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Emídio Rangel: Um comunicador que fez história

Nascido em Angola, Emídio Rangel estreou-se aos 18 anos aos microfones da rádio. A sua capacidade de inovar, criar e motivar equipas e pessoas é reconhecida pelos colegas com quem se cruzou na RDP, na TSF, na SIC e na RTP.

Redação CARAS
29 de agosto de 2014, 17:00

Inteligente, sagaz, um excelente professor, uma mente fascinante, um homem polémico que despertava emoções fortes. Assim é descrito Emídio Rangel por vários colegas com quem se foi cruzando ao longo dos 48 anos de carreira profissional, sempre ligada a órgãos de comunicação social.
Nascido a 21 de setembro de 1947, em Sá da Bandeira, Angola, Rangel estreia-se como locutor na Rádio Club da Huíla, aos 18 anos, seguindo para a Rádio Comercial de Angola, onde foi chefe dos serviços de produção e fez sucesso com o programa Nocturno. Em 1975, o jornalista é obrigado a fugir da guerra com os irmãos mais novos, Jorge, José e Rui. Chega a Portugal em agosto desse ano e ingressa na Universidade de Lisboa, onde viria a licenciar-se em História. Pouco depois toma a iniciativa de se candidatar a um emprego na Radiodifusão Portuguesa, onde foi subchefe de redação entre 1985 e 1988. Deixa os microfones da RDP para fundar um novo e ambicioso projeto, a TSF, estação que se tornou uma referência na informação noticiosa. “Se a comunicação é hoje o que é, tem muito a ver com a forma nova como Emídio Rangel colocou a TSF no panorama audiovisual em Portugal, guiando-nos por dois pensamentos que eram duas espécies de mandamentos Emídio Rangel – de que forma é que podemos cobrir este assunto de maneira absolutamente nova e de que forma é que podemos fazer o acompanhamento disto de maneira completamente diferente daquela que os outros têm”, lembra o jornalista David Borges à Antena 1.
A sua criatividade e a capacidade de motivar pessoas e equipas acabariam por o conduzir a um novo e maior desafio: aceitar o convite de Francisco Pinto Balsemão para ser diretor de Informação da SIC, a primeira estação de televisão privada em Portugal, cargo que acabaria mais tarde por acumular com o de diretor de Programas, acompanhando ainda o lançamento dos canais temáticos SIC Notícias, SIC Gold e SIC Radical. Durante nove anos, Rangel conduziu o canal de Carnaxide à liderança das audiências e foi apostando em novos rostos televisivos, lançando algumas das maiores estrelas nacionais: Catarina Furtado, Bárbara Guimarães, Alberta Marques Fernandes, Nuno Santos ou José Alberto Carvalho.
Em 2001 assumiu o cargo de diretor-geral da RTP, onde acabaria por ficar apenas durante um ano, para depois regressar à TSF.
Durante a apresentação do seu livro Em Directo, que resultou da seleção de cerca de 50 crónicas que assinou no Diário de Notícias, Rangel admitia ter entrado em conflito com várias personalidades na sequência do que escreveu: “São palavras de um cidadão que é sensível às coisas que o rodeiam. Algumas foram polémicas, mas são públicas, e seria cobardia dizer que não o disse”, admitiu.
Homem de afetos, Emídio Rangel falava sempre com ternura das duas filhas, Ana Sofia, de 42 anos – fruto do seu primeiro casamento, com Luísa Pereira –, e Catarina, de 26, que nasceu do segundo casamento, com Eunice. “Tanto a Ana como a Catarina foram muito desejadas, por isso é natural que para elas arranje sempre algum tempo. As minhas filhas são pedras preciosas do meu clã”, disse Rangel à CARAS em  maio de 2000. A terceira mulher que conquistou foi a também jornalista Margarida Marante e Adelaide Ginga foi a sua última companheira, de quem se separou há cerca de um ano, coincidindo com a descoberta da recidiva de um cancro da bexiga que acabaria por pôr termo à vida de um homem cujo nome ficará para sempre ligado à história da comunicação social portuguesa.

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