava...
Sim. Antes da CARAS, as outras capas faziam parte o meu ciclo com o Raul, o pai das minhas filhas, com quem vivi 17 anos. Quando a CARAS apareceu, essa relação já estava terminada e era natural que as pessoas quisessem saber pormenores da minha vida amorosa, mas não procuravam escândalos nem queriam ver o lado dramático. Queriam sonhar, queriam ver o mundo cor-de-rosa. Não havia a agressividade que há hoje. Nem uma curiosidade aguçada pela desgraça...
– É isso que a tem afastado dos holofotes?
A partir de certa altura quis resguardar-me um bocadinho. Naquela altura eu abria as portas de minha casa, mostrava os quartos, a sala, e não havia problema nenhum. Nunca fui de esconder muita coisa, eu era ‘desbocada’, irreverente e com isso um isco fácil para a imprensa...
– E por vezes a sua família não gostava muito do que lia...
Sim, havia coisas que a minha família não concordava que eu fizesse. Hoje percebo porquê e sou a primeira a dizer às minhas filhas para se resguardarem, coisa que nunca fiz na vida. Se tinha de aparecer em biquíni, aparecia, se era para fazer o pino, fazia. Hoje tenho mais cuidado.
– Houve alguma coisa que mostrou ou que disse às revistas que hoje não diria?
Não, não tenho esses problemas. Disse, está dito. Mesmo que ache que devesse ter sido um pouco mais contida, digo tudo o que penso e não posso ir contra a minha natureza. Certamente eu não teria a mesma graça se pensasse muito no que dizer. [risos]
– Quando olha para trás sente-se nostálgica?
Nostálgica, não. Sou uma pessoa saudosista, adoro viver do passado, mas do que ele me trouxe de bom. As coisas más tenho facilidade de eliminar.
– E olha para o futuro?
Não me preocupa muito o futuro. Vou vivendo e não faço planos a longo prazo. Hoje estou numa fase muito feliz. Pouco preocupada com o que dizem ou pensam de mim. Fui aprendendo com vocês, imprensa, e com a experiência de vida.
– Voltando ao início da conversa: fez também capas com Julio Iglesias, Marco Paulo e Raul Cortez...
E lembro-me tão bem de cada uma delas! A pessoa que mais me marcou numa determinada altura da minha vida foi o Marco Paulo. Fui, sou e serei para sempre amiga dele. Tenho-lhe um enorme respeito e uma grande admiração. Com o Iglesias também foi muito giro. Como todas as raparigas da minha geração, namorei muito ao som das suas músicas e antes de o espetáculo começar, estivemos juntos, demos um grande abraço, e era como se fôssemos amigos de toda a vida. Quanto ao Raul Cortez, ele era um senhor. Foi das pessoas por quem me apaixonei platonicamente. Era um poço de cultura, com uma experiência de vida riquíssima e um enorme sentido de humor. Adorava as minhas filhas. Passámos bons momentos e quando ele percebeu que tinha pouco tempo de vida, aproveitámos para desfrutar de todos esses instantes. Custou-me imenso, porque percebi que nunca mais o ia ver.
– Algumas das páginas da nossa revista foram preenchidas também com histórias e momentos com as suas filhas. Ao olhar para elas, acha que fez um bom trabalho?
Quando olho para as minhas filhas fico muito orgulhosa, tornaram-se duas mulheres íntegras, com valores e de bem com a vida. Não foi fácil, muitas vezes, fazer de mãe e pai mas cumpri essa missão. Se houve alturas em que andaram às turras porque têm sete anos de diferença, hoje são as maiores amigas. A Isaurinha foi sempre muito mimada, sempre colada a mim, e tem um feitio muito sensível. A Pimpinha sofreu muito quando o pai morreu, mexeu com a estabilidade dela e foi complicado. Hoje está tranquila, encontrou o Francisco, um marido fantástico, e tem dois filhos que são a minha paixão.
– É uma avó muito presente...
O Francisco e o Raul trouxeram muita alegria à minha vida. Nunca pensei que pudesse gostar tanto deles. É um amor incondicional. Com o mais velho tenho uma relação muito engraçada, porque ele adora-me e quer fazer tudo comigo... O Raul ainda é bebé, mas é uma ternura.
– Gostaria de voltar atrás e viver coisas que não viveu ou vivê-las de outra forma?
Não, nada. A minha vida seguiu um rumo que me fez chegar aqui muito bem resolvida. Nunca traçaria outro percurso. Fui privilegiada na minha vida, porque tudo o que quis ter, eu tive. Fiz tudo o que tinha a fazer, disse tudo o que tinha a dizer e não me arrependo de nada.

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