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De regresso a Portugal, Julie Sergeant admite: "Estou menos rebelde"

Depois de ter passado um ano e três meses no Brasil, a atriz regressou a Lisboa para trabalhar.

Marta Mesquita
11 de maio de 2014, 14:00

ulie Sergeant, de 44 anos, sempre foi associada a uma certa rebeldia e frontalidade. Contudo, o amor mudou-lhe a personalidade e a vida e hoje é com naturalidade que admite: “A minha família é muito mais importante do que o estado da nação.”
Feliz ao lado do marido, o ator brasileiro Cassiano Carneiro, e da filha de ambos, Maria Rita, de nove anos, a atriz vive sem esforço o papel de cidadã do mundo, dividindo-se entre o Brasil e Portugal. Depois de ter estado durante um ano e três meses no Rio de Janeiro, Julie regressou com a filha a Lisboa para voltar a trabalhar na área da representação.
Durante uma manhã passada no Chiado e enquanto recordava o sabor das castanhas “quentes e boas” que se vendem nas ruas alfacinhas, a atriz conversou com a CARAS e revelou a mulher, mãe e atriz que é hoje.
– Julie, é sempre bom voltar a casa?
Julie Sergeant
– Sim, é sempre bom voltar a casa, apesar de ter regressado sem o meu marido, que estava a trabalhar no Brasil. Por muito felizes que estejamos, por muita confiança que tenhamos na nossa relação, acabamos por sentir saudades daquele beijinho e do carinho diário quando estamos fisicamente separados. Mas agora o meu marido também já está em Lisboa e vamos estar juntos até ele ter de regressar ao Brasil. E tanto eu como a Maria Rita já estamos habituadas a andar de um lado para o outro.
– E há algum segredo para manter um casamento feliz à distância?
– Entre nós há muito respeito e amor. Estamos juntos há dez anos e casados há quase seis e sinto que temos uma relação de muita partilha e companheirismo. Não fazemos nada por conveniência.
– Disse agora que não faz nada por conveniência e a verdade é que a Julie sempre foi associada a uma certa rebeldia e frontalidade. A rebeldia não se apazigua com a experiência de vida?
– Acho que sim. A rebeldia vem de uma grande explosão de hormonas e da nossa parti­cipação ativa no mundo. Mas a partir de uma certa altura percebemos o que é realmente importante. A vida é curta, a saúde é frágil e começamos a pensar antes de falar. E quando somos jovens isso não acontece. A minha vida passou a ter outras prioridades. A minha família é muito mais importante do que o estado da nação. Antes, tomava muito as dores dos outros. À medida que vamos envelhecendo damos prioridade a coisas muito mais importantes. Sinto que estou menos rebelde, mas também não me tornei uma pessoa que vê e cala a boca.
– Passou o último ano no Brasil. Foi bom estar totalmen­te dedicada à família?
– Sim, foi maravilhoso. Nessa altura estava mesmo a precisar de parar um bocadinho para estar mais dedicada à família. Foi um ano em que fui mulher, mãe, dona de casa, companheira... Acho que esta temporada que passámos no Brasil também foi muito importante para a Maria Rita consolidar a relação que tem com o irmão [Mateus, de 12 anos, filho de Cassiano] e com a família do meu marido.
– E a sua relação com a Ma­ria Rita também se tornou mais próxima?
– Acho que não, porque nós já somos muito próximas. Não vivo sem a minha filha e ela não vive sem mim. Sou mãe galinha, estou sempre preocupada com o bem-estar da Maria Rita e sei que a protejo muito. Mas sei que essa proteção é importante porque ela anda sempre de um lado para o outro e já se tornou também uma cidadã do mundo.  As raízes da Maria Rita estão na nossa união familiar.
– A Julie não sente a necessidade de escolher um dos dois países para viver?
– Acho que não vamos ter de fazer essa escolha. Seria muito difícil optarmos por um país. Claro que temos de respeitar o equilíbrio da Maria Rita, que, com estas mudanças, perde as casas, os amigos, a escola e até os brinquedos. Mas também é importante que ela não se apegue às coisas materiais, porque na vida isso não é o mais importante. E ao ver o esforço que os pais fazem com todas estas mudanças, adquire valores. Isso, sim, é o mais importante.
Pela maneira como fala, percebe-se que gosta muito do seu papel de mãe. Quer ter mais filhos?
– Gostava de ter tido mais filhos, mas agora acho que já não tenho idade para isso. E não estamos num país que apoie quem quer ter filhos.
– Regressou a Portugal para trabalhar. Ao fim de 35 anos de carreira, a representação continua a ser uma paixão ou já se tornou um hábito?
– Não se tornou um hábito, porque ser artista é um modo de ser. Para mim não é importante aparecer na capa da revista nem quero que se fale da minha vida a toda a hora. Agora, sou artista, é essa a minha natureza. Não posso começar a trabalhar num escritório, porque isso não me faria feliz. Apetecia-me muito fazer teatro. Não faço teatro há mais de dez anos e apetece-me muito subir novamente a um palco. Sinto saudades da respiração em conjunto com os colegas sem o ‘corta’. A magia do teatro é única.
– Já tem planos profissionais?
– Sim, mas ainda não posso falar deles. Vou regressar à televisão.

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