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Manoel Carlos despede-se da televisão após 60 anos no ar

O autor brasileiro, de 81 anos, já tem projetos para as férias que vai tirar. Viajar, assistir a concertos e espetáculos de ‘ballet’, ler e ouvir música fazem parte dos seus planos.

Redação CARAS
9 de setembro de 2014, 10:35

Após o último episódio da novela Em Fa­mília, que foi para o ar no Brasil no dia 18 de julho, Manoel Carlos encerra, assim, um ciclo enquanto autor de novelas. E apesar das críticas menos favoráveis no caso deste último trabalho, Manoel sente-se satisfeito e garante que nunca baixou os seus padrões de exigência. “Amo a televisão e talvez seja a pessoa que há mais tempo escreve para este meio. Faço isto desde 1951, mas realmente prefiro parar enquanto tenho condições de o fazer. Mas não me desejo aposentar, quero escrever outras obras e tenho minisséries prontas”, explicou o autor em entrevista à revista CARAS Brasil, ao lado da neta, Sofia, de 13 anos, e de Beth Almeida, a sua mulher e companheira há 35 anos. “No começo da nossa vida de casados, a Beth lia todos os capítulos antes de enviá-los para a emissora. Com a chegada dos nossos filhos, Júlia e Pedro, ela cuidou muito deles. E hoje em dia ainda me ajuda, porque quando escrevo uma novela fico um pouco distante do dia-a-dia da casa”, explicou o autor. O segredo da felicidade conjugal? “O relacionamento tem dificuldades, como o de qualquer casal, mas sobrevive porque existe um grande laço de amor, compreensão, tolerância e um perdão permanente”, destaca Manoel. O autor é ainda pai de Maria Carolina, de 44 anos, da união com Cindinha Campos, que trabalha como colaboradora nos textos dele há quase 20 anos. Teve outros dois filhos de um primeiro casamento: Ricardo, que morreu aos 32 anos, em 1988, e Manoel, que também morreu, há dois anos, quando tinha 58.
– Como é o seu processo de trabalho?
– Nunca tive um, o meu processo de traba­lho é um caos. Escrevo para a televisão há mais de 60 anos sem planeamento. Não tenho muita disciplina, porque sou fruto da televisão ao vivo, onde tudo era feito de improviso.
– Como superou a perda dos seus filhos mais velhos?
– É difícil e absolutamente intransponível como emoção. Acredito que nada se iguale a isso. Quando acontece, até podemos parar de chorar, mas nunca de sangrar. A dor é permanente. Na idade em que estou, já perdi quase todos os meus melhores e primeiros amigos. Assim, nestas mais de seis décadas em que trabalho na televisão, tudo me marcou, porque foram experiências boas. Sinto muitas saudades, mesmo dos meus amigos e colegas que já morreram.
– Agora vai de férias ou vai começar algum trabalho?
– Vou viajar. Nestes períodos gosto de morar noutros lugares, vou muito ao cinema, ao teatro, leio bastante, ouço música, vou a concertos, não perco um espetáculo de ballet, ocupo bem o meu tempo.
– Com o fim deste ciclo de protagonistas chamadas Helena, pode finalmente revelar: o nome não foi realmente de uma pessoa especial da sua vida?
– Muitas pessoas disseram que era o grande amor da minha vida, a minha mãe, ou irmã, ou mulher... Lamento desapontar, mas não foi nada disso. Gosto de mitologia e desde muito jovem admirei a personagem de Helena de Tróia. Adaptei ainda o romance Helena, de Machado de Assis, para a televisão nos anos 50. Sempre achei um nome mais de personagem do que de pessoa real. Tive duas filhas, tenho três netas, e nenhuma é Helena. Agora fechei o ciclo com a Julia Lemmertz, já que a mãe dela, Lilian Lemmertz, além de ter sido a primeira Helena, foi uma grande amiga e a ela devo muito o perfil destas personagens.

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