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Ângelo Rodrigues: "Sou um romântico tradicional"

O ator, de 28 anos, falou com a CARAS a poucos dias de realizar o sonho de ir estudar para o Brasil. Na mala levou também as saudades que vai sentir da namorada, Iva Domingues.

Inês Neves
17 de agosto de 2014, 10:00

Ângelo Rodrigues está de partida para o Rio de Janeiro, onde vai viver durante os próximos seis meses. O ator foi aceite na UNIRIO, onde vai fazer o primeiro semestre do terceiro ano do seu curso, Artes Cénicas – Interpretação Teatral. Cá fica a namo­rada, Iva Domingues, com quem está há cerca de quatro anos. Apesar de não gostar de relações à distância e de estar ciente das dificuldades, Ângelo garante que não são seis meses longe um do outro que vão destruir o que têm.
– Está entusiasmado com esta mudan­ça?
– Estou muito entusiasmado e ansioso. Não sei o que vou encontrar e partir de repente para o desconhecido, num curso de meio ano... Tenho aquela ansiedade de saber se me vou integrar bem ou não, o receio da solidão, as saudades de Portugal e das pessoas que amo...
– A Iva fica cá, vai sozinho...
– Vou mesmo sozinho. Acho que isso vai ser bom e vai fazer-me bem, vai ajudar-me a crescer, não só como ator, mas como ser humano, vou conhecer pessoas e viver experiências novas, e isso vai fazer de mim, não só um melhor ator, mas uma melhor pessoa também.
– Disse estar com medo da solidão. É daquelas pessoas que tem de ter sempre gente à volta?
– Não, pelo contrário. Eu sou o meu melhor amigo, mas o problema é que eu posso ser também o meu maior inimigo, porque sou perfeccionista e exigente comigo próprio. Às vezes, se não estiver bem acompanhado, não consigo pôr as coisas em perspetiva. No entanto, adoro passar temporadas sozinho, o que agora, tendo namorada e uma vida familiar dita normal, não acontece muito. A última vez que passei uma temporada sozinho foi quando fiz uma viagem à América do Sul durante um mês e meio, em que conheci cinco países. Preciso mesmo dessas tempora­das sozinho para equilibrar as coisas e os meus objetivos de vida.
– E como consegue fazer isso cá vivendo com a Iva? Como arranja esses escapes?
– O nosso trabalho também permite isso, também nos proporciona, por vezes, alguma distância geográfica entre nós. O programa que a Iva está a fazer agora obriga-a muitas vezes a andar pelo país, eu também trabalho muito aos fins de semana. E é nesses momentos que aproveitamos para estar sozinhos. Mas é claro que gosto mais de estar acompanhado, tenho é necessidade de estar sozinho por vezes. E nada melhor do que ter agora este tratamento de choque com a ida para o Rio de Janeiro.
– Seis meses não parece muito tempo, mas quando se tem uma relação... Pode ser muito difícil manter uma relação à distância.
– Não ajuda nada fazermos dramas nesta altura, porque isso só iria prejudicar a nossa relação. Temos consciência das dificuldades que poderemos passar porque a distância geográfica não é boa para uma relação. Uma relação vive de contacto físico. Mas vou confiar no poder na tecnologia e da presença esporádica dela para matar as saudades. A nossa relação é sólida e não são seis meses longe um do outro que a vão destruir, mas não deixa de ser um elemento novo na nossa vida. Por outro lado, também é bom haver coisas novas para apimentar a relação.
– O ‘problema’ maior pode ser para quem fica. O Ângelo vai andar por lá ocupado com o curso e entusiasmado com as vivências novas...
– Pois, quem fica vai continuar com a rotina... Estou muito solidário com a posição da Iva. Mas esta é uma etapa da minha vida que é muito importante. Sei que daqui a uns anos vou fazer uma retrospetiva da minha vida profissional e isto, a nível académico, vai ser um marco que consegui conquistar.
– E não seria positivo pensar que a Iva, de alguma forma, o tinha impedido de evoluir...
