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Julio Iglesias, 19 anos depois: “Mantém-se a minha paixão pela vida”

O cantor espanhol, capa do n.º 1 da CARAS, volta a partilhar as suas emoções numa entrevista exclusiva.

Natalina de Almeida
8 de novembro de 2014, 14:00

Passaram 19 anos desde que Julio Iglesias foi capa do número 1 da CARAS, com uma entrevista dada a bordo do seu avião particular. Um bom pretexto para conversar com o cantor romântico espanhol, que fez um balanço destas mil semanas precisamente no dia em que celebrava 71 anos, durante uma digressão pelo Brasil. Uma conversa onde Julio fala dos seus quase 50 anos de carreira e da sua família, que inclui oito filhos: Chábeli, de 43 anos, Julio Iglesias Jr., de 41, Enrique, de 39, do seu casamento com Isabel Preysler, e Miguel Alejandro, de 17 anos, Rodrigo, de 15, as gémeas Cristina e Victoria, de 13, e Guillermo, de sete, da união com Miranda Rijnsburger, com quem se casou em 2010.
– Mil edições depois desta primeira capa, o que mudou na sua vida?
Julio Iglesias – Muitas coisas mudaram, porém, há duas que se mantêm: a minha paixão pela vida e o meu amor pelo público. Nesta data especial é uma honra e uma imensa alegria voltar a partilhar as minhas emoções com a CARAS. Muito obrigado por todo o carinho que me dedicaram durante estas mil edições. A CARAS destacou-se sempre pelo seu profissionalismo, a sua elegância, o seu bom gosto e respeito pela vida das pessoas que são publicadas nas suas páginas. São valores fundamentais e o facto de os manterem explica o vosso êxito. Muitas felicidades.
– Nessa primeira entrevista revelava-nos o seu maior desejo: ter um filho com Mi­randa. Hoje têm cinco filhos e estão casados. Ser pai de novo depois dos 50 anos mudou a sua vida?
– Ser pai quando estamos numa fase mais madura é diferente. E eu quis vivê-lo de modo diferente, no sentido de dedicar aos meus filhos com a Miranda mais tempo do que pude dedicar aos meus filhos mais velhos. Por isso, desde há um par de anos, a minha mulher e eu, com os meus cinco filhos, tornámo-nos um pouco nómadas. Viajamos continuamente entre as nossas casas de Marbella, Miami e Punta Cana, em função das minhas digressões, para conseguirmos passar juntos o máximo de tempo possível. Atualmente eles estudam em colégios de Miami, o que dificulta as viagens, mas mesmo assim passamos muito tempo juntos. Mas continuam a acompanhar-me quando podem. Penso que é importante conciliar os estudos com as viagens, porque a viajar aprende-se muito. É a melhor forma de descobrir o mundo, de o entender, de valorizar as coisas, de ver como vivem os outros.
– Porque é que escolheu Miami para viver?
– É uma cidade que nos oferece muitas oportunidades. Os meus filhos pequenos nasceram todos ali e são muito felizes com a sua vida em Miami. Também gostam de regressar a Espanha, onde passamos sempre o verão. As minhas raízes estão em Espanha e eles também têm um laço muito forte com o país, mas por terem crescido em Miami, Marbella e Punta Cana, são um pouco uma mescla de três mundos.
– Na nossa primeira edição confessava que nunca fora um bom pai. Hoje, com mais cinco filhos, tem outra opinião sobre esse assunto?
– Se ser bom pai é levar todos os dias os filhos à escola e ajudá-los a fazer os trabalhos de casa, pois, não faço nada disso. O que faço é conversar muito com os meus filhos, tentar descobrir o que os preocupa, guiá-los nas decisões mais importantes, fazer-lhes ver que são uns privilegiados e que devem valorizar o que têm. A minha mulher e eu queremos que estejam conscientes de que, infelizmente, nem todos têm uma infância feliz e que há pessoas que vivem quase do nada.
– Tem medo de não viver o suficiente para acompanhar os seus filhos mais novos?
– Não vivo com esse medo, porque os meus filhos têm uma mãe maravilhosa que os apoiará em tudo mesmo quando eu não estiver.
– De que modo prepara o futuro deles?
