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Livro recorda o caminho que levou Felipe e Letizia até ao trono

O jornalista espanhol José Apezarena passa em revista “dez intensos anos entre o dever, a família, as dificuldades e o amor”.

Redação CARAS
14 de setembro de 2014, 12:00

A 19 de junho de 2014 deu-se um facto absolutamente insólito na história recente da monarquia espanhola: a voluntária e livre decisão do rei de abdicar no seu filho, e a pacífica ascensão do seu filho ao trono. D. Juan Carlos I, o monarca que reinstalou a dinastia Borbón, que a estabeleceu e consolidou, dava assim passagem ao seu herdeiro, o príncipe Felipe, que desde esse dia foi proclamado rei de Espanha.” Assim começa a introdução de Felipe e Letizia – A Conquista do Trono, o novo livro do jornalista espanhol José Apezarena. Com um currículo vasto que inclui passagens por cargos de chefia e direção em jornais, revistas, rádios e agência de notícias do país vizinho, Apezarena foi fundador do jornal El Confidencial Digital e é atualmente diretor do grupo homónimo, que inclui publicações online como Monarquía Confidencial ou El Confidencial Autonómico. Considerado especialista em assuntos da família real, é autor de vários livros sobre o assunto, nomeadamente uma biografia de Felipe de Borbón publicada há 20 anos e uma série de 18 episódios e um documentário biográfico sobre o então príncipe das Astúrias, emitidos pela Telecinco. Agora editada no nosso país pela editora A Esfera dos Livros, esta obra de carácter biográfico e analítico sobre os novos reis de Espanha passa em revista “dez anos intensos entre o dever, a família, as dificuldades e o amor”. A CARAS apresenta em exclusivo excertos do livro em pré-publicação.
Noivado mudou o príncipe
Naquele dia apareceu um novo Felipe. O Felipe de Borbón que hoje conhecemos. Era o dia 3 de novembro de 2003. Pouco depois das seis e meia da tarde, no jardim da sua residência, erguida a umas centenas de metros do Palácio da Zarzuela, compareceu de mão dada com a sua noiva, a jornalista Letizia Ortiz Rocasolano, numa informal conferência de imprensa durante a qual se observou um príncipe diferente daquele que até esse momento se tinha revelado.
(...) Os jornalistas viram no semblante do príncipe uma expressão de alegria como nunca antes tinha transparecido. Transmitia uma profunda sensação de felicidade. Mas sobretudo deram-se conta do especial aprumo, tranquilidade e segurança que evidenciava.
Aquela primeira impressão, o aparecimento de um Felipe de Borbón diferente, muito mais adulto, completo como ser humano, madu­ro, seguro de si, foi‑se confirmando nos dias seguintes, e sobretudo consolidou‑se definitivamente ao longo destes anos. (...)
Nesse fim de tarde, vimo-lo feliz. E o mesmo aconteceu em datas posteriores: no casamento, no nascimento das filhas... A ausência de empertigamento artificial, a flexibilidade, o mover‑se livremente e a capacidade de rir mantiveram‑se e consolidaram‑se desde então.
Retrato de Felipe
Quando está sério, apresenta uma expressão dura, austera, distante, que impõe respeito (...). Mas essa imagem hierática desaparece quando sorri: o rosto torna‑se quase infantil e até doce. (...) Sorri com frequência e isso salva‑o. Quando ri, fá-lo abertamente, com força, sem dissimulação (...).
Ama o seu país com força. “Creio que pela Espanha nenhum sacrifício é demasiado grande”, declarou em determinada ocasião. E pensa que tem de se manter a unidade: “Defender a unidade de Espanha é um dever permanente de todo o espanhol, e eu cumpri-lo-ei sempre.” Conhece a história do seu país como poucos e sente orgulho dela.
(...) É sensível: fica incomodado quando vê imagens de catástrofes e, quando visitou um desses lugares, teve de fazer das tripas coração. Ouve, observa, estuda, pede documentos. (...) A Internet e a CNN acompanham‑no de madrugada. Está sempre a tomar notas; depois, desenvolve‑as. Toca e retoca os discursos que lhe escrevem: risca, acrescenta, põe mais acima ou mais abaixo. Nas suas intervenções abunda a palavra ‘solidariedade’. Nunca se precipita, elabora muito os argumentos. Perante uma questão complicada, para, pondera e determina. (...)