– Não, nem eu teria uma pessoa ao meu lado que me permitisse fazer isso. Eu quero que ela seja o melhor que conseguir da mesma forma que eu espero que ela faça o mesmo comigo, para me tornar uma melhor pessoa, para me tornar um melhor namorado.
– Vai partilhar casa?
– Vou viver sozinho. Eu prezo demasiado a minha privacidade e é muito difícil partilhar o meu espaço com alguém. A Iva acaba por ser uma privilegiada e eu também por a ter ao meu lado... mas tem de ser uma pessoa muito especial para partilhar o meu espaço.
– Mas porquê? O que torna tudo tão difícil?
– A convivência doméstica. Estar em casa é a minha oportunidade de estar sozinho e de ter o meu mundo interior, pois neste lado social e mediático estamos sempre muito expostos. E dentro de casa não entra ninguém, é o meu único espaço, onde me refugio com tudo o que tenho direito: hábitos, inseguranças, rotinas...
– Regra geral, quem começa a trabalhar abandona os estudos. O Ângelo tem os seus projetos na música, faz novela atrás de novela e continua a estudar. É assim tão ambicioso?
– É uma ambição misturada com uma grande dose de perfeccionismo. Penso: se é disto que quero fazer vida, tenho de ser bom naquilo que faço. E o que preciso de fazer para me diferenciar dos outros atores que estão na mesma condição e são da mesma geração que eu? É muito aliciante deixar os estudos assim que se começa a trabalhar, mas eu não me acomodo. Quero ser mais e melhor.
– Parece-me que o trabalho é mesmo a sua prioridade na vida...
– Acaba por ser a minha grande prioridade, porque é daí que tiro toda a minha satisfação e realização pessoal. E se eu estiver realizado profissionalmente, isso vai espalhar-se por todos os quadrantes da minha vida, e é provável que eu seja uma melhor pessoa, um melhor namorado, um melhor amigo, melhor filho. Portanto, a minha vida emocional está intrinsecamente ligada ao meu sucesso profissional.
– Disse-me há pouco, quando conver­sávamos antes da entrevista, que é um cidadão do mundo, que tem necessidade de viajar e que depois destes seis meses no Brasil logo se via... Acha Portugal pequeno para si?
– Seria presunçoso da minha parte afirmar uma coisa dessas. Nós temos um excelente país. E cada vez que viajo mais valor dou ao nosso país. Adorava que todos os portugueses tivessem oportunidade de viajar para perceberem o quão especial ele é, a nossa história, a nossa gastronomia, a nossa hospitalidade... Somos mesmo especiais. E ainda bem que posso viajar para conseguir dizer isso, para conseguir fazer com que as pessoas vejam isso. No que depender de mim, serei sempre um embaixador de Portugal no mundo. Por isso, vejo com bons olhos ser esta a minha casa e trabalhar onde tiver trabalho.
– Lançou há uns tempos um CD. Como está esse projeto? Estava à espera de mais?
– Esse projeto marcou uma fase da minha vida que tinha de acontecer naquele momento. E resultou na altura. Eu não parei de fazer música, simplesmente tenho feito coisas mais caseiras. Tenho uma necessidade quase visceral de escrever, de passar as coisas para músicas. Uma necessidade de comunicação que não consegui perceber ainda.
– Escrever letras para músicas é uma forma de desabafo?
– Sim, acaba por ser uma forma de exorcismo, e é uma coisa que só consigo fazer sozinho. Se estiver sempre acompanhado, isso reflete-se na minha parte criativa a nível de escrita, não consigo pesar os assuntos.
– Fala muito por carta com a Iva?
– Sim. Sou um romântico tradicional. Ainda sou daqueles que deixa papelinhos com recados a dizer à pessoa que a amo e que não consigo viver sem ela. E acho que este tipo de surpresas que se mantém na nossa relação é um dos segredos do nosso bem-estar, da nossa saúde afetiva. E ela acompanha-me também, faz-me bastante surpresas. É tão bom! Ainda sou da geração em que o amor era bom. O amor é mais fácil agora, é demasiado descartável. E não sei se olho com bons olhos para a nova geração e a forma displicente como encara o amor. O amor é uma coisa bonita que precisa de ser cuidada e não descartada.

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