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Pedro Silva Reis: “Adoro o Douro, mas não me vejo a viver aqui o tempo todo”

Em pleno Douro Vinhateiro, a Quinta das Carvalhas, no Pinhão, é uma das joias da Real Companhia Velha, presidida por Pedro Silva Reis.

Redação CARAS
7 de setembro de 2014, 10:00

À entrada da vila do Pinhão, em pleno Douro Vinhateiro, a Quinta das Carvalhas ergue-se como um bastião da história do Vinho do Porto e da Real Companhia Velha, instituída em 1756 por alvará régio de D. José, sob os auspícios do marquês de Pombal. Atualmente, é Pedro Silva Reis, de 52 anos, que preside à companhia e dá a voz ao legado, com o apoio da mulher, Francisca Dória, de 38 anos, e do filho mais velho, Pedro Oliveira Silva Reis, de 22. Nascido do primeiro casamento do empresário, Pedro já começou a seguir as pisadas profissionais do pai.
Foi na Quinta das Carvalhas que, num dos poucos fins de semana quentes deste verão inconstante, os três receberam a CARAS para uma entrevista descontraída, que decorreu embalada por memórias de um clã unido pelos valores herdados de Manuel Silva Reis, o pai de Pedro, que adquiriu a Real Companhia Velha em 1960. O patriarca, falecido em 2007, está presente em muitas fotografias emolduradas e dispostas pela casa sobranceira ao rio Douro, onde os herdeiros o recordam com inegável orgulho.
Nestas fotos faltou o filho mais novo do anfitrião, Tiago, de 20 anos, por se encontrar em Londres, mas também não foi esquecido durante a conversa, que teve lugar junto à piscina.
– O Pedro e a família têm outras propriedades no Douro, mas parece-me que esta quinta é especial...
Pedro Silva Reis – E é mesmo! A Quinta das Carvalhas tem muita tradição no Douro e uma grande ligação à minha família. O meu pai tornou-se proprietário dela logo no início dos anos 50, depois os meus pais casaram-se nesta quinta e eu e os meus irmãos passámos aqui grande parte das nossas infâncias, daí ela ter para nós mais significado emocional.
– E como foi para a Francisca entrar numa família com tanta tradição?
Francisca Dória – Para mim, é um orgulho fazer parte da família e poder viver e partilhar com o Pedro o orgulho que tem no pai. Não tive o gosto de o conhecer, mas ele está tão presente que parece que até convivi com o meu sogro.
– O Pedro tirou o curso de enólogo em Bordéus. Foi por influência do seu pai ou por vocação sua?
Pedro – Acho que já tinha alguma vocação e, por conseguinte, entre as opções de ter que estudar alguma coisa, esse seria o caminho mais interessante. Depois, a Real Companhia Velha foi e é o meu primeiro e único emprego. Comecei a trabalhar na empresa aos vinte e pouco anos e, por isso, é inevitável que a gestão também tenha entrado na minha vida.
– E hoje já tem o seu filho mais velho a trabalhar consigo...
– Sim, e é uma sensação muito boa, pois dá-me a perspetiva de sucessão, até porque esse é um dos grandes desafios que se coloca hoje em dia aos empresários. Para mim, é reconfortante ver os meus filhos, e também os meus sobrinhos, a interessarem-se pelos negócios. E é preciso ter alguém que goste da empresa e tenha visão empresarial e de continuidade.
Pedro [filho] – Mas é mais difícil do que parece... Trabalhar numa empresa de família, normalmente, implica a ideia de facilitismo e de à-vontade, mas, na verdade, é um trabalho bastante exigente. Numa empresa de família trabalhamos 24 horas por dia. Hoje em dia não consigo ir almoçar ou jantar sem pensar no trabalho!
– E tem uma relação próxima com o seu pai?
– Desde sempre! Tanto eu como o meu irmão sempre tivemos uma relação próxima com os nossos pais, mas, quando estamos a trabalhar, tenho que saber respeitar a distância funcionário/patrão.
– E o Pedro vê a Francisca como uma amiga ou como madrasta?
– Vejo a Francisca como uma amiga, tratando-a com o respeito com que trataria qualquer madrasta.
Francisca – Tive muita sorte, pois o Pedro e o Tiago são dois miúdos excelentes. Conheci-os mais pequenos e são agora uns matulões! Damo-nos muito bem, somos muito amigos, mas há respeito entre nós. Não gosto do nome madrasta e eles sabem...
– O vinho une ainda mais pai e filho. E marido e mulher?
Pedro – Antes de nos conhecermos, a Francisca já era um enófila. Como ela se interessa por vinhos e até tem experiência profissional na área, dificilmente temos falta de assunto.
– E ela até tem nome de casta...
– Sim, é verdade, é a Tinta Francisca, que é um dos vinhos que mais me tem entusiasmado produzir. Há essa coincidência de nome. É um tinto surpreendente, diferente, subtil, de grande intensidade.
Características que também poderiam descrever a sua mulher?
– Exatamente, é um perfil de vinho que se enquadra muito na personalidade dela. E é engraçado, há quem pense que foi criado em homenagem a ela.
– Nunca pensaram viver aqui permanentemente?
– Não, isso não, pois sou muito citadino! Adoro o Douro, mas para já não me vejo a viver aqui o tempo todo. Gosto de vir cá com frequência e, agora, com a perspetiva da conclusão do túnel do Marão, o Porto ficará mais próximo.
Pedro [filho] – Ao contrário do meu pai, eu era capaz de viver cá. Sempre morei em cidades grandes, mas o Douro é um lugar que me encanta e que reconheço como mágico.

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