– A minha mulher e eu queremos que estudem, que se preparem para fazer o que realmente gostarem e que sejam competitivos. Tentamos dar-lhes uma boa educação e sobretudo incutir-lhes valores. Queremos que sejam pessoas honradas, respeitosas, boas, generosas. A minha mulher e os meus oito filhos são o pilar da minha vida.
– Como é a sua relação com os seus filhos?
– Os meus três filhos mais velhos já são independentes. A Chábeli tem dois filhos encantadores, o Julio Jr. casou-se há dois anos e o Enrique não para de trabalhar. Sinto-me muito orgulhoso deles. Apesar de não nos vermos com frequência, porque cada um tem a sua vida em distintos lugares do mundo, gostamos muito uns dos outros e isso é o mais importante. Com os meus filhos mais novos, tenho a relação normal de um pai com os seus filhos adolescentes. Tento estar o mais próximo deles que consigo.
– A rivalidade Julio-pai e Enrique-filho é um mito?
– Como é possível existir rivalidade entre pai e filho? Sinto-me encantado por tudo o que o meu filho conseguiu, graças ao seu esforço constante, à sua ambição e talento. É um campeão.
– E que tipo de avô é?
– Adoro os meus netos e gostaria muito que o Julio Jr. e o Enrique também me dessem netos, mas isso depende deles, de quando sentirem que chegou o momento. A família completa reúne-se essencialmente no Natal. Se eu não estiver em digressão, ficamos em Punta Cana e entre os meus filhos, os meus sobrinhos e os meus netos, a casa parece um jardim de infância [risos].
– Já disse que adora a sua mulher. No entanto, não deixou de ser um sedutor. Como lida a Miranda com esse lado do Julio?
– A minha mulher sabe que a amo e a nossa relação, que dura há quase 25 anos, está mais sólida do que nunca. Ela é o meu amor, a minha companheira, o meu apoio, o vento que me faz voar. Nunca me considerei um sedutor. Que existam pessoas que me considerem assim alegra-me, mas não acreditem em tudo que ouvem de mim neste aspeto.
– É fiel à sua mulher?
– Acredito que todos, homens e mulheres, em algum momento somos infiéis. Se vemos passar uma mulher atraente na rua e viramos a cabeça, de alguma forma estamos a ser infiéis. O importante é saber distinguir o amor de verdade de um flirt.
– Continua a ser um romântico incurável...
– Continuo a ser um apaixonado pela vida.
– Em que momento é que descobriu que Miranda era a mulher da sua vida?
– Senti-o no primeiro momento em que a vi, no aeroporto de Jacarta, em 1991. Simplesmente encontrámo-nos. Na altura viajámos os dois muito, a Miranda por ser modelo, e eu por causa dos meus concertos.
– Nessa primeira edição da CARAS deixou-se fotografar pela primeira vez a bordo do seu avião particular. Ainda o tem?
– Agora utilizo outro avião. Pode pen­sar-se que ter um avião privado é um capricho, mas, na realidade, para mim é uma necessidade e estou muito agradecido por poder tê-lo. São vocês, as pessoas que ouvem a minha música, que mo ofereceram. Dá-me uma liberdade total para as digressões e também para estar mais perto da minha família, pois sempre que tenho alguns dias livres entre concertos aproveito para estar com eles.
– O dinheiro tem hoje um papel diferente na sua vida?
– Nunca fui escravo do dinheiro. O dinheiro é importante, claro que é, mas é preciso termos consciência de que não compra tudo. Ajuda-nos a sermos bem tratados, quando estamos mal, a ajudar os outros, a não passar necessidades, mas nem todo o dinheiro do mundo basta para comprar tempo, por exemplo.
– Se pudesse parar o tempo, em que momento seria?
– Na verdade não o pararia em nenhum momento. A vida é como um filme. Se o paramos, não podemos saber o que vai acontecer, não podemos crescer.
– Mas existe algum período da sua vida, nestas mil semanas de que falamos, que desejaria que tivesse passado a correr?
– A vida tem sido muito generosa comigo. Felizmente não me aconteceu nada de tão dramático, nestes últimos 20 anos, para querer esquecê-lo. Acredito que se aprende sempre, sobretudo nos momentos mais difíceis da nossa vida, mas é importante não desistir. O momento mais dramático da minha vida foi, sem dúvida, o sequestro do meu pai.
