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Ricardo Diniz, o velejador solitário, vai a caminho do Brasil dar abraço à seleção

O velejador partiu de Lisboa a 27 de abril e chegará a Salvador da Bahia no dia 10 de junho. A sua única companhia nesta travessia é uma gata.

Inês Neves
8 de junho de 2014, 10:00

Ricardo Diniz não liga muito ao futebol, mas adora os portugueses. Por isso, enquanto assistia ao jogo Portugal – Suécia em que nos apurámos para o Mundial de Futebol de 2014, decidiu velejar sozinho até ao Brasil para dar um abraço aos jogadores da Seleção Nacional. O velejador solitário, como é conhecido, partiu da doca da Marinha, em Lisboa, a 27 de abril, e chegará a Salvador da Bahia a 10 de junho, Dia de Portugal. A CARAS conversou com Ricardo dias antes do início desta expedição.
– Qual é o seu objetivo com esta viagem?
Ricardo Diniz – Por um lado, é muito importante para mim a ligação da cultura dos países irmãos e o reforço dos laços económicos entre os dois países. Por outro, quero cumprir a missão e inspiração inicial, que é dar um abraço à seleção, estar com os jogadores. Tenho algumas surpresas para lhes entregar, nomeadamente uma enorme bandeira de Portugal e um vídeo do nosso padrinho, o Luís Figo. E depois quero fazer uma breve partilha com eles, explicar-lhes por que é que fiz esta viagem e como eles me inspiraram, quero que sintam que sou uma espécie de carteiro de dez milhões de portugueses a transmitir uma mensagem de força e boa sorte e a pedir-lhes para se superarem.
– Está muito entusiasmado…
– Estou muito grato e entusiasmado. Adoro concretizar projetos. Se me dissessem: “Está aqui o melhor barco do mundo e está pronto a partir”, não me daria gozo nenhum. Adoro montar o impossível, adoro o desafio. E assim que me propus a fazer esta expedição, sabia que tinha de a levar até ao fim...
– A sua única companhia vai ser a sua gata Vitória…
– O meu primeiro sonho na vida foi ter um gato, o segundo foi ter um irmão, e o terceiro foi ser navegador solitário e dar a volta ao mundo à vela sozinho. Já concretizei dois, ainda não dei a volta ao mundo, se bem que já fiz o equivalente a quatro em milhas navegadas. Mas o gato é muito importante para mim, tenho vários em casa. Adoto sempre um em cada expedição que faço e acabam por me fazer companhia.
– Ainda assim, não se sente demasiado sozinho nestas viagens?
– É muito exigente, mas não me chateio nada. Quando estou no mar, estou mais próximo da natureza, do universo, e sinto uma conexão muito forte. E eu preciso disso. Estou tranquilo com a solidão, mas adoro o divertimento e entretenimento que a gata me dá. Ela faz-me uma companhia muito especial, percebe os meus ritmos, que acabam por ser muito de gato também. Os gatos estão sempre a dormitar e como eu só posso dormir 10/15 minutos de cada vez, a cada hora, e só consigo dormir quatro horas em cada 24 – num dia bom –, a gata adora, porque pensa que está ali um como ela. Eu vejo todas as horas a passar...
– Não se aborrece?
– Tenho imensas coisas para fazer. Consigo pôr a leitura em dia, interajo com escolas através do e-mail, tenho que navegar, tenho que ver a meteorologia, puxar estas velas, o que é um ginásio on going – só para pôr a vela principal em cima é um treino intensivo de 45m e que não posso interromper. E quando não tenho nada para fazer, descanso. Ou vou ver o que está quase a partir-se ou o que precisa de atenção. Tenho de estar sempre atento e um passo à frente em tudo.
– Já apanhou muitos sustos?
– Já passei muito mal, já tive situações muito complicadas a bordo. Já apanhei furacões em barcos que não eram próprios para o objetivo. Só consegui ter o meu próprio barco em 2011, antes alugava ou pedia emprestados. Fiz viagens com barcos a meter água, com barcos que se desconjuntavam, onde via as peças a sair… Já tive um acidente no mar, curiosamente quando ia para o Brasil, bati contra um contentor à noite, o barco partiu-se todo e fiquei a nadar no mar 24 horas até ser encontrado por um paquete.
– E agora, vai com medo?
– Vou, tenho mesmo medo! É o mesmo mar de há 500 anos, mas com muito mais lixo e navios, e esses são os meus verdadeiros desafios. Sou muito feliz no mar, divirto-me imenso, mas de um momento para o outro tudo muda. Por isso, vou com muito cuidado.

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