Dorminhoco e bom dançarino
A condição de dorminhoco perseguiu‑o desde a infância. (...) É uma coisa que Felipe reconhece sem problemas. “De manhã não sou gente – afirmou. – Peço que me organizem as coisas de preferência à tarde e à noite. Trabalho melhor à noite: fico até às duas da madrugada, não há chamadas telefónicas...”
(...) No que diz respeito à culinária, prefere as comidas simples, de colher, com especial predileção pela feijoada asturiana (...). Não frequenta os grandes restaurantes, prefere estabelecimentos mais normais (...).
Mantém‑se em boa forma, faz desporto todos os dias. As suas preferências de sempre têm sido a vela, que agora faz menos, e o esqui, que pratica com mais frequência, em Baqueira Beret e na Serra Nevada, muitas vezes com Letizia e com as duas infantas, e outras apenas com os seus amigos, como fez em meados de janeiro de 2014 nos Pirenéus aragoneses.
Tal como a mãe, é um ótimo dançarino. (...) Na festa de casamento do herdeiro da Jordânia (...) Felipe demonstrou um conhecimento ‘espetacular’ dessas danças latino‑ame­ricanas. “Dança espetacularmente a salsa e também dança muito bem o samba”, comentou Nohra, a mulher do presidente colombiano Andres Pastrana. “É muito animado”, diziam outros. E não faltou quem se confessasse “alucinado com o ritmo que imprimiu às ancas”.
Em numerosas ocasiões, Felipe viu‑se no­meado entre as pessoas mais elegantes, a nível nacional e internacional. Muito cedo a People o incluiu entre as cinquenta pessoas, homens e mulheres, mais elegantes (...).
Em abril de 2005, a revista Squire, uma referência do estilo masculino nos Estados Unidos colocou‑o entre as vinte pessoas com melhor aparência do mundo, inclusive comparando‑o a James Bond. Um homem, dizia, moderno e com um físico de galã de Hollywood, discreto mas com personalidade. E em 2010, o Club de Sastres designou‑o o homem mais elegante de Espanha.
Amor e responsabilidade
No mês de maio de 2004, apenas duas noites antes do casamento com Letizia, Felipe falou ao telefone com Pilar Urbano (...). Nessa altura, o príncipe explicou à jornalista que se tinham dado duas escolhas: “Eu escolhi‑a a ela e ela escolheu‑me a mim.” E acrescentou depois: “Mas se o meu pai me tivesse dito que não, teria renunciado a Letizia, embora se tivesse aberto a terra sob os meus pés e sido o homem mais infeliz do mundo. Pode parecer presunçoso, mas talvez seja o único espanhol que tenha nascido com um destino, o de reinar, e não o fazer por um desejo do meu coração seria uma traição.”
Quando anunciou aos reis a sua intenção de contrair matrimónio com Letizia, perante as dúvidas que as suas circunstâncias pessoais poderiam suscitar, nomeadamente o facto de esta ser jornalista e divorciada, Felipe pediu, aos seus pais e a todo o país, um “voto de confiança” para ele e para a sua escolha. Disse que “se todos afirmam que sou uma pessoa com preparação e critério, bem formado, responsável e autónomo, então devem confiar que a decisão que tomo ao casar‑me com Letizia é acertada (...)”.
Retrato de Letizia
Meticulosa, perfeccionista, arriscada, curiosa, inquietante, sedutora, teimosa, nervosa, faladora, calculista, vaidosa e elegante. Todos estes adjetivos foram utilizados pelos seus colegas de trabalho para tentar definir ou pelo menos descrever Letizia. E ainda um outro: conscientemente ambiciosa. Faltam ainda alguns: jornalista por vocação, obsessiva com o trabalho, atenta, com uma franqueza que por vezes pode ser cortante (...).
É controladora, enérgica, de carácter firme e até duro, sobretudo consigo própria, o que lhe conferiu a imagem de uma pessoa fria e distante, que a prejudica. Custa‑lhe dissi­mular e aparentar, e nota‑se quando não está satisfeita. Poucas vezes consegue aparecer como sendo uma pessoa espontânea, próxima das pessoas e afetuosa.
