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Anastacia: “Não lamento o cancro, pois não seria a pessoa que sou hoje”

A cantora, que vai atuar nos Globos de Ouro, falou à CARAS da sua batalha contra a doença e da dupla mastectomia.

Cláudia Alegria
18 de maio de 2014, 12:00

Anastacia é uma das artistas que irão passar pelo palco do Coliseu no próximo domingo, para atuar na Gala dos Globos de Ouro, onde apresentará o seu mais recente álbum, Resurrection. Um trabalho que marca uma nova fase na vida da artista que, no ano passado, lutou pela segunda vez contra um cancro da mama, detetado no início do ano. A autora de I’m Outta Love decidiu então submeter-se a uma dupla mastectomia seguida de uma reconstrução mamária. Foram quatro intervenções cirúrgicas e só no final do ano, em outubro, iniciou um novo capítulo da sua vida, como conta nesta entrevista exclusiva.
– Tem enfrentado uma série de problemas nos últimos anos: divorciou-se, mudou de editora discográfica e de manager, lutou duas vezes contra o cancro e fez uma dupla mastectomia. Alguma vez perguntou “porquê eu”?
Anastacia –
Não, de todo. Na verdade, tudo passou a fazer ainda mais sentido, tornou-me uma pessoa melhor. Não temos de nos vitimizar, podemos lidar com tudo de forma diferente. Eu comecei a focar-me noutras coisas e tudo tem acontecido de forma positiva. Por isso, não lamento nada do que aconteceu nem mudaria nada porque, se o fizesse, nunca seria a pessoa que sou hoje.
– Chegou a entrar em depressão depois da intervenções cirúrgicas...
Sim, devido à conjugação de dois químicos, mas consegui sair dela quando deixei de tomar esses medicamentos que os médicos me tinham receitado.
– Porque decidiu tornar este assunto público e falar do que tem passado?
Sempre falei do cancro em público porque achei que era meu dever alertar e tentar ajudar outras mulheres que estivessem na mesma situação, que pensassem que iam morrer.
– Que mensagem gostaria de transmitir às mulheres que têm a mesma doença?
Que a comunicação é a chave. Seja com uma amiga, um membro da família ou alguém que já passou pelo mesmo, começar por comunicar os nossos sentimentos é uma parte importante do processo de cura. Todos nós temos sentimentos muito diferentes em relação à mastectomia. Até recebermos uma ordem direta que nos diga o que é que vai acontecer ou o que nos vão fazer, as mulheres têm de ser capazes de ser elas próprias a tomar essa decisão, de forma consciente, e com um forte grupo de apoio. O que acho é que há muitas mulheres que nem sequer querem falar do assunto porque sentem que têm cancro da mama por terem feito alguma coisa de errado, que já não são sexy, que já não são mulheres. Mas isso é tão retrógrado... Há muitas décadas podem ter-nos feito sentir assim mas, no mundo em que vivemos atualmente, nenhuma mulher se deveria sentir assim. Quero certificar-me que todas as mulheres percebam que se pode sobreviver ao cancro com a cabeça bem erguida e a feminilidade intacta.
– Já esteve diversas vezes em Portugal, passou por Lisboa, Porto, Guimarães e Algarve. Consegue conhecer as cidades por onde passa ou vai-se embora logo após os concertos?
Não! Estive de férias no Algarve, por exemplo. Nadei com golfinhos, fui à praia e foi fantástico. Adorei cada minuto. A comida é ótima e as pessoas muito simpáticas. Diverti-me mesmo. E foi por ter dado alguns concertos em Lisboa que me apaixonei pelo país e pelas pessoas e decidi que queria regressar um dia de férias, o que  acabou por acontecer e foi ótimo.
– Agora regressa para atuar nos Globos de Ouro. Está entusiasmada?
Sim, muito entusiasmada.

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