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Domingos Soares Franco: “Não gosto de dar nas vistas nem que me apontem holofotes”

O empresário recebeu-nos na sua quinta de Azeitão, onde são produzidos os vinhos da casa fundada há mais de seis gerações pelo seu trisavô, a José Maria da Fonseca.

Rosarinho Sommer
16 de agosto de 2014, 16:00

Produtor e enólogo, Do­min­gos Soares Franco, de 57 anos, é o mais novo dos representantes da sexta geração da família que gere a José Maria da Fonseca. Estudou na Califórnia nos anos 80 e começou a trabalhar na casa produtora de vinhos logo a seguir, tornando-se um dos mais inovadores enólogos da nova geração em Portugal. Enquanto enólogo fala com orgulho da influência do seu pai, Fernando Soares Franco, que durante 40 anos inovou a viticultura e enologia desta empresa, e do trabalho que desenvolve em conjunto com o seu irmão, o economista António Soares Franco.
Domingos Soares Franco abriu as portas da sua quinta de Azeitão, onde são produzidos os famosos vinhos da casa fundada há mais de seis gerações pelo seu trisavô, e contou como a sua vida gira em torno do negócio de família.
Soares Franco é pai de cinco filhos, fruto do seu primeiro casamento. Hoje, ao lado da atual mulher, Judite, com quem refez a sua vida, considera-se um homem realizado.
Rosarinho Sommer – É curio­so a sua família ter o nome Soares Franco e não Fonseca...
Domingos Soares Franco – Tal acontece porque a empresa é herdada por esse ramo da família, eu pertenço à sexta geração.
– É considerado um dos enólogos mais importantes de Portugal e, internacionalmente, uma figura reconhecida nesta área de negócio. Como lida com isso?
Na sombra... Não gosto de dar nas vistas, nem que me apontem holofotes. Acho que temos que singrar na vida com humildade, fui educado assim pelos meus pais. Gosto do que faço, gosto de mostrar aquilo que faço, gosto que discutam aquilo que faço, mas as minhas opiniões são de humildade e aceito sempre as opiniões dos outros. Posso discordar delas, mas aceito sempre a opinião dos outros.
– Acha que o vinho junta as pessoas e aproxima os amigos?
Bebo vinho todos os dias, acompanho sempre o almoço e o jantar com um copo de vinho. E há sempre conversa à volta do vinho, é sem dúvida um ato social.
– Quanto tempo viveu nos Estados Unidos?
– Vivi lá durante seis anos.
– Já era casado?
– Ainda era solteiro, fui para a América com 18 anos e saí de lá com 24.
– Recorda-se do seu pedido de casamento? Foi acompanha­do de um vinho especial?
– Sou divorciado e desse casamento não gostaria de falar...
– Vamos falar então da época em que começou a trabalhar na José Maria da Fonseca...
– Comecei a trabalhar na nossa casa nos anos 80, já com um grande know-how trazido dos EUA.
– O Domingos teve sempre a certeza da linha de vinhos que queria seguir? Nunca hesitou?
– Tenho que fazer vinhos comerciais e como sou produtor e enólogo desta casa, também posso brincar um bocadinho, dar-me a esse luxo.
– Na educação dos seus filhos procurou que eles seguissem um caminho semelhante ao seu?
– Nunca influenciei nenhum, mas o mais novo põe a hipótese de estudar enologia.
– Um aspeto importante na vida de qualquer empresa é a união familiar. Como gere a relação com o seu irmão, também com funções executivas na gestão desta casa?
– Nós falamos entre irmãos abertamente, quer haja problemas ou não, e assim tentamos atingir os nossos objetivos. O António é economista e dividimos tarefas. Eu estou mais no campo e na adega.
– Diz a sabedoria popular que os irmãos são muito amigos mas no momento de fazer as partilhas as desavenças podem começar...
– Eu e o meu irmão entendemo-nos bem e já fizemos partilhas. Não admitimos sequer que alguém se meta ao barulho.
– Já tem ideia de como vai ser a liderança na próxima geração?
– Apesar de ter uma sobrinha ligada à área e a colaborar connosco, essa é uma questão a que ainda não sabemos responder, mas a idade é um posto e ainda cá estou eu e o meu irmão. Na próxima geração eles decidirão entre eles. São oito primos, cinco meus e três do meu irmão.
– Reparei que nesta sala há fotografias de visitas da realeza aqui à casa...
– Sim, já recebemos, por exemplo, os reis da Suécia, a rainha da Dinamarca e a prince­sa Margarida de Inglaterra. É sempre uma grande honra.

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