Nas Bancas

Paula Lobo Antunes reconhece: “Ser mãe faz-nos crescer e evoluir imenso”

A atriz, que regressou à televisão depois de ter sido mãe de Beatriz, de 21 meses, contou à CARAS como tem sido esta experiência ao lado do namorado, Jorge Corrula.

Inês Mestre
13 de setembro de 2014, 16:00

Basta passar algum tempo com Paula Lobo Antunes para que a sua boa disposição, simpatia e um certo ar de miúda nos conquiste. Foi o que aconteceu durante a tarde que passámos com a atriz para esta sessão fotográfica e entrevista. Depois de ter sido mãe pela primeira vez há 21 meses, de uma menina, Beatriz, Paula, de 38 anos, diz que é hoje uma mulher diferente, mais equilibrada e completa. A experiência da maternidade tem sido vivida ao lado do também ator Jorge Corrula, seu companheiro há oito anos, e foi sobre os papéis de mãe, mulher e atriz que a Diana da novela Mulheres, da TVI, conversou connosco.
– Como têm sido estes quase dois anos com a Beatriz?
Paula Lobo Antunes – Lindos! É um cliché, mas ser mãe é mesmo a melhor coisa do mundo! E ajuda-nos a crescer. Vejo a minha filha crescer e cresço com ela, o que é muito giro. Vou evoluindo com a minha filha, porque ela vai passando por fases diferentes com as quais não sei lidar e vou aprendendo em conjunto com ela. Sinto-me mais completa, aprendo todos os dias e dou um valor diferentes às coisas. Há coisas que afinal já não importam. Parece que ficamos mais sábias, mais terra a terra e com mais equilíbrio. Ser mãe é um crescimento tremendo, dá-nos mais facetas e instrumentos para lidar com todas as situações, e isso é delicioso.
O que mais a fascina na maternidade?
– A evolução, o não saber o dia de amanhã e como ela vai crescer. Fascina-me pensar na pessoa que ela vai ser, as qualidades que vai ter, a profissão que vai escolher, ver a evolução diária e saber que tenho a responsabilidade de moldar este ser para contribuir para a sociedade. Há pessoas que ficam com mais medo da morte depois de terem sido mães, eu não, pois sinto que já contribuí para a Humanidade. Vê-la florescer e tornar-se uma pessoa é o que mais me fascina. A beleza de ser mãe é ajudar a minha filha a crescer e guiá-la para que ela seja o melhor que possa ser. 
E tem receios?
– Sim, claro. O facto de não saber o que vai acontecer no futuro deixa-me um pouco ansiosa, mas sou uma pessoa positiva e acredito sempre que irá acontecer o melhor. Acredito que as coisas acontecem porque tem de ser e é só esperar por elas.
E o que é mais difícil na maternidade?
– É não sabermos se o que estamos a fazer é bom ou mau. Há coisas que fazemos que vão ter um grande impacto no futuro e tento fazê-las como acho que deve ser, mas nem sempre sabemos o que é certo ou errado. Sigo os meus instintos, mas não há uma fórmula exata. Sou muito metódica e pragmática, e na maternidade as coisas não são assim tão simples! É mesmo assim, e eu, que sou um bocadinho control freak, tenho de lidar com isso. Mas acredito que vai tudo correr bem.
Como é ver o Jorge no papel de pai?
– Também é natural, é algo que fazemos em conjunto e vamos evoluindo os dois. Estamos sempre a ser testados ao mesmo tempo, mas lidamos com isso de uma forma tranquila. Eu tinha a certeza de que ele ia ser um pai muito dotado, preocupado, ‘galinha’, e foi exatamente o que eu estava à espera.
Quem é mais ‘galinha’?
– Ele! E já o admitiu várias vezes. Eu sou a mais condescendente, há sempre um que é mais disciplinador. Mas completamo-nos.
Que balanço faz destes oito anos de relação?
– Tem sido uma pequena vida. Temos tido altos e baixos, bons e maus momentos, como todos os casais, mas tem sido uma aprendizagem e um crescimento a nível pessoal, profissional e emocional. É bom crescermos, cada um à sua maneira, mas ao mesmo tempo juntos.
E terem mais filhos faz parte dos planos?
– Eu gostaria, mas nós não fazemos planos, as coisas vão acontecendo. Não queria que a Beatriz fosse filha única, mas quando teremos outro filho, não sei. Mas também sei que tenho de me despachar, pois não estou a ficar mais nova. [Risos]
– A idade preocupa-a?
– Falta um ano e meio para entrar nos 40, mas não me preocupa, é algo que faz parte da vida, é natural. Acho graça e quero saber o que me espera. O que mais penso é em termos de representação, e aí há sempre desafios novos. Agora já faço de mãe, daqui a uns anos passo a fazer de avó! E isso é o bonito de ser ator, há sempre papéis que podemos fazer. Pode haver menos, mas isso também exige mais de nós, temos de ser melhores profissionais e eu gosto de lutar e batalhar, de me aperfeiçoar. É muito importante saber envelhecer neste meio, porque os atores têm egos muito grandes. Acho que o meu é q. b., mas temos de ter cuidado com a perceção que temos de nós próprios, pois podemos querer mudar, voltar atrás no tempo quando não é possível. É importante gerir isso e saber apreciar uma mulher natural, que está bem com ela própria. Não sou contra as plásticas, mas acho que é preciso haver um equilíbrio.
E mantém um certo ar de miú­da...
– Sim, é verdade, mas eu noto uma grande diferença, sobretudo na televisão. Até já passo na RTP Memória! [Risos] Há uma diferença tremenda e confesso que foi um choque quando me vi pela primeira vez nesta novela, pois a cara muda, o corpo muda, mas tenho de aceitar o que sou e como sou.
– Ficou em choque? O que pensou?
– Que estou mais velha, mais mulher. Mas tenho um espírito jovem e acho que a minha filha também ajuda nisso. Sou muito descontraída, relaxada, gosto de brincar, de dançar, de rebolar no chão com a minha filha, ando sempre de chinelos e ténis. Esta personagem é muito executiva, sempre arranjada e de saltos, e quando vi a imagem completa foi um choque, pois é muito diferente de mim.
Este foi o primeiro trabalho depois de ter sido mãe. Custou-lhe regressar?
– Não muito, porque estava com muita vontade de regressar. Claro que quando os dias são mais longos ou exigentes quero estar com ela. Mas separarmo-nos é inevitável e ela está a crescer, já pode ficar algum tempo sem mim. É mais um cordão umbilical que cortamos. Em termos de trabalho, no início tinha as minhas inseguranças e não sabia bem como abordar esta personagem, mas depois entreguei-me e confiei no trabalho da equipa.
Ser mãe mudou algo a nível profissional?
– Sim, antes o trabalho consumia-me mais. Agora, quando chego a casa é para a família e tenho de ser mais organizada. Tenho de gerir melhor a vida pessoal e profissional. Quando estou com a Beatriz, não penso em trabalho, mas continuo a ser exigente comigo própria e a dedicar-me a 200 por cento.
Que tipo de mulher é a Paula?
– Sou exigente, engraçada, de espírito livre, dedicada e orgulhosa, que é mais ou menos um defeito. E sou prática.
Como se imagina daqui a dez anos?
– Feliz, bem, saudável, se calhar com mais um filho, com trabalho, sobretudo em cinema e teatro, e não estagnada, vou lutar para que isso não aconteça. Não gosto de me acomodar, gosto de estar sempre no limite, a querer melhorar e a fazer coisas melhores.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras