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Sophia Bergqvist: “Assim como o vinho, sou uma boa mistura”

Sophia Bergqvist, de 54 anos, gere a Quinta de La Rosa, no Pinhão, onde a filha mais velha, Eleanor, se lhe juntou para um fim de semana de cumplicidade que a CARAS testemunhou.

Redação CARAS
20 de setembro de 2014, 18:00

Em pleno coração do Alto Douro Vinhateiro, perto do Pinhão, a Quinta de La Rosa é um verdadeiro álbum de memórias de família que nos foram reveladas pela inglesa Sophia Bergqvist, de 54 anos, a atual responsável pela gestão da propriedade vitivinícola, que hoje está também aberta ao turismo. Sophia começou por ajudar o pai, Tim Bergqvist, mas, como explica, “a idade já começa a pesar e ele agora passa mais tempo em Inglaterra”.
Consciente da importância de estar presente, até porque a quinta, além da hotelaria, compreende 11 vinhas, distribuídas por 55 hectares, e produz também azeite, Sophia passa longas temporadas no nosso país, apesar de manter as bases em Inglaterra, onde o marido, Philip Weaver, é advogado, e os dois filhos mais novos, Kit e Mark, estudam. A mais velha, Eleanor, de 22 anos, está a tirar uma especialização em Marketing na África do Sul, mas numa pausa viajou até ao Douro onde, ao lado da mãe, posou para a CARAS, quando esta partilhou connosco parte de uma história familiar que cruza ascendências bem distintas.
– A Quinta de La Rosa está na sua família desde o início do século XX. Quer contar-nos um pouco da história?
Sophia Bergqvist – Esta quin­ta foi dada como presente de batismo à minha avó Claire Feuerheerd em 1906. O meu bisavô tinha uma empresa de vinhos do Porto, a Feuerheerd, desde o século XIX, que foi à falência nos anos 30 por causa da grande crise mundial. Ele vendeu a empresa, mas felizmente a quinta ficou na nossa família, por a ter oferecido antes à minha avó.
– Nasceu em Inglaterra, mas o seu apelido e algumas fotogra­fias expostas nas paredes acusam outras ascendências...
– Costumo dizer que, assim como o vinho, sou uma boa mistura. O meu bisavô era alemão, o meu avô tinha origem sueca e ainda tenho ascendentes franceses, mas a minha mãe é inglesa. Sou inglesa, mas o meu coração está nos dois lados, pois gosto muito de Portugal, sobretudo do Douro!
– Tem dupla nacionalidade?
– Não tenho porque não preciso, mas o meu filho do meio nasceu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.  
– Foi quando viveu em Sintra?
Sim, o meu marido é advo­gado e trabalhou numa empresa em Lisboa. Ficámos quatro anos, mas ele quis voltar para Inglaterra, até porque é difícil encontrar um bom trabalho aqui. Voltámos para Inglaterra, mas eu continuo com um pé em cada país. Todos os meses regresso a Portugal e passo todos os verões no Douro.
– E faz questão de falar português...
– Com muita pronúncia, para grande vergonha minha. Nunca cheguei a aprender português em jovem, porque nessa época, por causa da Revolução, era muito complicado. Já os meus filhos aprenderam logo e falam português com sotaque de Mem Martins, por causa da nossa empregada.
– Tem tido a companhia da sua filha Eleanor. Como é a vossa relação?
– Acho que tenho muita sorte. Para mim, a minha filha é uma grande amiga, tem mais paciência do que eu e andamos muito bem juntas.
Eleanor – Há pouco tem­po fomos viajar as duas e foi muito bom. A minha mãe também costuma ir a jantares com as minhas amigas e até nos esquecemos que é a minha mãe. Confio muito nela!
– Tem orgulho na sua mãe?
– A minha mãe é a pedra de base e está aqui para tudo. Não me imagino a viver sem ela!
– Poderá vir a suceder-lhe na gestão da Quinta de La Rosa?
– [risos] Acho que terei que esperar uns 20 anos para trabalhar aqui. Estou agora a fazer uma especialização em Marketing na África do Sul e depois quero trabalhar noutras empresas antes de vir para cá.
Sophia – Espero que ela tome esse lugar, mas devagar!

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