(...) É bastante madrugadora. Toma um duche rápido e veste‑se, toma o pequeno‑al­moço e lê os jornais. Antes de se casar não fazia ginástica, embora adore nadar. Agora faz exercícios de musculação com frequência.
Faz desporto quase diariamente. Sempre que pode, e costuma ser com frequência, vai ao ginásio do palácio (...). Dá no duro, como se costuma dizer. Várias vezes por se­mana trabalha com um treinador pessoal, com quem costuma praticar pesos e Pilates, disciplina que a ajuda a manter‑se em forma e a melhorar a postura.
Os cuidados com a imagem
Desde a sua primeira aparição pública como namorada e noiva do príncipe, em novembro de 2003, até agora, produziu‑se em Letizia uma notável transformação externa, sobretudo no rosto, mas não só. Foi uma mudança física que se pode notar quando se comparam as imagens dessa altura com as de agora.
Surgiu, por exemplo, uma mulher mais segura de si própria, bem adaptada à sua condição e papel social, mais madura, mas também com um novo rosto. A jovem apresentadora de nariz aquilino e queixo pronunciado, que lhe davam um aspeto mais duro, deu lugar a uma pessoa com traços harmoniosos, esculpidos para serem fotogénicos. Isto é fruto sobretudo da única operação que se conhece oficialmente: uma intervenção ao nariz realizada em agosto de 2008 (...).
(...) Não vai a grandes salões de beleza mas à mesma cabeleireira e maquilhadora que tratava dela na TVE. Também não gosta de exigir joias luxuosas, mesmo nas grandes ocasiões, e no dia-a-dia costuma usar os anéis que o príncipe lhe ofereceu: o do compromisso e outro de um aniversário.
Anorexia ou genética?
Letizia é de constituição magra, tal como a sua mãe e irmãs. Os seus braços são muito magros e, sempre que pode, cobre‑os. Nos primeiros anos de casamento com o príncipe, e talvez por causa do stress da sua vida, pareceu intensificar‑se mais essa impressão, até ao ponto em que chegou a dizer‑se e a publicar‑se, em alguns meios de comunicação internacionais, que padecia de anorexia.
(...) A Casa do Rei enviou ao jornal El Mundo um desmentido, negando que Letizia sofresse dessa doença (...). Dizia que era “absolutamente falso” que padecesse desse mal (...). Não obstante, acrescentava‑se que, apesar de Letizia estar “magríssima”, a sua constituição genética, tal como a das suas irmãs, era assim mesmo. “A princesa não se cansa de repetir que come de tudo e em quantidades generosas (...).”
A morte de Érika Ortiz
Desde pequenas, Letizia e as suas irmãs Telma e Érika, mais novas do que ela, constituíam uma unidade indissolúvel.
(...) A 7 de fevereiro de 2007, quarta‑feira, Letizia recebeu a pior notícia da sua vida: a sua irmã Érika, de 31 anos, tinha sido encontrada morta na sua casa (...), e tudo parecia indicar que tinha sido suicídio.
(...) A tragédia comoveu também uma boa parte da sociedade, que, além de se solidarizar com o seu sofrimento, admirou a integridade com que Letizia tinha enfrentado a desgraça. Escreveu‑se que tinha aprovado cum laude “o exame lutuoso da triste despedida,… momento em que enfrentou com enorme dignidade a tragédia familiar (...). O país compreendeu que a dor perante a perda de um ente querido é o mais comum de todos os sentimentos humanos e, sem dúvida, o mais real. (...) Agora, as princesas também choram”.
Rumores de crise no casamento
(...) Letizia tem pugnado por conservar um espaço próprio de intimidade e até de solidão. Por isso, e sem avisar ninguém de antemão, tem assistido a concertos, ido às compras e ido jantar com as amigas, sem o príncipe. Tem sido uma luta por ter um espaço próprio no qual pode recuperar energias e mesmo descansar da tensão das obrigações oficiais. Em princípio, Felipe está de acordo em que assim seja, segundo se afirma em La Zarzuela.
(...) No final de 2011, e sobretudo em 2012, falou‑se de problemas no matrimónio com as famosas saídas a sós, e depois de aparecerem fotografias de um e de outro indo separadamente ao cinema, indo comer ou jantar com os seus respetivos grupos de amigos. (...)
