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Lea Vicens: Vencedora num mundo de homens

A jovem francesa é atualmente uma das grandes promessas da arte do toureio. A CARAS viajou até Sevilha para conhecer a sua história.

André Barata
9 de agosto de 2014, 10:00

Viajámos até Sevilha para conhecer Lea Vicens que, aos 29 anos, é uma forte promessa na arte do toureio. Nasceu em França e formou-se em Biologia, mas rumou a Espanha para seguir o seu sonho de infância. Depois de quatro anos de treino em Sevilha, recebeu, em 2010, a tão aguardada recompensa. Conquistada a vizinha Espanha, onde cumpre a tradição de matar o touro – já cortou 60 orelhas e dez rabos –, estreou-se em Portugal dia 19 de julho, com uma corrida nas Caldas da Rainha.
De onde vem a paixão pelo toureio?
Lea Vicens – Nasci em Nimes, no sul de França, onde há uma grande paixão pelos touros. Quando era pequena via regularmente touradas com a minha família, depois comecei a ir sozinha. Montava a cavalo desde os quatro anos.
– E quando é que percebeu que era isso que queria fazer profissionalmente?
– Desde pequena que achava muito bonito, mas nunca pensei que fosse possível fazê-lo. Sempre trabalhei com cavalos mas nunca com touros. Com o tempo fui percebendo que quase nada é impossível e aos 20 anos, depois de estudar, decidi que queria tourear.
– Como surgiu a oportunidade de aprender a tourear em Espanha?
– Comecei a vender bilhetes na praça de touros de Nimes para pagar os estudos. Foi lá que conheci dois grandes ex-toureiros espanhóis, Don Angel Peralta e Don Rafael Peralta, que me convidaram a montar aqui, em Sevilha. Propuseram-me que ficasse a trabalhar os seus cavalos e eu aceitei com a condição de que tentariam ensinar-me a tourear.
– Alguma vez se sentiu discriminada? Afinal de contas, é uma profissão desempe­nhada maioritariamente por homens...
Nunca, porque trabalhei mais do que um homem, ou pelo menos demonstrei a minha vontade em tourear. As pessoas falavam, não acreditavam que eu ia conseguir, mas a verdade é que consegui.
– Quais foram as maiores dificuldades que sentiu nesta jornada?
– Domar os meus cavalos foi sem dúvida o mais difícil, porque eu não sabia tourear. Trabalhar um cavalo ao pé de um touro não é nada fácil. Foi com a ajuda dos irmãos Peralta que comecei a conseguir fazê-lo. Nunca me passou pela cabeça desistir: quando meto uma coisa na cabeça, vou até ao fim.
– É fácil conciliar a sua vida profissional com a pessoal?
– Não há nada a conjugar, porque não faço mais nada! [risos] Não tenho tempo. Trabalho para a família Peralta e depois tenho de trabalhar com os meus cavalos. Do nascer ao pôr-do-sol, dedico-me a cem por cento aos cavalos. Isto é um autêntico vício.  Obviamente que quero um dia constituir uma família, mas hoje a minha prioridade é isto. Abdiquei de tudo para seguir este sonho.
Dia 19 vai estrear-se em Portugal. Está nervosa?
– Não estou ansiosa nem nervosa, estou ‘com ganas’! Creio que tenho um estilo que vai agradar ao povo português. É um passo muito importante para a minha carreira.
Como se prepara para uma tourada? Tem algum ritual?
Não me preparo especificamente para uma tourada porque esta é uma profissão de muitos anos. Tenho de estar sempre preparada, por isso treino tanto. Não sou supersticiosa, mas antes da tourada não vejo os touros, porque me deixa nervosa.
Qual é o seu sonho do ponto de vista profissional?
Quero continuar a desfrutar sem me deslumbrar, dizendo a mim mesma que tenho de crescer como toureira. Sei que tive muita sorte, mas sempre a procurei. É claro que gostava de ficar na história dos toureiros e vou continuar a trabalhar para isso.

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