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Angelina Jolie encantada por ser... a bruxa má

Em ‘Maléfica’, a atriz põe a princesa Aurora a dormir durante cem anos. Uma versão d’A Bela Adormecida que quis fazer por achar que os filhos iam gostar de a ver.

Redação CARAS
5 de julho de 2014, 14:00

Quando a contactaram para lhe propor o papel da bruxa má (ou talvez boa, mas isso só vendo o filme se descobrirá) da nova super produção dos estú­dios da Disney, Maléfica – uma versão um pouco “diferente” de A Bela Adormecida –, Angelina Jolie ficou um bocadinho assustada: o papel da fada ressabiada que lança uma maldição sobre a princesa Aurora no dia do seu batizado era uma mudança de registo radical para a atriz de 39 anos que, depois de, em 2011, se ter estreado como realizadora com Na Terra de Sangue e Mel, a que se seguiu a direção de Unbroken, ainda nem sequer tinha decidido se queria voltar a representar. Além disso, conside­rava que a Maléfica do clássico de animação da Disney, de 1959, era “tão bem conseguida”, “com uma voz tão fantástica” e “animada de uma forma tão perfeita”, que temia não estar à altura de a igualar.
A ideia de dar vida a um ser com chifres, asas e poderes sobrenaturais, porém, foi irresistível. “Não estava a regressar à representação com um papel ‘normal’, e isso foi um grande desafio. Fiquei muito entusiasmada por fazer uma coisa mais atrevida, com a qual não me sentia confortável, que nunca tinha feito, mas só pensava: ‘Não tenho uma grande voz de teatro, não costumo fazer coisas do estilo cómico ou fantástico. Que ideia tão maluca: eu uma fada!’ Imaginei-me a chegar a casa: ‘Como foi o teu dia, querida?’ E eu a responder: ‘Um dia de fada!’ Mas é excelente atirarmo-nos de cabeça para coisas de que não estamos seguros, que nunca fizemos, que são um bocadinho assustadoras. É isso que temos que fazer enquanto artistas”, explicou Jolie numa entrevista de promoção do filme, que está neste momento em exibição no nosso país.
Ao desafio de enfrentar uma personagem tão diferente das que já interpretou desde que se estreou como atriz, aos cinco anos – uma personagem que, segundo diz, lhe proporcionou o prazer de simplesmente representar para entretenimento dos espectadores – juntou-se a vontade de fazer um filme que os filhos pudessem ver e de que gostassem realmente (recorde-se que Angelina tem seis filhos, três adotivos, Maddox, de 12 anos, Pax, de dez, e Zahara, de nove, e três biológicos, nascidos da sua relação com Brad Pitt, Shiloh, de oito, e os gémeos Knox e Vivienne, de cinco). E foi precisamente graças aos filhos que a atriz percebeu que tinha conseguido o registo certo para o papel: “Pratiquei muito a voz da Maléfica com os meus filhos e quando eles se riram percebi que estava lá. Riram, mas também choraram.”
A imagem assustadora de Ma­léfica, que exigiu um enorme trabalho de caracterização, resultou tão eficaz – Angelina transmuta-se numa bruxa bela, mas sem dúvida de aspeto maléfico – que nenhuma criança que entrasse no estúdio para fazer os castings para o papel da princesa Aurora em pequena conseguia estar ao pé dela sem chorar. “Eu dizia-lhes ‘olá’
e elas desatavam a chorar. Houve uma que ficou completamente paralisada. Era um terror. E aí percebemos que não íamos encontrar uma criança de quatro ou cinco anos que não me visse como um monstro. E de repente olhámos para a Vivienne, que andava por ali no estúdio a brincar, e dissemos: “Oh, a resposta está mesmo aqui!” Fui para casa, falei com o pai e discutimos o assunto. Demorou um bocado até tomarmos uma decisão, porque ia ser uma grande exposição para a Vivienne (...)”
Explicando que ela e Brad nunca pretenderam que os filhos fossem atores, mas que sempre fizeram questão de os ter por perto quando estão em rodagem (para isso ser possível, as crianças têm professores particulares), Angelina reconhece: “Sempre quisemos que eles fizessem parte da vida da mãe e do pai, que tivessem com o meio onde trabalhamos uma relação saudável e divertida.”
E a verdade é que os pais acabaram por se render à evidência de que Vivienne era a criança certa para o papel e levaram-na a fazer o casting: “Ela tinha que apanhar uma borboleta e não estava para aí virada. Então eu comecei a balançar uma bola na ponta de um varão e a dançar, a tentar fazê-la rir. E o pai estava à beira do precipício onde ela tinha que saltar, a fazer caretas e palhaçadas. E os irmãos e irmãs também estavam lá a encorajá-la. (...) Quando filmámos a cena juntas, parecia uma brincadeira e correu maravilhosamente. Foi incrível!”
Contrariando a ideia de que acumular uma profissão exigente como a sua com seis filhos seja muito difícil, Angelina conside­ra-se uma privilegiada: “Eu não sou uma mãe solteira que para fazer face à vida tem de ter dois empregos... Tenho mais possibilidades financeiras e mais apoio logístico que a maior parte das pessoas que têm realmente que lutar, porque não têm dinheiro nem ajudas. Acho que mulheres como eu, que têm tudo à sua disposição, não se podem queixar!”
Salientando que uma das cenas mais violentas do filme é quando Maléfica é traída e fica sem as suas asas de fada – motivo da sua grande revolta –, o jornalista perguntou ainda à atriz se encontrou alguma semelhança entre esta amputação e a que ela própria sofreu quando retirou os seios como medida de prevenção contra o cancro da mama. “Não, de maneira nenhuma”, garantiu a atriz, esclarecendo: “A cirurgia foi uma escolha minha. E senti-me feliz por ter essa opção e a possibilidade de fazer isso de forma a estar mais tempo cá para os meus filhos. Por isso, foi uma coisa maravilhosa. O que acontece a Maléfica é uma punição, um abuso, bullying.

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