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Raquel Prates e João Murillo: “Queremos muito ter filhos”

A galerista e o pintor asseguram que a família é a sua maior prioridade e talvez por isso sintam a necessidade e o desejo de serem pais. Casados há oito anos e ansiosos por que isso aconteça, já põem a hipótese de procurar ajuda médica.

Sofia Lourenço
6 de setembro de 2014, 14:00

Casados há oito anos e juntos há dez, Raquel Prates e João Murillo não têm pudor em mostrar o amor que sentem um pelo outro. A galerista, de 37 anos, e o pintor, de 47, usufruíram de uns dias a sós no Santa Eulália Hotel & Spa, no Algarve, depois de umas férias dedicadas unicamente à família. Raquel admite ser mais contida nas palavras, João mais expansivo. Uma receita que resultou harmoniosa nesta conversa com a CARAS, onde descreveram como é intensa a forma como vivem a própria relação.                                                                                                                               
– Faz parte da vossa tradição enquanto casal vir de férias para o Algarve?
Raquel Pra­tes – Acima de tudo, as férias são sinónimo de compensar algumas falhas e passar tempo com a família. Viemos todos juntos e usufruímos ao máximo da companhia uns dos outros. Tudo é preparado de forma meticulosa, como se fosse o Natal: o que vamos comer nessa noite, quem vai ao mercado... São férias muito descontraídas, dedicadas ao descanso, à praia e à família. A parte de que mais gosto das férias é de ouvir a minha sogra e a minha mãe, de manhã, a fazerem o café, isso dá-nos embalo e conforto, é mimo. Obviamente que quando somos adultos temos outro tipo de responsabilidade, mas ali parece que o tempo pára e voltamos ao tempo em que éramos crianças.
João Murillo – É uma sublimação das nossas melhores memórias. Obviamente que as minhas memórias não poderão ser iguais às da Raquel, mas são, em grande parte, coincidentes, e eu acho que isso tem a ver com um traço comum que nós temos que é um profundo respeito pelo nosso país.
– Portanto, maioritariamente as férias são feitas em Portugal? 
Raquel – Sempre em Portugal e em zonas que curiosamente visitamos desde crianças.
João – Já fizemos várias vezes férias fora de Portugal, mas sem essas passamos bem. Estes momentos no nosso país, nas nossas referências, nas nossas praias, destes nós não abdicamos.
– Estão casados há oito anos. Qual é o segredo da vossa harmonia?
João – Eu acho que o segredo é não haver segredos. Nós nem sequer nos preocupamos com isso, na realidade eu nem sequer tenho a perceção de estar casado há oito anos com a Raquel. Nós, de uma forma natural, temos vindo a privilegiar os dias.
Raquel – Também tem a ver com a intensidade de cada um de nós. Ainda há pouco, antes da entrevista, o João viu-me com este vestido e disse logo: “Lembro-me tão bem da história desse vestido...” Porque a primeira vez que o usei foi na nossa lua de mel. Isto é só um mero exemplo, na realidade tem a ver com a forma intensa como vivemos cada momento.
– Portanto, é esse cuidado que têm um com o outro que solidifica a relação?
Raquel – A cumplicidade, o respeito e a comunicação, sem dúvida alguma.
João – Somos muito cuidadosos um com o outro e temos duas grandes preocupações, que são não gastar as palavras, porque as palavras também se gastam, mas não deixar nada por dizer.
– É um desejo muito grande terem filhos?
Queremos muito ter filhos, não foi por falta de vontade que até hoje não os tivemos. Está tudo bem para podermos ter filhos, o grau de ansiedade e a vontade que temos de ter filhos tem sido um fator impeditivo. Estamos a ponderar fazer um trabalho mais intensivo, até mesmo com acompanhamento médico, para ser algo que se possa concretizar brevemente. É um desejo muito grande dos dois.
