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Alexandra e António Maçanita: Um brinde à vida com vinho especial

O enólogo e produtor de vinho criou um espumante de propósito para os Globos de Ouro.

Inês Mestre
14 de junho de 2014, 18:30

À chegada à Herdade do Ou­teiro da Esquila, no Alentejo, a equipa da CARAS é recebida pela simpatia de António e Alexandra Maçanita, da sua família e de vários membros da Fita Preta, a empresa criada pelo enólogo e produtor de vinhos. Com a tranquilidade da paisagem alentejana como pano de fundo, a sessão fotográfica decorre entre momentos de descontração, degustação de vinhos feitos na adega da herdade e prova de iguarias locais. António, de 34 anos, e Alexandra, de 32, revelam-nos alguns dos segredos para fazer um bom vinho, a paixão que têm por esta arte e o amor que os une desde agosto de 2007. Casados há um ano, falam um do outro com um brilho no olhar e contam que ter filhos é um plano para breve.
António apresentou-nos também as primeiras garrafas do Sexy Sparkling Edição Especial Globos de Ouro, o espumante criado em exclusivo para a gala deste ano.
– Como surgiu a Fita Preta? Sei que a produção de vinhos não é uma tradição de família...
António Maçanita – A Fita Preta é uma empresa criada por mim. Eu sou de Lisboa, mas o meu pai é açoriano e a minha mãe alentejana, por isso tive alguma ligação aos vinhos. Quando era mais novo fazia as vindimas, por exemplo. Estudei Agroindústrias, no segundo ano interessei-me por viticultura e depois comecei a trabalhar em adegas em diversas partes do mundo como Estados Unidos, Austrália, França e pensei criar um projeto. Tinha de perceber em que modelo podia produzir o meu vinho em Portugal e para isso foi e tem sido fundamental a ajuda do meu sócio, o David Booth, que é viticultor. Arrancámos no meu 24.º aniversário e já existimos há dez anos.
– E têm recebido vários prémi­os...
– O primeiro lançamento correu-nos logo bem e daí foram surgindo outros projetos, como a empresa Wine ID, que dá consultoria a adegas, outro projeto de produção no Douro e nos Açores... Temos várias coisas em curso. É sempre um misto de satisfação por estar a correr bem, mas sabemos que estamos ainda no início e se queremos que seja algo mais e melhor, temos de continuar a construir. E o mais importante é o nosso conceito de equi­pa.
– Do que é que o António mais gosta na sua profissão?
– Há aquela frase que diz: “Faz o que gostas e não terás um dia de trabalho na vida”, e eu sinto mesmo isso. Adoro a parte da vinha, a da adega, na parte comercial gosto de falar dos meus vinhos e harmonizá-los com os chefs. Fazer vinho é relacional, de pessoas, de paixão. O que gosto é a sensação de comunidade à volta deste projeto que me enche.
– O que é preciso para fazer um bom vinho?
– Acima de tudo, boas uvas, mas para se ter boas uvas há um misto de fatores entre a casta, o solo, o clima... Mas o que há de comum entre os grandes vinhos é o homem. Um bom vinho tem uma parte estética, mas posso dizer que é preciso empenho, atenção ao detalhe, boa fruta e fazer o mínimo de erros possíveis.
– Este ano os Globos de Ouro beneficiaram de um vi­nho especialmente criado para a ocasião.
– Sim, temos tido uma parceria muito gira com a CARAS à volta dos Globos de Ouro e outros eventos e surgiu a ideia de fazermos uma edição que celebrasse esta nossa parceria e os Globos de Ouro. É um branco, espumante, brut e foi um projeto desafiante porque ainda não tínhamos feito nenhum e era um vinho que tinha de estar à altura. É um vinho complexo, feito com o método tradicional e estou muito feliz com o resultado.
– O que é que mais am­biciona?
– Construir uma marca é o conjunto de atenção ao detalhe, de crescermos, mas também de melhorarmos a qualidade e transmitirmos melhor o que somos para podermos ser uma marca global. E o que queremos é mudar o mundo. Queremos que o que fazemos tenha impacto. Quando lançámos o Sexy mudámos o mercado, já recuperámos uma casta em vias de extinção nos Açores. Por isso, à nossa dimensão, queremos mudar o mundo.
– A Alexandra é francesa. Como se conheceram?
Alexandra – Vim para Portugal para criar a filial da minha agência de eventos, a Startevent, em 2006, e conheci o António no verão seguinte, num jantar de amigos. Foi mesmo amor à primeira vista. Desde então, acho que temos feito tudo com muita calma. Aprendemos a conhecer-nos, vivemos juntos há seis anos, casámos há um e estamos muito felizes.
– O que mais vos atrai um no outro?
– Acho que é o respeito que temos um pelo outro. Rio-me muito com o António e partilho muitos dos seus interesses, adoro vinho e a natureza, estar com a família e os amigos, viajamos juntos, fazemos muita coisa juntos. Mas o mais importante é o respeito e a liberdade que sinto na nossa relação. Estamos juntos, mas somos seres individuais. Todos os dias sinto que estou com um homem que respeito e amo muito. É tão simples quan­to isso.
António – Uma coisa que nos aproximou muito é uma visão mais abrangente do mundo. A Alexandra é a melhor pessoa que conheço, pois pensa sempre bem dos outros, está sempre de espírito aberto para conhecer e aprender, não é preconceituosa e acho que isso tem a ver com o facto de ela ter conhecido o mundo. Ela é muito viajada, já viveu em diversos países e quando isso acontece sabemos que não podemos julgar pelas aparências, pois elas não significam nada. E, como a Alexandra disse, vivemos juntos e somos casados, mas cada um tem o seu espaço para ser ele próprio. Além disso, acho piada a Alexandra ser muito diferente de mim.
– Em que é que são diferentes?
– Por exemplo, nas minhas viagens tenho listas de coisas para fazer, aprender, conhecer, sítios onde ir, e a Alexandra quer desfrutar.
Alexandra – O meu percurso de vida até aqui tem sido com muitas curvas, mas vou sempre de um ponto ao outro como acho que devo fazer. Sempre fiz o que queria mesmo fazer sem pensar se isso faria muito sentido no futuro. O António vai di­retamente àquilo que quer, sem perder tempo, eu vou passeando até lá chegar. É a nossa diferença, mas isso também é bom, pois vamos ganhando coisas um com o outro.
– Os filhos fazem parte dos vosso planos?
– Sim, em breve! Aprovei­támos este primeiro ano de casamento, mas agora estamos prontos.
António – É algo que quere­mos muito e o quanto antes.
– Onde se imaginam daqui a dez anos?
– Eu sou muito aberta, é fácil imaginarmo-nos em qualquer parte do mundo.
António – Não sei se em Lisboa ou mais no campo, porque adoramos a cidade e o rio, mas de vez em quando faz falta esta calma do Alentejo. Mas imagino-nos com bastantes filhos e outro tipo de desafios pela frente, e do ponto de vista profissional, em dez anos chegámos aqui e acho que em dez anos podemos fazer ainda muito mais coisas, porque a filosofia da Fita Preta é inovar. Há ainda muitas coisas que queremos fazer para podermos mudar o mundo.

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