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Joana de Sousa Cardoso acaba tratamentos: “Nunca vou conseguir recuperar totalmente o que perdi”

Depois de ter lutado contra o cancro da mama, a arquiteta terminou os tratamentos, mas terá de ser vigiada para o resto da sua vida. Apaixonada, está ansiosa por viver esta nova fase.

Andreia Cardinali
20 de setembro de 2014, 12:00

Sete anos depois de lhe ter sido diagnosticado cancro da mama, Joana de Sousa Cardoso, de 32 anos, pode finalmente respirar de alívio. Apesar de ter de continuar a ser vigiada, a arquiteta já terminou todos os tratamentos e pode agora levar uma vida normal, sem medicação nem idas regulares ao hospital. Uma boa razão para se sentir feliz, a somar ao facto de ter voltado a encontrar o amor, junto do personal trainer Amâncio Santos, de 37 anos. Joana garante que estes anos a mudaram e que jamais os esquecerá. A seu lado em todos os momentos teve o filho, Afonso, fruto do seu casamento com Mico da Câmara Pereira.
– Agora já se pode dizer que está livre do cancro?
Joana de Sousa Cardoso – Infe­lizmente é uma frase que nunca podemos dizer, serei sempre uma pessoa de risco. Agora farei um controlo mais espaçado, sem a lembrança diária de um tratamento que fiz até aqui. Quando comecei a fazer este tratamento via oral, há cinco anos, só pensava o que seria da minha vida até lá... E agora já aqui estou. A vida dá tantas voltas... Estava longe de achar o que ia ser a minha vida. Estava previsto terminar o tratamento agora, tive alguns sustos e percalços pelo meio, mas é mesmo assim... Agora é esperar que nunca mais volte. A ideia seria esquecer isto para sempre, mas não dá, terei de ser vigiada regularmente e as mazelas que ficaram, físicas e psicológicas, também não deixam que isso aconteça. Agora é esperar que o meu cabelo cresça com mais vitalidade, que volte ao meu peso normal...
– Está desejosa de chegar aí...
Muito. Embora nunca vá conseguir recuperar totalmente o que perdi. Quando fiquei doente tinha 26 anos, agora tenho 32 e perdi estes anos numa guerra que tinha de enfrentar. Estou desejosa de viver a minha vida naturalmente.
– Sente-se mais fortalecida?
Sim, era uma miúda e agora sou uma mulher. Somos fruto daquilo que vivemos e aprendi que nada é como planeamos. Devemos deixar a vida acontecer e tentarmos moldar-nos a ela.  Não sei se me tornei melhor ou pior pessoa, mas não sou a mes­ma e acho que aprendi uma série de lições de vida com o que me aconteceu. Agora não gosto de estar aborrecida com ninguém, deixei de ser orgulhosa e não me custa nada pedir desculpa. Não sei se estarei cá amanhã... Não adio nada para o dia seguin­te. Tornei-me mais forte, mais fria, mas gosto de mim assim...
– Passou pelo cancro, pelos tratamentos, por um divórcio e agora está apaixonada. É um recomeço em todos os sentidos...
Dito assim, realmente acon­teceu muita coisa na minha vida. É um ciclo novo. Não é melhor nem pior, é completamente dife­rente. É um ciclo com uma pessoa nova ao meu lado, que eu adoro, que é muito meu amigo, meu companheiro e um grande amor...
– O que é que o Amâncio trouxe à sua vida?
Não sei... As relações não se comparam, mas acho que me trouxe serenidade, paz.
– A amizade com o Mico mantém-se?
Claro que sim, teremos uma amizade eterna. Vivemos anos muito felizes e situações muito boas. Simplesmente tomámos rumos diferentes... As relações acabam. Mas damo-nos muito bem e vou ser eternamente agradecida ao Mico por todo o amor e amizade que ele teve e tem por mim.
– E como é que o Afonso vê a sua nova relação?
Seria hipócrita se dissesse que no início o Afonso adorou que os pais se tivessem separado. Não reagiu bem, mas as crianças, melhor do que nós, superam e dão a volta aos problemas. Já passou bastante tempo, já estou com o Amâncio há um ano e acho que o Afonso já se habituou e está a dar-se lindamente. Sei que é uma criança feliz.
– E como lida com a situação de ter de ‘partilhar’ o Afonso com o pai?
Não lido muito bem, estava habituada a ter o Afonso sempre comigo, mas sei que vou acabar por aprender a viver com isso. Muitas vezes, quando o Afonso não está, sinto a casa vazia, mas o que interessa é que ele esteja feliz.
– E como é que ele se dá com o Amâncio?
Estão a construir uma relação que será simplesmente de amizade, pois o Amâncio não veio substituir ninguém, o Afonso tem pai. Mas estão no bom caminho... [risos]

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