Raquel – Sim, é algo de que ainda não tínhamos falado publicamente. Não tem acontecido, nós até costumávamos brincar dizendo que, com o nosso feitio, o bebé iria nascer com um feitio tão marcado que seria ele a decidir quando havia de vir [risos], mas está a demorar tanto que vamos tratar do assunto de outra forma.
– O que é que diriam que aprenderam um com o outro ao longo destes anos?
Voltei a encontrar uma vertente que eu tinha esquecido em mim, porque sou muito pragmática, sou muito refém das minhas próprias responsabilidades. O João relembrou-me como encarar a vida de uma maneira que está intimamente ligada a uma liberdade que nós vamos perdendo com a idade. Eu sempre fui uma menina mulher, sempre tive essa tendência de feitio, e ele é um menino grande, por isso existe essa compensação de ele puxar o meu lado de menina que tinha ficado perdido há muito tempo e eu de o puxar à realidade.
João – Eu consegui, com a Raquel, adquirir um determinado tipo de ordem e organização que nunca tinha tido, e a Raquel conseguiu recuperar uma liberdade que eu acho que é fundamental para podermos celebrar a vida com a intensidade que ela merece ser celebrada.
– Ainda se lembram do momento em que se conheceram?
João – Se ainda nos lem­bramos? Nós até fugimos 15 anos um do outro! Aliás, não foi bem fugir, mas sabíamos que se nos tivéssemos juntado na altura em que nos conhecemos não teria resultado. Éramos muito jovens e não tínhamos maturidade para ter um relacionamento como eu sentia que queria ter com a Raquel, e que mais tarde vim a saber que ela também queria. Para ser absolutamente sincero, quando conheci a Raquel eu tive a sensação... Soube que ela era a mulher com quem iria casar-me. A Raquel foi a única pessoa que me transmitiu a sensação de que não estou só. Alguém com quem não preciso quase de falar para me entender, que entende os meus disparates, que entende que eu nunca vou crescer.
– E a Raquel, quando é que sentiu que o João era o homem certo?
Raquel – Sempre. Senti isso desde sempre e disse-o a várias pessoas. É engraçado, porque o João tem uma capacidade muito grande de verbalizar as coisas e eu não, sou mais contida e meço mais as palavras. A primeira vez que o João me disse “amo-te” ainda mal nos conhecíamos, e eu fiquei muito espantada. Perguntei-me como é que alguém teria coragem de, mesmo mal me conhecendo, dizer isso, mas a partir daí ficámos juntos. Mas é um ‘baque’, é ter a certeza de algo que se sente há muito tempo sem se perceber muito bem como.
João – De facto, eu não tenho muito pudor com as palavras porque acho que as palavras são para ser ditas, mas a maior parte das pessoas acha que eu digo as coisas da boca para fora. A Raquel conhece-me e sabe que eu não digo nada que não possa defender até à exaustão. Isso dá-me uma certa segurança quando digo alguma coisa.
– O facto de serem figuras públicas fragiliza a relação?
Sabemos que estamos sujeitos a um maior grau de exposição, sabemos que isso traz muitos aspetos negativos e procuramos proteger-nos no sentido em que as agressões que possam vir do exterior fiquem sempre fora das quatro paredes que nós criámos. Obviamente, há sempre pessoas que nos querem mal, que não simpatizam connosco.
– E como é que resolvem os conflitos que possa haver na relação?        
– De uma forma natural. Qualquer ser humano encontra um problema no que quer que seja se quiser. Mas se quisermos encontrar uma solução, também o conseguimos. O problema é que as pessoas têm a tendência para ir mais rapidamente para o lado do problema do que para a solução.
Raquel – Como nos conhecemos muito bem, conhecemos as fragilidades de cada um de nós, sabemos quais são os territórios em que é mais fácil que um de nós agarre a solução.
– Como é que se veem daqui a alguns anos?
João – Esse exercício não faço. De cada vez que perdesse um segundo a pensar nisso iria esquecer-me de onde estou hoje.
Raquel – É o que eu sinto também, o importante é viver o momento, cada vez mais.

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