As diferenças de carácter entre um e outro afloraram externamente numa ou noutra ocasião. (...)
Uma delas aconteceu durante a já mencionada viagem de Felipe e Letizia a Roma para assistir à inauguração do pontificado do Papa Francisco, em março de 2013. Foi oferecida uma receção na Embaixada de Espanha na Santa Sé. Segundo o relato de testemunhas presentes, Letizia mantinha‑se sozinha, sem falar com ninguém, a olhar para o telemóvel e aparentemente a ler e a mandar mensagens, até que se encontrou com uma jornalista que conhecia de antigamente e com quem ficou a conversar um bom bocado. Aproximou‑se dela um assessor dos príncipes para lhe dizer que a esperavam noutros grupos de convidados, e recebeu uma resposta desabrida: ‘Estou a falar com...’ Ao fim de algum tempo chegou Felipe. Ouviu que, nesse momento, Letizia se estava a queixar dos sapatos, de que não podia aguentá‑los mais... E exclamou, em tom de poucos amigos: ‘Se quiseres, empresto‑te os meus!’
(...) No regresso do verão de 2013, perce­beu‑se que as coisas com Letizia tinham começado a ser distintas. Pessoas de La Zarzuela deram a entender então que tinha havido uma mudança de atitude da sua parte, depois de lhe terem explicado os inconvenientes das suas ações, e argumentado que, pela sua posição, não podia assistir a determinados concertos, além de já não ter idade para isso. Ela tinha entendido e tinha‑se mostrado disposta a retificar, acrescentavam.
A prioridade são as filhas
O facto de as filhas serem a sua prioridade é assumido em La Zarzuela, onde, a propósito da sua agenda de trabalho, se afirma:
“A agenda oficial apenas se viu interrompida pelo nascimento das infantas Leonor e Sofía, cuja educação passou a ser a primeira prioridade da princesa. D. Letizia ocupa‑se diariamente das suas filhas e procura compatibilizar as suas tarefas como mãe com o apoio ao príncipe Felipe nos atos oficiais em que tal se torna necessário.”
Felipe e Letizia já repetiram várias vezes que se propuseram ser “os melhores pais” para as suas duas filhas. Com efeito, desde o nascimento das infantas ambos alteraram muito os seus costumes para poderem passar tempo com as meninas. Ocupam‑se diariamente delas. Felipe leva‑as a Rosales todas as manhãs que pode, e à tarde procurava estar em casa à hora do banho, e agora à hora do jantar. Mantém‑se a par das suas trajetórias escolares e participa nas atividades organizadas pela escola em que é pedida a presença dos pais dos alunos.
(...) Há em La Zarzuela quem contradiga a versão, comummente aceite, de que é Letizia quem se empenha em ‘proteger’, até excessivamente, as filhas. De acordo com essas pessoas, na realidade quem põe mais interesse em salvaguardar o mais possível a privacidade e a normalidade das meninas é Felipe; entre outras coisas, porque ele sabe, por experiência própria, ao que estão expostas.
O caso Urdangarín
(...) A imputação do marido da infanta Cristina por numerosos delitos económicos, que, além do mais, conduziu à insólita situação de ver uma infanta de Espanha, sétima na ordem de sucessão da Coroa, prestar declarações diante de um juiz por fraude fiscal e branqueamento de capitais. Um autêntico terramoto político e mediático que deixou a tremer a estrutura da monarquia.
Felipe pensa (...) que a monarquia só tem sentido se é útil e ética. Por isso, quando estalou o caso Urdangarín, em novembro de 2011, optou por romper radical e totalmente com o cunhado, apesar de durante bastante tempo os ter unido uma boa amizade, e de, pela idade e gostos, terem simpatizado especialmente. (...)
Dizem ser ele o principal impulsionador das rigorosas medidas adotadas na Zarzuela para estabelecer um ‘corta‑fogo’ que minimizasse as consequências do escândalo. Entre elas, o comentário do chefe da Casa, Rafael Spottorno, a 12 de dezembro de 2011, qualificando de ‘pouco exemplar’ o comportamento de Iñaki Urdangarín. (...)
