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Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010, recebe ‘Honoris Causa’ em Lisboa

Fã de Portugal, o escritor revelou ser um conhecedor da nossa literatura, na qual destacou a obra de Fernando Pessoa

Marta Mesquita
3 de agosto de 2014, 11:23

O auditório da Reitoria da Uni­versidade Nova de Lisboa revelou-se demasiado pequeno para receber todos os que quiseram assistir à cerimónia de atribuição do título Doutor Honoris Causa ao escritor, jornalista, ensaísta e político peruano Mario Vargas Llosa, de 78 anos, Prémio Nobel da Literatura em 2010. “Será redundante referir os inúmeros prémios e todas as suas intervenções ao longo de uma vida empenhada no serviço do Homem. No nosso quadro universitário, seria mais apropriado referir o romancista que adquiriu projeção universal, e o ensaísta que tratou alguns dos maiores escritores da nossa cultura em livros que se tornaram referência; mas não se poderá esquecer o intelectual que ao longo de décadas tem vindo a alertar para situações de injustiça, de opressão, de desigualdade que afligem o mundo”, justificou o proponente deste título, o escritor e catedrático Nuno Júdice, no início deste ato solene.
Depois de Francisco Pinto Balsemão, padrinho de Llosa nesta cerimónia, pedir à atribuição do título de Doutor Honoris Causa, o reitor da Universidade Nova de Lisboa, António Bensabat Rendas, impôs ao laureado as insígnias doutorais, seguindo-se um longo aplauso de toda a plateia.
“Encaro esta distinção não só como um reconhecimento, mas também como um mandato de responsabilidade intelectual e cívica. Farei o que estiver ao meu alcance para não defraudar a instituição que me presta esta homenagem e me impõe esta obrigação. O escritor tem o compromisso cívico de lutar pelos Direitos Humanos, pela liberdade, e de se opor a tudo aquilo que contraria o que são os direitos fundamentais, como as ditaduras, as mentiras, a corrupção e tudo o que provoca injustiças e sofrimento”, referiu o autor de A Tia Júlia e o Escrevedor e Travessuras da Menina Má no seu discurso de agradecimento.  
No final da cerimónia, Francisco Pinto Balsemão fez questão de elogiar o intelectual, mas também o homem e amigo: “Conheço Mario Vargas Llosa há uns 20 anos, talvez. Ele acredita em muitas coisas nas quais também acredito e é uma pessoa com um grande sentido de humor, algo que aprecio cada vez mais.” 
O escritor peruano veio a Portugal na companhia da mulher, Patricia, de dois dos seus três filhos, Álvaro e Gonzalo, faltando apenas a filha, Morgana, e de vários netos. “Já tínhamos vindo a Lisboa e agora estamos a gozar uns dias de férias em Cascais. Gostamos muito deste país, no qual temos vários amigos. E esperamos voltar muitas mais vezes”, partilhou Patricia Llosa com a CARAS.

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