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Benedita Pereira: “Tenho vivido um turbilhão de emoções”

A viver há seis anos em Nova Iorque, a atriz esteve dois meses no nosso país.

Andreia Cardinali
4 de outubro de 2014, 14:00

Há seis anos, desde que se mudou para Nova Iorque, que Benedita Pereira não passava uma temporada tão grande no nosso país como a deste verão. É que a atriz aproveitou a sua vinda habitual, para rever família e amigos, e está a gravar a próxima nove­la da SIC, Mar Salgado. Nos Estados Unidos ficou o marido, David Quinta, com quem tem partilhado esta aventura inter­nacional. Feliz com os dias que passou em Portugal e com a possibilidade de voltar a participar numa novela, Benedita confessou que também já tem saudades da sua ‘vida america­na’, à qual regressará daqui a uns dias. Antes disso, conversou com a CARAS sobre o caminho que tem percorrido desde que decidiu ganhar asas e voar.
– Como tem sido esta aventu­ra em Nova Iorque?
Benedita Pereira – Está a ser bom, uma verdadeira montanha russa, como eu gosto. Desde que fui passei por diversas fases: de estudar, trabalhar, fazer audições, ter um agente, ter outro, estar sozinha, levar o meu marido para lá... [risos] Tem sido uma vida inteira.
– A vida profissional lá é muito diferente da de cá...
Sim. A imensidão de possibilidades é o que mais me fascina e acho que foi isso que me fez ir para lá. Em Portugal acabamos por estar mais ou menos a trabalhar sempre com as mesmas pessoas e lá posso trabalhar com pessoas de culturas e escolas diferentes. A televisão, o cinema e o teatro são indústrias, o que os torna diferentes do meio cá.
– De certa forma, não se torna mais descartável?
Sou uma em milhões e aqui nunca senti isso... Mas isso também me dá um certo gozo. Tem aspetos positivos e negativos.
– Acredita que esta mudança a tornou mais madura do que se tivesse ficado por cá?
Sem dúvida. Não sei que mulher seria se tivesse ficado cá, mas tenho a certeza de que sou uma mulher e atriz muito mais densa e profunda porque vivi o que vivi, porque escolhi este caminho. Tenho uma bagagem que não teria se estivesse aqui.
– Como gere a sua vida lá, nas alturas em que não tem trabalho? Como se sustenta?
Sempre fui muito cuidadosa com dinheiros e poupei muito cá, e lá, quando se trabalha, também se ganha mais do que aqui. Depois, o meu marido também trabalha lá e isso facilitou muito as coisas. Claro que também não sou mulher de ficar em casa e estou sempre à procura da próxima coisa para fazer. Procuro muito as coisas que quero fazer por prazer e não tanto por dinheiro.
– Tem feito sobretudo teatro...
Sim. Há muitos géneros de teatro, mais avant-garde, comercial, experimental e eu tenho uma professora russa que me deixou o ‘bichinho’ por fazer coisas diferentes. É uma coisa que me dá muito prazer. A última peça que fiz éramos oito pessoas diferentes de cada parte do mundo e acho isso muito interessante. São experiências que aqui seriam muito difíceis de ter. 
– Já se sente a viver o chama­do ‘sonho americano’?
Sim. Devagarinho, vou criando uma rede de contactos de pessoas que me chamam e sinto que isso está a aumentar. Já fiz audições daquilo que eu chamo a ‘liga A’ e já estive muito perto de entrar. Devagarinho acho que chegarei lá.
– Como lida com as recusas?
Oh, já nem me chateia. Há coisas que queremos mesmo fazer e já estive várias vezes na última fase e aí custa. Mas tento não pensar muito nisso. Ninguém liga a dizer que ‘não’, ficamos sem saber... Criei uma certa resistência, mas a ansiedade vive sempre comigo, já é minha amiga [risos].

– E como lida com as fases de mais saudades da família e dos amigos?
É compli­cado e de fac­to é deles que eu sinto mais falta. Lá também tenho muitos amigos e até parece que tenho uma vida dupla... Enquanto estou lá tento não pensar no que estou a perder cá. Consigo separar bem as coisas. Claro que sinto muita falta dos meus pais e faz-me confusão estar longe dos meus sobrinhos e não os ver crescer, mas faz parte...
– E agora que já cá está há dois meses não sente saudades da sua vida de Nova Iorque?
Claro que sinto. Mas acho que me fez bem, deu para estar com toda a gente, trabalhar... Mas está a ser um momento de reflexão, de balanço... Acho que se fizesse algo deste género de vez em quando me faria muito bem.
– Esta fase não a fez equacio­nar o regresso?
É uma coisa que me passa pela cabeça de mês a mês. E uma das razões que me trouxe era a vontade de sentir como é que as coisas estão. Não sei o que sinto neste momento... Foi muito positivo estar cá a trabalhar e vou levar todas estas experiências comigo e pensar muito nelas.
– Deve ter sido bom rever os colegas e as equipas...
Estava muito ansiosa por começar. Sempre me dei bem a trabalhar e fui muito feliz aqui. Tem sido estranho. Por um lado senti que já não sabia fazer isto, por outro senti que era tudo muito familiar. Já não representava em português há anos... Tenho vivido um turbilhão de emoções. Sentir que as pessoas gostam de estar comigo tem-me aquecido o coração. Tive momen­tos tão bons que me vai fazer confusão ir embora, mas também tenho de regressar à minha vida, da qual tenho saudades.
– O seu marido ficou lá. É preciso ter alguém ao lado que entenda estas ‘andanças’...
Ele atura-me nestas coisas e sei que não é fácil estar ao lado de alguém como eu. O ego de um ator é sempre posto em causa, vivemos muitas inseguranças e temos de andar de um lado para o outro...  Não é fácil e acho que talvez já lá não estivesse se ele não estivesse também. A verdade é que o meu marido é o primeiro a apoiar-me em tudo. Achou lindamente a minha vinda.
– Ao contrário do que é comum na sua geração, casou-se mais cedo do que o habitual...
E eu era aquela que dizia que não ia casar [risos]. Não sei porquê, mas fez todo o sentido. Acho que o facto de ter ido para fora acelerou o processo, pois queríamos estar juntos nisto.
– Tem planos para ser mãe ou para já está focada na carreira?
Sim, para já estou focada na minha carreira. Não tenho pressa!

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