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Feliz no amor e no trabalho, Cuca Roseta confessa: “Agora posso respirar fundo”

 “A felicidade está em valorizarmos o que temos. Ser simples é ser mais feliz.”

Andreia Cardinali
27 de setembro de 2014, 10:00

Apaixonada pela música desde que se lembra de existir, Cuca Roseta, de 31 anos, iniciou a sua carreira há seis anos e nunca imaginou que teria este sucesso e que a sua voz ecoaria em diversos palcos do mundo. “Nunca criei expectativas de nada, sou uma apaixonada pela música e o meu principal objetivo é poder cantar sempre”, justificou a fadista. Hoje mantém a atitude e acredita que isso é que a torna “uma pessoa menos ambiciosa e mais feliz com o que a vida traz”.
A viver uma das suas fases mais plenas, já que encontrou o amor junto do preparador físico de futebol João Lapa e tem finalmente com o filho, Lopo, de seis anos, a família com que sempre sonhou, Cuca acredita: “Agora posso respirar fundo. Estar em casa dá-me uma paz sem descrição. O que vivemos em família é realmente muito perfeito.”
Prestes a gravar o seu terceiro álbum, com um produtor brasileiro, numa mistura de samba e fado, Cuca vive dias felizes, como nos contou nesta sessão fotográfica no CS Salgados Grande Hotel.
– Está a viver uma fase de muito sucesso. Como mantém os pés assentes na terra?
Cuca Roseta – Acho que os valores que recebi mantêm-se assim. E depois acredito que nunca sabemos tudo. Sou uma pessoa muito ligada à espiritualidade e acho que podemos ser sempre mais e melhor interiormente. O resto, a ‘casca’, acompanha esse crescimento. A felicidade está em valorizarmos o que temos, e não em compararmos a nossa vida à dos outros. Ser simples é ser mais feliz.
– Está a ser um ano em cheio com muitos concertos no estrangeiro... Como é que lida com isso enquanto mãe?
É muito mais duro para mim do que para o Lopo e tenho imensa sorte com o meu filho. Ele é muito independente e vem comigo para todo o lado. Não aguento estar longe dele mais do que quatro dias. Ou o levo comigo, ou venho-o buscar a meio da tournée. Esse é o meu limite e não o dele, aliás ele é que me tranquiliza sempre e diz para eu ter calma, porque já falta pouco para regressar. [Risos] Acho que o mais importante é o tempo de qualidade em que estamos com os filhos e eu, como sou também licenciada em Psicologia, sei que não há nada mais importante do que dar segurança e amor para que a criança seja confiante. No outro dia até me emocionei, porque fui à escola do Lopo e a diretora disse que eu era uma mãe incrível... O pai do Lopo vive no Brasil há muitos anos e ela estava a dizer que ele é a única criança da escola que tem os pais separados, mas diria que é a única que tem os pais juntos, porque é o miúdo mais confiante, líder e perfeccionista. Deu-me os parabéns... [Emociona-se] Faço um esforço gigantesco para estar presente com a vida que tenho...
– Isso quer dizer que nunca sentiu que é uma mãe pior para o Lopo por se dedicar tanto à sua carreira?
Não, de todo. Ando sempre numa luta a tentar ser a melhor mãe do mundo e todos os dias me sinto feliz pelo que consigo. É um esforço imenso o de estar a 100% na carreira, já que viajo pelo mundo, e conseguir que ele se sinta seguro quando vem comigo, mas também que não sinta a minha falta quando fica. Felizmente tem corrido tudo muito bem.
– Ser mãe ‘solteira’ faz com certeza com que tenham uma relação muito próxima e cúmplice...
Sem dúvida. Ele sempre se preocupou muito comigo e agora sente-se mais sereno com esta minha nova relação. Esta é a minha relação mais séria até aqui e acho que o Lopo até então tomava muito o lugar do homem da casa.
– É importante a opinião do Lopo sobre a sua relação com o João?
Muito. Mesmo. Desde que o Lopo nasceu só tive dois relacionamentos, um deles vivia na China e o outro em Madrid [risos], portanto, para mim esta é a primeira relação que tenho. Acho que realmente nada acontece por acaso e eu na altura lutava imenso com a distância e hoje em dia penso que ainda bem que assim foi, o facto de ter relações ao longe protegia sempre o Lopo. Achava que enquanto não fosse uma coisa segura nunca iria assumir completamente ao Lopo.
– Então, de certa forma, desde que foi mãe, esta é a primeira vez que tem uma família...
Exatamente. É a primeira vez que tenho uma família e que sinto que o Lopo sente o mesmo. Ele tem uma relação incrível com o João e sem dúvida que o João é o exemplo dele como figura paterna e masculina. Ainda no outro dia o Lopo chegou a casa e pediu um abraço de família. [Risos]
– E como é que o João lida com as suas responsabilidades profissionais?
Ele também viaja imenso devido ao trabalho que tem e acho que isso é bom para a paixão. Eu vou, depois vai ele, depois encontramo-nos e ele percebe muito bem o meu trabalho. Não fica com ciúmes e é uma pessoa muito confiante em si própria, e isso é muito importante.
– É fácil continuar a cantar o fado com tristeza numa fase tão feliz?
O fado fala de nostalgia, sentimento que faz parte de mim desde sempre. Não ligo o fado ao sofrimento, mas sim aos sentimentos. A melancolia faz parte, mas também a paixão, e acho que esta paixão e alegria me têm dado uma profundidade que ainda não tinha tido. Uma visão de esperança, mais positiva. Acho que a arte transforma a tristeza em beleza.
– Depois de ter feito um dueto de sucesso com o espanhol David Bisbal, prepara-se para gravar um álbum no Brasil...
Sim, e neste terceiro disco vou procurar dar um lado muito positivo que adquiri com as minhas experiências de vida. Ainda estou a escolher o repertório do produtor Nélson Mota, mas queremos ter um lado de Brasil e um lado de Portugal. Será, de certa forma, o fado misturado com o samba mais antigo, que também tem um lado melancólico e que era cantado mais devagar... É muito semelhante ao fado. E teremos sambas que todos conhecem, sempre cantados em fado. Também terei inéditos, escritos por grandes compositores portugueses e brasileiros.

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