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Catarina Furtado recorda Emídio Rangel: “Era um visionário”

Foi Emídio Rangel que desafiou Catarina a apresentar o “Chuva de Estrelas”, programa que a consagrou como apresentadora de televisão, e os dois mantiveram uma relação de amizade e respeito ao longo dos anos.

Redação CARAS
31 de agosto de 2014, 14:00

Catarina Furtado conheceu Emídio Rangel ainda em criança e foi pela mão dele que se tornou conhecida em televisão. Vinte e três anos depois da estreia do programa que a catapultou para a fama, Chuva de Estrelas, a apresentadora des­pediu-se daquele que considerava ser “um visionário que gostava de grandes desafios”.
Após a morte do antigo diretor da SIC e da RTP, no passado dia 13, vítima de cancro da bexiga, a apresentadora recordou os momentos que viveram juntos na estação de Carnaxide.
– Recorda-se, por certo, como conheceu Emídio Rangel...
Catarina Furtado – Conheci o Rangel ainda em criança, porque o meu pai também esteve ligado ao nascimento da TSF, e desde então cresceu uma amizade com a sua filha Ana. Mas o Emídio não fazia parte do grupo restrito de amigos dos meus pais e por isso passaram-se muitos anos sem o ver. Em adulta, o contacto dá-se quando, já depois de me ter estreado como apresentadora no programa Top +, da RTP, recebo o convite de Maria Elisa para ser a cara da MTV em Portugal, na SIC. É depois dessa curtíssima experiência à frente do ecrã que Rangel me desafia, em jeito de ordem, a apresentar o Chuva de Estrelas. Por mais que eu lhe dissesse que não me sentia segura para o fazer, ele não deixava margem para uma recusa. Atirou-me às feras porque acreditava em mim. Disse-me que bastava que eu seguisse a minha intuição, que só tinha de me empenhar a trabalhar e que a minha espontaneidade faria o resto. Assim foi. Ele era assim: um visionário que gostava de grandes desafios, aparentemente sem medos, empreendedor, com rasgos geniais, com uma capacidade para liderar equipas absolutamente invulgar, contagiante na forma como nos fazia a todos acreditar que éramos insubstituíveis. Nunca se desviava da frente de batalha e defendia até ao último segundo as suas equipas e as pessoas que com ele estavam contra tudo e contra todos, mas tinha muito pouca tolerância em aceitar opiniões que não seguiam a sua linha de raciocínio e talvez por isso utilizasse, algumas vezes levianamente, a expressão traidor. Era um homem de extremos, muito emotivo, com tendência para não deixar falar a razão, e isso por vezes cegava-o. Muitas das zangas que teve ao longo dos tempos devem-se também ao seu temperamento.
– Acredita que parte do que é hoje como comunicadora se deve a ele?
Tenho a certeza. Antes de eu confiar nas minhas capacidades, já o Emídio me dizia: “Eu sei que és capaz!” Não havia tempo a perder, quando tinha uma convicção, era muito difícil detê-lo, e agradeço-lhe essa imensa teimosia em relação a mim. O Rangel gostava de ter desafios à sua altura para os enfrentar, mas também gostava de assistir ao rebuliço das suas equipas na tentativa de corresponder aos seus pedidos. Sabia avaliar as qualidades dos profissionais e detestava que não vestíssemos a camisola até aos pés. O seu poder de argumentação era um trunfo que sabia usar com mestria.      
– Com ele morreu uma parte da comunicação em Portugal?
Tenho a certeza absoluta que sim e espero que a memória nunca seja curta para o legado que deixou a várias gerações e diferentes meios de comunicação social. Há uma rádio antes e depois do Rangel, há uma televisão antes e depois do Rangel, e existe uma inegável “escola” que ficou, fruto da sua influência, e eu própria vim a trabalhar com alguns dos seus “seguidores”, como o Miguel Monteiro, o Nuno Santos ou o José Fragoso. Na hora da sua despedida ouviu-se muito: “Fomos uns privilegiados por termos trabalhado com ele”.

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