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Isabel de Santiago com os filhos em São Tomé: Diversão e aprendizagem

A comunicadora na área da saúde levou Francisca, Joaquim e Constança a conhecerem o sítio onde nasceu e pelo qual é apaixonada.

Inês Mestre
20 de julho de 2014, 12:00

Isabel de Santiago nasceu em São Tomé e Príncipe, onde tem concretizado vários projetos de desenvolvimento social. O mais recente levou a comunicadora na área da saúde novamente ao sítio onde nasceu, desta vez com os filhos, Francisca, de 16 anos, Constança, de 14, e Joaquim, de 11, de cuja companhia desfrutou depois de terminar a missão de edutainment que a levou ao arquipélago: uma ação de educação e comunicação em saúde na prevenção de consumo de álcool e drogas, com Duarte Cancella de Abreu e Pedro Couceiro, e para a qual recebeu o apoio do Ministério da Educação, Cultura e Formação, numa ação conjunta com a HBD, empresa de Mark Shuttleworth liderada pelo gestor Nuno Madeira Rodrigues.
Como correu esta viagem a São Tomé e Príncipe?
Isabel de Santiago
– Muito bem. Os meus filhos estavam ansiosos por conhecer as minhas origens. Conseguimos visitar a Chácara, o local exato onde nasci, a Igreja da Conceição, na cidade capital, onde fui batizada, e o liceu nacional, onde têm sido desenvolvidas as ações de edutainment junto dos jovens em idade escolar. Foi bom para os meus filhos perceberem as diferenças entre viver na Europa e num país que amo incondicionalmente e onde quero sempre voltar e que sinto o dever de ajudar. 
Foram uma espécie de férias educativas...
– Levei os meus filhos para eles tomarem consciência da realidade daquele país e da diferença que tem do nosso. A cidade de São Tomé, o mercado, muito diferente da realidade a que eles estão habituados dos supermercados de bairro, com tudo organizado, limpo e inodoro. Ali o mundo é diferente. E era isso mesmo que eu queria que eles conhecessem. As cores, os cheiros, os sons. O dialeto que eu falo... Mas também nos divertimos a fazer snorkeling, caminhadas, a tirar fotografias, a observar cetáceos... 
– Que tipo de mãe diria que é?
– Sou a mãe que educa e que ama incondicionalmente. A mãe que não gosta que vejam muita televisão, que pergunta o que estão a ler, que pede para desligarem o Facebook, que quer que cumpram horários, que acordem cedo para aproveitar o dia... Esta é a tarefa mais difícil que há na vida. E não há livros, filmes ou palavras que nos ensinem, só a prática nos dá a experiência. Por vezes é glorioso e sentimo-nos únicas e divinas, outras nem por isso.
– Como é que os seus filhos a veem?
– A Fran­cisca diz que sou uma mãe muito séria, às vezes “generala” e quase ditadora. Mas não pode ser de outra forma. Eles são muitos! [Risos] Já a Concha diz que sou sempre uma princesa e o Joaquim enche-me de mimos. Tenho os melhores filhos do mundo. Amar é valorizar, ajudar a crescer. E crescer por vezes significa dor. Ora com ganhos, ora com perdas. Isso é que nos empodera, verdadeiramente. A vida corre e apesar dos afetos, sempre importantes, quero que sintam que nunca lhes falho no importante da vida.
 – Que valores lhes passa?
– Os valores cristãos do humanismo, da simplicida­de, de ajuda ao próximo, da resiliência, que é diferente de teimosia.... Tenho muito orgulho nos meus filhos, cada um na sua diferença, na sua individualidade.
– Vai lançar dois livros ainda este ano...
– Sim, um de fotografia e outro de poesia. No fim de setembro, início de outubro vai ser inaugurada a exposição de fotografia Rostos de São Tomé e Príncipe e lançado o livro. Trata-se de uma coletânea de fotografias do país, imagens recolhidas em visitas a unidades de saúde e na sociedade. Não interessam apenas as praias paradisíacas – que existem de facto – mas, para os meus olhos, o que conta são as pessoas, os costumes, a cultura, o futuro e a necessidade de apoio ao desenvolvimento. Eu não sou fotógrafa. Amo o país que me viu nascer e quero mostrar isso a todos. Em novembro é apresentado um novo livro de poesia, Fruta-pão.
 – Quais são os seus objetivos para o futuro?
– Sobretudo, a educação dos meus filhos e devolvê-los ao mundo e a Deus. Também tenho como prioridade o meu doutoramento em comunicação em saúde e o investimento em Human Development, apostando em dois pilares: saúde e educação. Quero contribuir para o desenvol­vimento social e político de São Tomé e Príncipe, pretendo contribuir para a promoção do país que fez de mim o que sou.

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