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Nuno Santos recorda Emídio Rangel

O ex-diretor de informação da RTP deixou uma mensagem nas redes sociais. 

Redação CARAS
13 de agosto de 2014, 13:51

“Dizem que Emídio Rangel morreu. Não é verdade Quem entra na história, quem a faz fica eternamente vivo. Mesmo que seja da pequena história da Comunicação Social em Portugal nesta era de tantas e tão vertiginosas transformações.
Parece que passou pouco tempo, talvez tenha passado, mas temos já o distanciamento suficiente para saber que o Homem que criou e dirigiu a TSF e que depois, durante uma década, liderou com energia, visão e arrojo o primeiro Canal de Televisão Privada em Portugal fazendo da SIC uma máquina de sonhos é - escrevi é, não escrevi foi, uma figura especial. Inesquecível.
Como ele próprio escreveu um dia - "quisemos a Lua e tocamos-lhe com os dedos".
Durante os quase 29 anos que levo de actividade o Emídio Rangel foi a pessoa que mais me influenciou e aquela com quem estabeleci uma relação quase umbilical.
Sim, fui o seu "Delfim" sem pedir para o ter sido, mas nem por isso hesitei em confronta-lo e combatê-lo quando achei que isso devia ser feito. A vida coloca--nos à prova, às vezes quando menos esperamos.
Foram dez longos anos de afastamento e rancor nunca disfarçado quebrados num longo (e acho que desejado) almoço de várias horas à beira do Verão de 2011.
Para mim foi um dia feliz. Um dia de paz.
Durante essa década tanta coisa mudou nas nossas vidas que dificilmente voltaríamos ao ponto de partida, mas encontrar o Emídio de de novo foi reconfortante. O essencial, aquilo que é invisível à vista, estava lá. Nunca se perderá.
Foi, de certa forma, como reabrir uma velha estrada que nos levava a um belo lugar e que, por ter estado ao abandono, não podia ser percorrida.
Nos últimos meses - a vida é mesmo irónica - um projecto para Angola, a terra onde nasceu e que amava, juntou-nos. Era, e é um pequeno projecto ao pé de outros onde ele esteve, mas encontrei-o entusiasmo e com vistas largas de sempre. Nunca pensou pequeno.
Por um acaso do destino almocámos juntos no dia em que soube que o cancro, que ele já vencera tenazmente uma vez contra todas as expectativas, o atacava, traiçoeiro, de novo. Talvez - no fundo - ele amaldiçoasse aquele momento que eu involuntariamente testemunhei, mas vi no seu olhar o brilho de sempre e a vontade de ir à luta em mais uma batalha.
A vida do Emídio foi isso mesmo - uma vida de constantes batalhas. Perdeu imensas, mais do que gostava de admitir, mas ganhou com distinção e raro talento as mais importantes. É isso que fica. É isso que nos deixa.
Curvo-me respeitosamente perante a sua memória e esse seu legado.
Deixo à Ana e à Catarina, ao Sr.Emídio, ao Jorge, ao Zé e ao Rui os meus sentimentos.
Eu e a minha geração de profissionais tivemos, de facto, muita sorte.
É nisso que penso e quero pensar no futuro.”
Foi com esta mensagem que Nuno Santos recordou Emídio Rangel, que morreu esta manhã, ao 66 anos, vítima de doença prolongada. 

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