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Cuca Roseta faz sucesso em Madrid: “O dueto com o David Bisbal tem muito a ver comigo”

A fadista esteve na capital espanhola a convite do artista para cantarem juntos o tema ‘Si Aún Te Quieres Quedar’.

Joana Carreira
2 de agosto de 2014, 19:53

A convite do cantor David Bisbal, Cuca Roseta viajou para Madrid para participar no concerto do artista espanhol no Palacio de Deportes, onde cantaram juntos Si Aún Te Quieres Quedar. Numa conversa franca com a CARAS, a fadista, de 32 anos, falou sobre este dueto, revelou pormenores do seu novo álbum, que será lançado em março, e confessou estar novamente apaixonada. Cuca reencontrou o amor há cinco meses e confessa estar muito feliz ao lado de João Lapa, preparador físico e proprietário de uma empresa de consultoria.
– Como surgiu o convite para cantar com David Bisbal?
Cuca Roseta – Ele estava à procura de uma artista portuguesa para cantar a música e apresentaram-lhe o meu disco, pois temos a mesma editora, a Universal. Ele gostou muito e realizou o convite através da editora discográfica.
– Aceitou de imediato?
– Só depois de ouvir a música é que aceitei. Gosto muito de música espanhola e já conhecia algumas músicas do David. Depois disso, gravámos o dueto. Acho que tem muito a ver comigo. Fiquei muito contente com o resultado. Acho que todas as pessoas que ouvem ficam envolvidas com a música. Foi um encontro muito feliz.
– Gostou do público espanhol?
– Sabe ouvir e sentir. É um público que respeita imenso. Por valorizar o flamenco mais do que nós valorizamos em Portugal, já sabe ouvir o fado com o respeito que este precisa. Não é preciso que ninguém lhes dê as coordenadas, as pessoas vibram com o fado.
– Como surgiu a sua paixão pelo fado?
– Foi repentino. A primeira vez que ouvi fado foi ao vivo e apaixonei-me, mas não para cantar. Eu escrevia muito e encontrei no fado um refúgio para a minha inspiração. Foi interessante essa passagem. Já cantava outros géneros musicais, e um dia pediram-me para cantar fado e percebi que este tinha um estilo diferente dos outros, porque não mostra a nossa voz. O fado conta uma história, declama uma poesia e a voz é ‘escrava’ da história que contamos, no bom sentido. Para mim, foi um grande desafio. Quando tive o convite do Gustavo Santaolalla é que não consegui mesmo recusar.
– É apelidada como ‘A Voz do Fado’. Isso traz alguma responsabilidade?
– Na nova ge­ração, temos um leque de fadistas excelente. Somos muitos, e completamente diferentes. Dizem que sou a nova ‘Voz do Fado’ e para mim é giro. As pessoas dizem que o meu fado é visto de uma forma mais positiva, mais leve, mais fresca. E realmente é verdade, não é que eu não dê importância ao sofrimento, mas sou uma pessoa que tem muita esperança. É por esse lado que eu me identifico como essa nova ‘Voz do Fado’, por não ser tão triste e tão carregada.
– Está a preparar um novo álbum...
– Sim, vou gravar com um dos melhores produtores do Brasil, Nelson Mota. Foi uma felicidade gigante saber que ele tinha aceitado o meu convite. Tal como aconteceu com o Gustavo Santaolalla, tive a sorte de ele se apaixonar pela minha música. Já trocámos algumas ideias, mas vamos começar a gravar em outubro e o CD será lançado em março do próximo ano.
– Este novo disco traz a mesma Cuca ou um estilo diferente?
– Eu procurei um produtor no Brasil exatamente pelo lado positivo do fado, que tem muito a ver com o samba. “É melhor ser alegre que triste, a alegria é a melhor coisa que existe.” Acho que, nesse aspeto, existe um encontro muito forte entre a minha linguagem e a do Brasil. O meu fado é fado, e não vamos ver outra coisa que não isso.
– Já se imaginou a deixar de cantar?
– Agora não. Eu sempre cantei, e a música sempre foi a minha paixão, mas não achava que fosse viver dela. Sou licenciada em Psicologia Clínica e comecei a cantar porque não conseguia arranjar trabalho na área. Entretanto, comecei a perceber que esta era a minha vida. Agora sei que qualquer outra coisa que fizesse não faria com tanta paixão.
– O seu filho, Lopo [de seis anos], já dá opinião sobre o que canta?
– Não, mas por acaso no outro dia eu estava a ensaiar uma música e ele chegou ao pé de mim e disse: “Mãe, estou farto de ouvir essa frase” [risos]. Está sempre a perguntar por que é que não ouvimos o novo disco no carro. É engraçado porque ele vai comigo aos concertos e decora as músicas todas. É muito afinado e tem um bom ouvido.
– Gostava que ele seguisse as suas pisadas?
– Acho que ele tem tudo para seguir. Mas também toda a minha família tem jeito para a música. Quero que o Lopo seja livre para escolher, tem esse dom e poderá seguir por essa área. Acho que deverá fazer o que mais gostar.
– Sempre disse que gostaria de ser mãe cedo. O que é que a mater­nidade mudou na sua vida?
– Eu costumo dizer que a maternidade me deu ‘chão’. Sempre fui muito sonhadora e idealista, e acabava por viver um bocadinho fora da realidade. Ser mãe deu-me o equilíbrio que eu precisava, obriga-me a ter regras. O meu filho deu-me também um sentido para a vida, que eu não tinha.
– O casamento está nos seus planos?
– Não. Eu valorizo muito o casamento, sou uma pessoa de palavra, e para mim o casamento é uma festa onde se celebra o amor. Gostava de me casar, claro, mas quero fazê-lo com a certeza absoluta de que é isso que quero. Ao fim de cinco meses de relação com o João não é altura para falar disso.
– Gostava de ser mãe novamente?
– Sim, mas nesta fase da carreira não é a altura certa. É preciso haver mais maturidade na relação e eu já tenho um filho, sei a importância que tem uma criança nascer num ambiente seguro e saudável. Vou fazer de tudo na minha relação e na minha carreira para que a próxima vez que for mãe seja de forma tranquila.

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