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Lili Caneças: “Quando morrer, vou para o céu fazer uma grande festa”

Aos 70 anos, a ‘socialite’ revela que tenciona dar a volta ao mundo por tempo indeterminado.

Cláudia Alegria
2 de novembro de 2014, 12:00

Há muitos anos que figura nas páginas da nossa revista e abre as portas da sua vida aos leitores. Gosta de frequentar acontecimentos sociais, de escolher com cuidado a roupa, a maquilhagem e os sapatos com que se apresenta, e faz questão de tratar pelo nome próprio todos os jornalistas e fotógrafos com quem se cruza. Aos 70 anos, Lili Caneças volta a receber a CARAS, desta vez para falar de glamour, beleza e paixões.
– Gosta que a tratem por rainha do social?

Lili Caneças – Já fui rainha de tudo: rai­nha do jet-set, rainha de Cascais, um destes dias chamaram-me rainha do Instagram... São muitos reinados sem trono! 

– Tem feito parte das páginas da CARAS desde os primeiros números. Lembra-se de quando a nossa revista chegou às bancas?
A CARAS veio trazer uma lufada de ar fresco, de bom gosto, de glamour, de mulheres bonitas e bem vestidas, foi a nossa Hola e continua a ser. A Hola existe há 70 anos e faz uma coisa extraordinária, que é acompanhar sempre as mesmas famílias: a família real, a duquesa de Alba, o Julio Iglesias, a Pantoja, os toureiros, os filhos deles... No fundo, hoje são as gerações dos filhos e dos netos que enchem revista. É pena em Portugal os filhos não gostarem tanto aparecer quanto os pais, não terem orgulho de pertencerem a famílias que têm protagonismo.
– Isso, aliás, aconteceu consigo: a Lili gosta de aparecer, mas os seus filhos preferem manter-se longe dos fotógrafos...
Completamente. Mas acho que os meus filhos vão ter um castigo enorme, porque os meus netos adoram aparecer! Nestes 19 anos da CARAS, o melhor que me aconteceu foi ter tido três netos. O mais velho, o Buga, tem 15 anos, e desde pequeno que dizia que, quando tivesse a minha altura, ia comigo aos Globos de Ouro. Já foi duas vezes e delirou! O meu neto Pedro tem 12 anos, estudou música, tem uma banda de rap, compõe músicas em inglês e quer ser o Justin Bieber. A Inês tem nove anos, é lindíssima, mas ninguém a conhece, porque o meu filho João, que é arquiteto, é completamente alheio a este mundo. O cor-de-rosa não tem nada de pejorativo: é uma cor bonita, intensa, com uma luminosi­dade extraordinária! Eu só tenho tido vantagens por ser conhecida. Não tenho telhados de vidro, a minha vida já foi exposta e vascu­lhada de uma ponta à outra... Acho que só será desagradável para pessoas que tenham uma vida dupla, que tenham vícios privados. Eu tenho a sorte de não ter vícios, como tal, não tenho problema nenhum em partilhar o que partilho: a beleza e o glamour. Tenho um lema muito simples que tenho seguido toda a vida: rodeia-te de coisas belas, mas, sobretudo, faz da tua vida um lugar de beleza.
– Foi algumas vezes capa da CARAS, mas houve uma que assinalou uma mudança na sua vida, e não foi só física...
Para mim foi o antes e o depois. Nunca me passou pela cabeça fazer televisão, ser comentadora de social, fazer teatro, participar em novelas ou séries de televisão. Quando fiz a capa da CARAS tudo mudou. O Emídio Rangel chegou a dizer-me que foi a fotografia mais vista de todos os tempos. Foi abertura de todos os telejornais, o país parou para ver a minha pele, o que era uma coisa absolutamente inédita.
– Ao longo destes 20 anos nunca assumiu uma relação!
É verdade. Tenho um defeito enorme: o que me atrai num homem é a sua beleza física, mas o interior deles não tem correspondido, pelo contrário. Tive desilusões, desgostos, muito sofrimento... Sou uma mulher de paixões. A paixão é um processo biológico que provoca reações químicas, tremuras, perda de sono, borboletas na barriga, ansiedades... É um estado de êxtase sublime, mas, no meu caso, que passei por situações degradantes, devastadoras e humilhantes, já percebi que um amor tranquilo é coisa que provavelmente não me vai acontecer.
– Completou este ano 70 anos...
E fui sozinha para o Brasil pela primeira vez. Durante 30 anos, festejei os meus anos em casa do barão Stefan von Breisky, com convidados do mundo inteiro. Infelizmente, ele deixou-nos, e eu deixei de festejar os anos. Este ano dei por mim a pensar: quantos mais Natais vou ter? Quantos mais pores-do-sol no Guincho vou ver? Quantos mais cappuccinos vou tomar? E pensei: estou de facto no fim da vida. O que é que me falta fazer? Nunca tinha viajado sozinha e decidi passar três semanas no Rio. Foram talvez as melhores férias da minha vida. Entretanto, já fui a uma agência pedir que me organizassem uma viagem à volta do mundo sem data de regresso, com estadia em hotéis de cinco estrelas, com tudo a que tenho direito. Porque antes de ter alguma doença ou de morrer falta-me fazer uma viagem fantástica à volta do mundo, pelo tempo que quiser. Graças a Deus, trabalhei para isso, será feita à minha custa, de maneira que talvez isso ainda me dê mais felicidade. E será um grande final para a minha vida. Um destes dias, o padre Borga dizia: ‘Pensam que é São Pedro, são José ou Deus Nosso Senhor que está no céu para vos receber? Não, é a Lili Caneças, porque ir para o céu é uma festa!’ Eu achei imensa graça. Acho que, de facto, quando morrer, vou organizar uma grande festa no céu para vos receber e esperar por todos aqueles que eu amo e que me amam a mim.

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