– Olhando para trás, mudaria alguma coisa do que fez?
– Em geral, não gosto de olhar para o passado. O tempo é irreversível, qualquer possível arrependimento é tardio. Além disso, não podemos analisar certas decisões passadas sob a perspetiva de hoje. Importante é fazermos aquilo que sentimos e poder dizer, como na canção do grande Sinatra, I did it my way.
– Como cantor e cantautor, com milhões de discos vendidos no mundo, inúmeros prémios e uma carreira com mais de 45 anos, se tivesse que eleger o maior feito da sua vida, qual seria?
– Ter o amor dos outros. Não há palavras para agradecer o amor que nos podem dar de forma gratuita.
– A sua maneira de sentir o palco é muito diferente de há 19 anos?
– A emoção que se sente ao subir para o palco é tão intensa como no início. Quan­do começo a cantar e sinto a energia e o carinho do público, esqueço qualquer preocupação, sinto o sangue a correr-me pelas veias mais veloz do que nunca, sou feliz.
– O seu estilo sofreu alterações?
– Nós, os cantores, nascemos e morremos com um determinado estilo.
– E a voz? É a mesma de há 19 anos?
– Acredito sinceramente que melhorei como cantor. E não me refiro necessariamente à voz, pois sempre disse que não sou um cantor de uma grande voz. O que é mais importante é o estilo, a forma como transmitimos emoções.
– Como vê os seus 46 anos de carreira?
– Como um milagre. Os anos passaram tão depressa... Parece que foi ontem aquela final do Festival de Benidorm de 68. Sin­to-me um privilegiado e sei que nada disto teria sido possível sem o meu público.
– Nas suas entrevistas mais recentes disse algumas vezes que se preparava para deixar os concertos, recordo-me de a digressão que está a fazer no Brasil ter sido anunciada como a última. Pensa realmente abandonar os palcos?
– “Último” é uma palavra com grande peso e é melhor evitar essas palavras. A di­gressão que estou a fazer no Brasil é muito ampla – 13 concertos. Acho difícil que volte a fazer uma tournée tão extensa, mas isto não significa que abandone os palcos. Penso regressar ao Brasil, mas o mais provável é que seja para atuações pontuais.
– Quais são as melhores recordações que guarda das suas digressões?
– É uma mescla de sensações e sabores que me dão a oportunidade de viajar para tantos lugares, o contacto com o público, escutar as suas histórias, as suas alegrias, as suas tristezas.
– O que existe na sua música capaz de comunicar com pessoas tão diferentes?
– Paixão. A paixão é uma linguagem uni­versal, tal como o amor.
– Há algo que ainda lhe falte conquistar na sua carreira?
– É sempre bom ter metas, propormo-nos atingir algo. No dia em que pense que já nada há a conquistar, morri. E o que desejo, se a vida me der saúde e força, é continuar a cantar e a desfrutar da minha família.
– O que pensa fazer no dia em que definitivamente deixar os palcos?
– Espero que esse dia nunca chegue ou que esteja muito longe, porque não sei fazer outra coisa que não seja cantar.
– Podemos esperar voltar a ter um concerto de Julio Iglesias em Portugal?
– Adoraria voltar a Portugal. É um país que adoro e ao qual me unem tantas memórias... Quando me convidarem, será um prazer regressar.
– Que memórias são essas que guarda do nosso país?
– Acima de tudo, recordo que, sempre que estive em Portugal, senti-me em casa. Os portugueses são generosos, carinhosos, dedicados, apaixonados. E as praias são maravilhosas. Claro que também tenho recordações relacionadas com os concertos, os portugueses têm um dom especial para a música, vivem-na plenamente.
– Nas suas passagens pelo nosso país sei que algo o marcou especialmente...
– O nascimento da minha filha mais velha, Chábeli, no Estoril.
– Continua a sentir que nasce de novo todas as manhãs?
– Sim, e sinto-me agradecido por cada manhã que a vida me oferece.
– Qual é segredo para se manter jovem?
– A paixão pela vida e pela música.
– E o grande sonho da sua vida?
– Continuar a sonhar.

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