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Cláudia Vieira: “Éramos muito apaixonados, mas as pessoas vão-se tornando diferentes”

Recém-separada, a atriz visitou pela primeira vez a cidade do amor, Verona, e falou sem subterfúgios do fim da sua relação de nove anos com Pedro Teixeira.

Andreia Cardinali
17 de maio de 2014, 10:00

Foi em Verona, cidade do amor, que, dois meses depois de ter anunciado a sua separação de Pedro Teixeira, Cláudia Vieira falou pela primeira vez do fim da relação. A viver uma fase de descoberta e até de conhecimento, foi com os olhos bem abertos que a atriz passeou pela cidade italiana a convite da Calzedonia, marca da qual é embaixadora.
– É a primeira vez que vem a Verona?
Cláudia Vieira – Sim e estou encantada. Tinham-me descrito a cidade como um local pequeno, mágico e muito bonito e é isso mesmo. Em todo o lado há recantos maravilhosos.
– Foi convidada como embaixadora da Calzedonia. Sente-se orgulhosa?

Muito, é uma marca com que me identifico e já era cliente. Tem uma forma de comunicar que me agrada e acho que deve haver cuidado com as marcas a que escolhemos associar-nos, já que estamos a assumir uma preferência.
– Terminou as gravações de Sol de Inverno. Há projetos ou o objetivo agora é descansar?

Há projetos, mas nada que possa confirmar com exatidão. Não tenho necessidade de descansar, pois o projeto não foi especialmente exigente e até pude fazer pontualmente outras coisas interessantes. Preferia fazer pequenas férias, de uma, duas semanas, e um projeto que o permitisse seria muito interessante.
– Em ocasiões como esta, em que se ausenta de Lisboa, há uma preocupação em estar sempre a par do que se passa com a Maria [a filha, de quatro anos]? As saudades são muitas?

Sim, por mais que tenha sido pouco tempo, não gosto de me afastar da minha filha, mas faço-o com alguma leveza, pois desde bebé que me habituei a deixá-la. Sei que estando com o pai, os avós e os tios tudo corre bem. Estes dias fica lá um pouco de mim e custa-me mais quando está doente, como é o caso, pois está com escarlatina. A minha maior função é ser mãe e parece que estou a abdicar disso nestas ocasiões, mas outros valores se levantam.
– A Maria entende que está a viver uma nova fase com a separação dos pais?

Sim, eles são mais astutos do que possamos imaginar, mas também tivemos o cuidado de falar com a Maria. Não fazia sentido ela ir-se apercebendo e tirando conclusões sozinha. A família tem a obrigação de dar estabilidade e verdade, mesmo nesta idade. É muito importante ela saber que o pai e a mãe já não estão juntos enquanto casal. Explicámos tudo de uma forma tranquila e serena, sem carga nenhuma, como se fosse a coisa mais normal desta vida, o que na verdade também não deixa de o ser. Desde que ela esteja bem, nós também estamos, e estamos sempre totalmente em concordância sobre o que é melhor para ela. Por isso, está tudo a correr bem.
– E é fácil lidar com os momentos em que não pode estar com a Maria porque ela está com o pai?

Sim. Ainda não definimos o tempo do pai e da mãe, até porque as nossas vidas não o permitem. Esta instabilidade de horários é um bocadinho difícil e inevitavelmente ela acaba por passar mais tempo comigo. O Pedro arranja sempre uma ou duas noites por semana para estar com ela e terem tempo a dois, até porque ele não abdica de estar com a filha e eu fico muito feliz por isso.
– Sempre projetaram a imagem do casal perfeito e a vossa separação foi um choque para muita gente...

As pessoas acharam que nos tínhamos separado de um dia para o outro, mas não foi assim. Foi bastante pensado, questionado, fomos lutando para vencer enquanto casal, pois era importante para nós, já que valorizamos a família e temos consciência de que não se toma uma decisão destas de ânimo leve. Quando lançámos o comunicado, já tínhamos muitas certezas de que era isso que queríamos para as nossas vidas e que era o necessário para nos sentirmos melhores. Foi uma opção que chocou muita gente, já que as pessoas sempre torceram para que déssemos certo, mas também nunca foi falso o que as pessoas consideravam o casal perfeito... Tínhamos os nossos problemas, mas também é sempre mais fácil expor o lado bom e sempre tentámos preservar ao máximo a nossa intimidade. Claro que não falávamos publicamente dos problemas, mas eles existiram... Realmente tivemos uma relação muito perfeita e que funcionou muito bem, com um respeito muito grande pela liberdade de cada um, um apoio na carreira de cada um. As coisas funcionavam... Éramos muito apaixonados e alimentávamos muito esse amor, mas as pessoas crescem e vão-se tornando diferentes, começam a achar que precisam de outras coisas e foi um pouco disso tudo que aconteceu.
– Entristece-a que se tenha dito logo que a vossa separação se deveu a terceiros?