Atribui‑se também a Felipe a decisão de afastar os duques de Palma da atividade da Casa. Pôs o seu conceito de uma monarquia sem mácula “acima do amor pela irmã”.
A caçada no Botsuana
Os rumores de distanciamento, e mesmo desavenças, entre D. Juan Carlos e D. Sofía vinham de trás, mas foram‑se acentuando nos últimos anos. Não se desconhecia que D. Juan Carlos passava grande parte dos fins de semana em Barcelona (...), ou caçando em coutadas espanholas e fora de Espanha, sobretudo em África. E que D. Sofía viajava cada vez mais a Londres, para curar a solidão junto da família do irmão Constantino. Além disso, a rainha voltava‑se para projetos de cooperação internacional (...) que a levavam a viajar com frequência.
(...) No dia 13 de abril de 2013, uma sex­ta‑feira, D. Juan Carlos chegou de surpresa a Madrid, num voo privado de oito horas, proveniente do Botsuana, onde acabava de sofrer uma fratura da anca depois de cair no acampamento de caça onde se encontrava durante a sua participação num safari. No sábado (...), a Casa do Rei difundia uma nota dando conta de que o monarca acabava de ser submetido a uma intervenção cirúrgica(...). A operação, a quinta desde 1985, implicaria o internamento do rei durante dez dias e, a seguir, uma imobilização total de pelo menos 45 dias. Foi anunciado que Felipe e Letizia assumiriam os atos da agenda do monarca (...).
O inesperado acontecimento provocou uma grande surpresa no país. Em primeiro lugar, porque se desconhecia que o rei se encontrava fora de Espanha. Em segundo lugar, porque participava numa caríssima caçada de elefantes. E em terceiro lugar, e principalmente, segundo se veio a saber depois, pela companhia em que se encontrava e o nome, em concreto, de Corinna zu Sayn‑Wittgenstein. (...) Acabava de rebentar uma nova tempestade na Casa Real, de grandes dimensões, e cujas consequências ainda não estão completamente definidas.
D. Sofía encontrava‑se em Atenas, celebrando com a família a Páscoa ortodoxa, que se comemora uma semana depois da católica  (...). Optou por não regressar para junto do marido (...). Só na segunda‑feira se dirigiu à Clínica de San José, onde esteve apenas meia hora e não chegou a ver o rei. (...) Tão evidente demora no regresso e a pouca duração da visita não passaram despercebidas. Interpretaram‑se com um protesto silencioso da rainha pelo comportamento do marido.
No entanto, para alguns, aquela viagem ao Botsuana tinha sido, na realidade, uma despedida de D. Juan Carlos. Atribui‑se a uma das pessoas mais próximas do rei esta consideração: “Corinna não foi o grande amor da vida dele, mas o último.”
(...) A 18 de abril de 2012, D. Juan Carlos protagonizou um gesto sem precedentes: pediu publicamente perdão pelo assunto do safari. Quando abandonava a Clínica de San José, assim que saiu do quarto, num corredor, dirigiu‑se a uma câmara de televisão que o esperava e declarou: “Sinto muito. Cometi um erro e não voltará a acontecer.”
A subida ao trono
(...) A tormenta que assola a monarquia por causa do caso Urdangarín, o caso grave da viagem do rei ao Botsuana, o aumento dos protestos e das críticas na rua, a crescente atividade dos partidos e grupos partidários da república, as doenças do pai, testaram, nestes tempos, a capacidade de resistência de Felipe.
Em mais de uma ocasião transmitiu, para quem quisesse ouvir, uma mensagem: ‘Não estou à espera. Certamente que dia a dia vou‑me preparando para exercer, mas não me sinto à espera. Vou fazendo as coisas que me solicitam, mas também vou acrescentando feitos de forma flexível. Sou, por exemplo, como um tenente‑coronel que está comodamente no seu posto, dá‑lhe sentido e desempenha as suas funções. Se calhar um dia é promovido a general, mas entretanto faz o melhor que pode’.
(...) Felipe não tinha pressa. E não daria um único passo para substituir o seu pai, entre outras coisas pela lealdade absoluta que tem com ele e por respeito à sua figura. Não obstante, enquanto isso, preparava‑se para o momento da mudança, que acabou por chegar a 22 de maio de 2014.

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