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Bárbara Norton de Matos: "Agora sei viver de uma forma que me faz feliz"

Sem trabalho há um ano e meio, a atriz foi convidada para o elenco da próxima novela da SIC, desafio que encara com alegria e otimismo.

Andreia Cardinali
19 de julho de 2014, 10:00

Depois de um ano atribulado, Bárbara Norton de Matos, de 34 anos, vive agora uma fase serena junto da filha Luz, de oito anos. Durante o ano que passou, a atriz terminou uma relação conturbada, teve o seu nome associado a supostas dívidas do restaurante que abriu com o então namorado, perdeu tudo na sequência de um incêndio em casa e viu o seu contrato com a TVI terminar. Encarou esses obstácu­los como um desafio e seguiu em frente, tornando-se uma mulher diferente, "mais tranquila”, revela, adiantando: "Gosto muito mais de mim agora. Acho que era mais volátil e agora tenho uma estrutura muito mais sólida.” Bárbara afirma que hoje em dia se sente mais preparada para qualquer desafio e foi com entusiasmo que aceitou juntar-se ao elenco da próxima novela da SIC, Mar Salgado.
– Agora está na SIC. Como se sente na sua nova casa?
Bárbara Norton de Matos
– Muito bem, fui muito bem recebida.  Fiz uma pequena participação em Bem-Vindos a Beirais, da SP Televisão, e gostei muito. Fez-me lembrar os tempos áureos da NBP. Gostei muito e reencontrei muita gente. Quando me convidaram para fazer esta novela aceitei de imediato, mas confesso que estava um pouco nervosa depois de 14 anos a trabalhar no mesmo sítio.
– Foi fácil fazer essa transição?
Não, nada, foi como terminar um casamento... Mas também acho que é bom sairmos da nossa zona de conforto. Sinto-me muito motivada e cheia de vontade de começar a trabalhar.
– Estava a precisar desta lufada de ar fresco na sua vida?
Completamente. Na minha vida nada acontece por acaso. Não foi por acaso que terminou o contrato com a TVI e tive esta possibilidade, embora não tenha contrato com a SIC. Achava que ia ter medo desta liberdade, de ser freelancer, mas sinto-me muito bem com isso.
– As incertezas de ser freelancer não a incomodam?
Incomodaram-me mais antes de a situação se concretizar, quando pensava nessa hipótese. Estive um ano e meio parada e se alguém me dissesse que isso poderia acontecer, acho que entrava em pânico. Mas realmente o ser humano tem uma capacidade incrível de se reinventar e adaptar às situações. Eu adaptei-me e este ano e meio serviu para refletir, redefinir prioridades e encontrar-me um pouco mais. Centrar-me naquilo que quero e no que é importante. Deixei de ter medos. Não tenho medo de trabalhar, sou muito proativa e também sou muito responsável e poupada. Tenho as coisas mais ou menos organizadas para conseguir pagar as contas se passar algum tempo sem trabalho, mas tenho de ter muito cuidado. E neste ano e meio tive de fazer muita coisa: vender o carro, trocar de casa... Tive que poupar. E agora sei viver de uma forma boa e que me faz feliz. As minhas prioridades não são materiais.
– Sabia que tinha essa capacidade de se adaptar a uma vida diferente?
Não. Uma coisa é achar que sim, outra coisa é passarmos por isso e chegarmos ao fim do mês sem dinheiro. Sempre fui poupada, mas uma coisa é ser poupada e ter, e outra é saber que não se vai ter. Tive de ter um cuidado diferente, começar a fazer listas, olhar para o preço das coisas, cortar aqui ou ali. Tive de gerir a minha vida de outra maneira. E uma coisa muito estranha: acho que nunca fui tão feliz como agora.
– E passou a dar mais im­portância à família?
Sempre dei, passei foi a dedicar-me mais a ela. Há coisas que não têm preço e os momentos que passo em família têm um valor incalculável. A riqueza das conversas que temos tido é maravilhosa. E depois, na realidade, isto é só um trabalho... E ocupava-me a vida toda. Embora a Luz fosse sempre uma prioridade, quando não estava com ela estava sempre a trabalhar e o resto da família também é importante, os meus pais, irmãos, avós... Estar disponível a nível psicológico faz toda a diferença.
– Com o regresso ao trabalho vai abdicar de tudo isso?
Acho que não. Esta perso­nagem não me vai ocupar tanto tempo quanto isso e eu também estou com uma estrutura de cabeça e de vida diferente. Consegui reorganizar-me de uma forma mais sólida para aguentar o trabalho. Trabalhe muito ou pouco, a minha vida está estruturada para isso. Agora sinto-me como uma tábua rasa, a começar de novo. Tem graça fazê-lo perto dos 35 anos.
– Acredita que tudo isto que passou possa ter influenciado positivamente a Luz? Tornando-a mais conscien­te do lado prático da vida, por exemplo?
Totalmen­te. Ela viveu tudo comigo de uma forma saudável, mas muito consciente. Acho que foi muito importante para ela, estive mais em casa, passei a fazer parte das rotinas dela e noto que isso foi muito importante no desenvolvimento dela. Ela está com uma autoestima e uma autoconfiança enormes que têm a ver com o facto de eu estar presente, de a incentivar e apoiar. Acho que ela nunca mais se vai esquecer deste tempo que fortaleceu ainda mais a nossa relação. Somos muito companheiras uma da outra. Ela é uma miúda muito consciente do que é a vida. Quando houve o incêndio em casa ela perdeu tudo e até hoje não me pediu um brinquedo. Eu também tento não fazer dramas e mostrar o lado positivo das coisas, embora não me esconda para chorar, e se tiver de chorar, choro.
– Passou realmente por momentos difíceis...
É verdade e se tive de passar por tudo isso para estar onde estou hoje, ainda bem que aconteceu. Foi complicado, mas já passou.
E agora que esta fase é po­sitiva, voltou a apaixonar-se?
Não vou falar sobre esse assunto.
– Uma decisão que tomou nessa fase de introspeção?
Nunca expus as minhas relações, só a última, também devido ao restaurante. Como era tão massacrada com os paparazzi, pensei, na minha ingenuidade, que ao expor a relação me pouparia a isso. Foi um erro tremendo, mas aprendi com ele e decidi que não falo mais sobre a minha vida amorosa. Tenho de me proteger, a mim e aos meus. Felizmente posso falar de muitas outras coisas e às vezes fico um pouco triste porque parece que só existo pelas relações que tive. Faz-me alguma confusão que a maior parte das pessoas tenha de mim uma imagem que não corresponde à realidade.

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