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Francisco Pinto Balsemão: “Portugal continua a contar com o rei Juan Carlos como um amigo de sempre”

O presidente do Grupo Impresa descreve o rei Juan Carlos, seu amigo, como um grande monarca que ficará na história.

Redação CARAS
15 de junho de 2014, 10:00

D. Juan Carlos Ificará na História como um grande monarca que assegurou de forma pacífica atransição de Espanha da ditadura de Franco para uma democracia plena depadrão ocidental.
Teve coragem em momentos decisivos, como, por exemplo, quando, contra tudo econtra todos, escolheu Adolfo Suárez como primeiro-ministro, ou quando,em 23 de fevereiro de 1981, conseguiu abortar o golpe militar.
Teve visão, porque soube antecipar as grandes linhas de evolução do seu país,não apenas no plano interno e apesar das dificuldades acrescidas resultantesdas reivindicações autonómicas, que atingiram grande violência com a ETA, mastambém participando ativamente numa política externa que, passando pela adesãoà Europa, se alargou, por outro lado, a uma presença e irradiação da Espanha nomundo de língua hispânica.
Teve sabedoria, ao longo de 39 anos de reinado, na maneira como lidou com aspessoas e com os problemas, e hoje, ao abdicar no momento adequado, essasabedoria revelou-se mais uma vez.
Portugal continua a contar com D. Juan Carlos I como um amigo de sempre. Umespanhol que fala português. Um homem que não esquece a sua juventude no Esto­ril,onde viviam, exilados, os seus pais.
O príncipe das Astúrias prosseguirá o percurso traçado por seu pai na chefia doEstado espanhol. Está preparado, atingiu o auge da maturidade dos seus 46 anosde idade e tem demonstrado saber ser paciente e ponderado, sem deixar deprogressivamente ir marcando a sua presença e a sua capacidade de intervenção.
Também o futuro Felipe VI conhece Portugal e gosta de Portugal, onde temmuitos amigos da sua geração e da geração dos seus pais.
A este propósito cito, do discurso que o príncipe das Astúrias proferiu,quando, a 6 de dezembro de 2007, me entregou o VII Premio de Periodismo RafaelCalvo Serer, a parte que dedicou ao nosso país: “Portugal bem sabe que podecontar comigo e com a minha família como sinceros exemplos da amizadehispânico-portuguesa, desde o especial afeto, respeito e admiração que aprincesa e eu temos em relação ao querido país vizinho e ao seu povo, e aindadesde a gratidão permanente pela conhecida maneira como foram tratados os meusqueridos avós, Don Juan e Dona Maria (Condes de Barcelona) e toda a família.
A história das antigas nações europeias, como Portugal e Espanha, não sóforjou grandes povos, dotados de arreigada personalidade e múltiplas facetas,como transcende as suas próprias fronteiras, estimulada pelos nossos idiomas dealcance universal e contribui para definir a projeção da Europa no mundo.
Hoje, como países modernos e desenvolvidos, colaboramos ativamente na cenainternacional através da participação comum na Aliança Atlântica e na UniãoEuropeia e da coincidente dimensão ibero-americana e mediterrânica das nossaspolíticas externas.
Portugueses e espanhóis podem também regozijar-se pelo extraordináriodesenvolvimento dos nossos profundos veículos de amizade e cooperação ao longodas 3 últimas décadas.
Com efeito, durante este período, a estima que cada país nutre pelo outrofoi reforçada por um diálogo leal a todos os níveis, que alimenta a confiança ea compreensão recíprocas, refletidas em múltiplos foros, entre os quais sedestacam as cimeiras anuais luso-espanholas e a relação entre as provínciasfronteiriças de ambos os países.
Juntos temos conseguido levar a cabo projetos concretos e mutuamentebenéficos e, ao mesmo tempo, pudemos estender a nossa sintonia e cumplicidade anovas áreas. E isso não só no âmbito público, mas também no privado, desde osetor empresarial até as numerosas iniciativas suscitadas pelas nossassociedades civis.
Em síntese, nestes últimos 30 anos, intensificaram-se, como nunca acontecera, oentendimento e a amizade entre portugueses e espanhóis.”
FRANCISCO PINTO BALSEMÃO
2 de junho de 2014

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