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Mayra Andrade pondera mudar-se para Portugal

Mayra Andrade esteve no Porto a convite da Orquestra Jazz de Matosinhos. A CARAS conversou com a cantora no Porto Palácio Hotel sobre o seu quarto álbum, “Lovely Difficult”.

Joana Brandão
30 de agosto de 2014, 14:00

Tinha 16 anos quando atuou pela primeira vez em Portugal, em representação da nova geração da música cabo-verdiana, e desde então a sua relação com os portugueses sempre foi próxima. Hoje, com quase 30 anos, Mayra Andrade não poupa elogios ao nosso país, de tal forma que equaciona mudar-se para cá quando deixar Paris, onde vive há 12 anos.
De regresso para três concertos – dia 13 de agosto, no Auditório Fernando Lopes Graça, em Cascais, dia 14 no Parque do Palácio da Galeria, em Tavira, e dia 15 no Theatro Circo, em Braga –, Mayra traz na bagagem o seu mais recente disco, Lovely Difficult, composto por canções cantadas em crioulo, inglês e português. “Tenho alguma facilidade com línguas, e decidi não me privar de músicas belíssimas só porque não eram em crioulo. É a minha homenagem a estes 12 anos de vida em Paris, onde tive oportunidade de conhecer pessoas muito talentosas”, explica a jovem cabo-verdiana, frisando: “Nasci cantora, sempre soube que iria cantar, e talvez por isso leve a minha música com tranquilidade.” No entanto, em tom de brincadeira, lança: “Se não fosse cantora, seria secretária, porque sou muito organizada e metódica.”
O seu quarto álbum tem o título em inglês. Qual a história por detrás deste trabalho?
Mayra Andrade – Na verdade, Lovely Difficult foi a alcunha que o meu ex-namorado me deu. Ele costumava dizer que eu tinha dias em que acordava de mau humor, em que ficava lovely difficult (deliciosamente difícil). São duas palavras que normalmente não se associam e juntas não têm significado, mas era o que ele me chamava, porque gostava muito de mim, mas havia dias em que lhe apetecia atirar-me pela janela. É engraçado, porque sempre que falo disto as outras mulheres riem-se e identificam-se. Como é que isto surgiu? O facto de ter gravado o disco em Inglaterra teve influência, porque os ingleses dizem que tudo é “lovely!”, “Oh! So lovely!”.
Está quase a fazer 30 anos. Sente a pressão do tempo?
– Acho que estou a viver a chegada dos 30 de forma muito positiva. De há um ano e meio para cá tenho passado por imensas mudanças na minha vida. Profissionalmente, mudei de editora, de produtor de espetáculos, de banda e de direção musical. Pessoalmente, vivi uma separação, o fim de uma relação de seis anos. No entanto, mesmo quando as mudanças são dolorosas, gosto de pensar que são mudanças para melhor. O importante é saber tirar o melhor das relações. Acho que tudo isto é o início dessa mudança. À medida que os 30 anos se aproximam, vamo-nos sentindo mais poderosos. Já se viveu o suficiente para se saber o que se quer e o que não se quer. E o que não se viveu sente-se que é o momento de se viver...
De facto, apesar dessas mudanças, parece muito serena...
– Costumo dizer que estou a viver a minha crise da adolescência, com a vantagem de não chatear os meus pais. Felizmente, tenho o poder de viver as coisas com alguma distância, o que me permite ultrapassar os momentos com uma certa serenidade.
Não sente, portanto, a pressão para constituir família...
– Sou solteira e constituir família não é uma prioridade nem uma urgência. É um desejo, mas não uma urgência. Tenho uma vida muito agitada, mas isso não quer dizer que ponho a carreira antes de tudo. Tenho as minhas prioridades bem definidas. Quando for a hora, espero tirar proveito de tudo, mas agora não é a hora.
Vive em Paris há 12 anos. É uma realidade muito distinta da de Cabo Verde. Sente que a sua vida mudou muito com a mudança para Paris?
– Tenho a impressão de que tive várias vidas em cada país onde vivi, e em Paris não é diferente. Sinto que foi em Paris que a minha vida começou, foi lá que me tornei mulher e se iniciou a minha carreira. Doze anos pode parecer pouco tempo, mas é quase metade da minha vida. Foi um bom ponto de partida, e estou muito grata ao público francês, que me abraçou, e a todas as pessoas que acreditaram em mim, mas acho que não vou ficar lá muito mais tempo.
Saindo de Paris, já sabe para onde irá viver?
– Pela primeira vez, Portugal é uma hipótese. Se me perguntasse há dez anos, dizia que não. Sempre gostei muito de Portugal, desde pequenina que venho cá, por causa dos meus avós maternos, mas nunca pensei em viver em Lisboa. Talvez porque me sinto em casa, e eu queria emancipar-me... Mas agora, talvez seja uma coisa da idade, faz-me falta alguma qualidade de vida. E as pessoas. Aqui, as pessoas são muito calorosas e carinhosas, mais parecidas com as cabo-verdianas.

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