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Abel Xavier admite: “Tenho um amor incondicional pela Oceana”

Separado de Oceana Basílio, o treinador inicia uma nova fase.

Marta Mesquita
15 de junho de 2014, 14:00

Aos 41 anos, Abel Xavier é um homem que aceita e assume tranquilamente as opções que tomou na vida, sem dar lugar a arrependimentos ou rancores. Recentemente separado de Oceana Basílio, com quem namorou durante três anos, o treinador de futebol diz que “fiz a minha parte” para que a relação resultasse. Apesar de o namoro ter chegado ao fim, Abel não encara a rutura como um fracasso e assegura que vai continuar a ser um “amigo sempre presente” para a ex-namorada.
Ainda com o seu futuro profissional em aberto, o treinador está totalmente dedicado aos filhos, David, de 19 anos, e Lucas, de 12, com quem tenta “recuperar laços afetivos”, como admite.
Numa conversa franca, o treinador e antigo jogador de futebol abriu uma exceção e mostrou o seu lado mais reservado, expondo emoções e fragilidades.
– Como é que está a lidar com o fim da sua relação com a Oceana Basílio?
Abel Xavier
– A minha relação com a Oceana permanece. Três anos de namoro não se esquecem ou se apagam facilmente. A nossa relação começou com uma grande empatia. Conhecemo-nos mutuamente, de uma forma profunda, e foi pelo seu lado mais genuíno que me apaixonei. Tenho um amor incondicional pela Oceana, uma grande admiração pelo seu passado e pela forma digna como lutou. Penso que ela encontrou em mim um grande amigo e companheiro numa altura difícil da sua vida. E acho que ela tem essa consciência.
– Admite que continua a sentir “um amor incondicional” pela Oceana. Gostava de dar nova oportunidade ao vosso namoro?
– O tempo deixa perguntas, mostra respostas, mas, acima de tudo, traz verdades. Fui, sou e serei um amigo sempre presente para a Oceana. Obviamente que nesta viagem houve alguma insegurança e instabilidade, nem todos os momentos foram de sintonia. Quando há uma separação não faz sentido que a perda progressiva de sentimentos leve a uma desvalorização de todos os momentos bons que se viveram. Tenho a consciência tranquila, porque fiz a minha parte.
– Portanto, lutou pela relação...
– Nos momentos de rutura não faz sentido uma das partes vitimizar-se ou culpabilizar-se. Nós lutamos quando acredita­mos. A Oceana e eu tivemos uma cumplicidade muito bonita, que foi também uma questão de pele, de toque e de cheiro. Mas penso que a instabilidade e a exigência de profissões difíceis como as nossas também tornaram tudo mais complexo. O mundo da representação é exigente e complicado, porque as inseguranças que se sentem profissionalmente passam muitas vezes para dentro de casa. E eu sempre compreendi essa característica inerente à sua profissão. Acho que é muito importante nunca nos esquecermos de quem esteve ao nosso lado nos períodos mais difíceis. Por isso é que digo que nunca deixei a Oceana, nem tão-pouco a perdi, porque estive sempre lá para ela, desde o primeiro momento.
– Mas não ficou com aquela sensação de que acabou por perder um grande amor?
– Neste caso somos todos perdedores de uma oportunidade. Ninguém perde os sentimentos de um dia para o outro. A nossa relação terminou, mas garanto que não foi por ter acontecido algo de muito feio ou dramático entre nós. Claro que quando há uma separação a dor é inevitável. Até porque é o fim de uma relação não só com a pessoa com quem estávamos como com a sua família. E continuo a respeitar e a admirar muito a fa­mília da Oceana, com quem me dava muito bem. Daí sentir que a Francisca, a filha da Oceana, também se tornou minha filha, com o maior respeito que tenho pelo seu pai biológico. Posso garantir que não é uma página que se vire facilmente... Foram três anos, não foram três semanas. Sempre tratei as mulheres que fizeram parte da minha vida como preciosidades.
– Agora é tempo de estar sozinho?
– Agora chegou a altura de redefinir prioridades. Quero concentrar-me na minha carrei­ra como treinador e devo dizer que a Oceana me ajudou muito neste processo. Quero reestruturar a minha vida em Portugal e dedicar-me às pessoas de quem mais gosto. O importante nesta vida é lutarmos sempre pelas pessoas que queremos ou pelas causas em que acreditamos. E devemos lutar sempre, sabendo que o mais importante é manter a dignidade. A conquista é para as pessoas persistentes. E ao longo deste trajeto temos de nos manter fiéis a nós mesmos.
– Neste momento não está a treinar nenhum clube. Gostava de continuar em Portugal ou quer ir para o estrangeiro?
– Gostava de continuar em Portugal. Como jogador de futebol estive 20 anos fora, o que me deixou afastado das pessoas de quem mais gosto. E isso deixou sequelas que me marcaram muito. Mas sei que poderei continuar a ser um nómada e tenho de estar preparado para voltar a viajar.
– Estar em Portugal também lhe tem permitido aproximar-se dos seus filhos...
– Sim. Tenho dois filhos maravilhosos e aqui devo agradecer à mãe deles. Com o regresso a Portugal aproximei-me muito dos meus filhos. Sempre tentei zelar pelo bem-estar da minha família. Sinto que neste momento estou a recuperar laços afetivos com os meus filhos e, de facto, é bom poder voltar a ser criança com eles.
– Outra mudança evidente é o seu visual. Depois de 14 anos com o cabelo loiro, porque voltou à sua cor natural?
– Achei que era a altura certa para mudar, o que não significa que não volte a pintar o cabelo. O importante é sentirmo-nos bem. O meu filho mais novo é que ficou surpreendido, porque nunca me tinha visto assim.
– Com este visual passa a imagem de uma pessoa mais reservada...
– Eu sou uma pessoa reservada e fechada. Sempre fui uma contradição, porque sou muito diferente daquilo que aparento. É muito difícil deixar alguém entrar no meu campo sentimental, porque a minha grande vulnerabilidade é o meu coração.
– Há uns anos, converteu-se ao Islamismo. Continua a re­ver-se nessa opção religiosa?
– Vivo a religião de forma muito serena. Acima de tudo está o ser humano e o mais importante é a forma como nos relacionamos uns com os outros, independentemente da religião, da crença e da fé de cada um. No mundo existe lugar para todos, para os que acreditam e não acreditam. Eu rezo, peço, agradeço, escrevo e sei que Alguém me escuta.
– Para terminar, o que é que gostaria que acontecesse agora na sua vida?
– Neste momento aquilo que quero é reestruturar toda a minha vida e continuar a lutar. Quero olhar para trás e sentir que tudo fez sentido.

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