Não era nada que não calculássemos. É muito mais fácil para quem sempre nos viu como amigos, cúmplices e amantes, acreditar que a nossa separação se deve a uma terceira pessoa. É o óbvio da questão. Incomoda-me um pouco, mas ambos sabemos o motivo da nossa separação e por isso estamos muito bem resolvidos e damo-nos bem.
– Com o Dança com as Es­tre­las, o Pedro passou a ter outra notoriedade e a ser considerado um sex symbol. Essa mudança terá tido influência?

O Pedro foi sempre muito acarinhado e fez projetos muito interessantes. É verdade que foi um momento de viragem, mas acho que foi uma coincidência. Acho que o Pedro está a saber lidar com este momento bom de carreira e eu sempre o apoiei nisso, como continuo a apoiar.
– Esteve ou está a passar pela chamada fase de luto?
Estou a atravessar uma fase nova, de mudança, de descoberta enquanto mulher. Mas a fase do luto e de tentar perceber o que correu mal já foi ultrapassada. Aliás, acho que foi acontecendo durante o momento da decisão. Como referi, isto arrastou-se durante meses, pois acreditávamos que o distanciamento entre nós era uma fase e depois, na altura em que ainda estávamos juntos mas já separados, fez-me analisar tudo. Uma separação nunca é fácil, vivi nove anos da minha vida com uma pessoa e de repente tudo muda. O Pedro não vai deixar de fazer parte da minha vida, pois temos a Maria, mas já não faz parte do meu dia-a-dia e isso é uma alteração muito grande.
– Foi uma decisão comum?
Total­men­te. Não foi nem mais minha nem mais dele. Foi acontecendo...
– Acredita que esta separação a tornará mais próxima da Maria, pois não tem de dividir atenções?
Estamos realmente mais próximas, mas acho que tem a ver com o crescimento dela. Acho que vamos ser grandes amigas, muito cúmplices e é incrível como uma criança daquela idade já tem o cuidado de perceber se a mãe e o pai estão bem. Muitas vezes ela questionava isso... Agora, tivemos sempre o cuidado de estar bem em frente à Maria, em momento algum ela se apercebeu do mal estar entre os pais.
– Mesmo nos piores mo­mentos, tiveram o cuidado de manter o respeito entre ambos...
Sempre. Acho que a nossa infância nos marca muito para o futuro e claro que não decidimos separar-nos nesta fase porque era a melhor altura, mas a verdade é que até aos três anos os laços ainda não estão totalmente definidos e a partir dos quatro anos eles ficam com um sentimento de culpa muito grande. Então, acho que, para o bem e para o mal, aconteceu na altura certa.
– Também saíram notícias de que o Pedro estaria a tentar uma reaproximação. Há essa possibilidade?
Não... Diria que ninguém sabe o futuro e nunca se pode dizer não... O Pedro é e será sempre uma pessoa muito especial para mim, mas essa notícia não tem fundamento nenhum. Não há qualquer tipo de reaproximação.
– Essa fase está realmente arrumada?
Sinto que fizemos tudo da forma mais correta para com os nossos sentimentos. Não nos questionamos se fizemos bem ou não. Estamos cientes da decisão que tomámos e sentimos que isto nos faz estar de bem com a vida.
– Esta é uma cidade plena de romantismo. Aconteceu pensar em tudo o que viveu ou já só visualiza o futuro?
Apesar do romantismo, em momento algum esta cidade me remeteu para o Pedro. Se penso que é uma cidade para se conhecer a dois, sem dúvida, mas ainda não estou para aí virada [risos].
– Quando voltar a apaixonar-se, a Maria será uma peça fundamental...
Claro que só gostarei de quem goste da minha filha. A Maria faz parte de mim e alguém que me ame terá inevitavelmente de amar a minha filha.
– E como se sente neste novo papel de mãe solteira?
Há uma responsabilidade acrescida, sem dúvida. Sei que vou ter sempre o Pedro a apoiar-me, mas, mais do que nunca, não posso falhar na educação da minha filha. Se educar a dois já não é fácil, quanto mais cada um por seu lado.
– A vossa decisão não será também uma forma de ensinarem à Maria que as pessoas não se devem acomodar?
Esse foi sempre um bocadinho o meu lema. Ninguém merece viver acomodada ou a sentir que está bem mas já não é tão feliz. Mas também não devemos banalizar as coisas nem desistir ao primeiro desafio. Deve-se lutar, mas não se deve ficar preso a algo que deixou de fazer sentido.
– Já não era então maioritariamente feliz?
Posso dizer que sou muito mais feliz a viver um grande amor, como qualquer outra pessoa, mas a minha filha, os meus amigos e a minha família nunca me deixaram sentir que de repente sou uma pessoa sozinha. Ainda não senti isso, o que é incrível. Talvez por isso me continue a sentir feliz. É uma adaptação, outra realidade, estou em busca da felicidade plena, mas sinto que estou no caminho certo. E esta fase também vai ser importante para o meu crescimento enquanto mãe e mulher. Desde que me conheço enquanto adulta sempre tive namorados e também é interessante saber quem sou eu sem namorado.

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