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Catarina Matos: "Nasci humorista, mas fui fazendo outras coisas"

Há um ano, a publicitária rumou ao Brasil e abraçou a vida com humor.

Andreia Cardinali
4 de maio de 2014, 16:00

Catarina Matos, de 34 anos, foi criativa numa agência de publicidade durante dez anos. A crise levou-a a atravessar o Atlântico na sequência de uma proposta de trabalho que o marido, Jorge Teixeira, publicitário, recebeu para São Paulo. A busca de novas oportuni­dades despertou em Catarina a vontade de cumprir um sonho: fazer humor. Com muita dedicação, arrojo e alguma sorte tornou-se profissional de stand up comedy no Brasil.
– Como é que uma criativa se torna humorista?
Catarina Matos –
Sempre gostei de fazer coisas ligadas ao humor, mas a nossa estrutura social não deixava, nesse tempo, que a visse como uma profissão. Nas agências, por exemplo, sempre que havia um trabalho ligado ao humor, era a mim que atribuíam o briefing. Penso que nasci humorista, mas fui fazendo outras coisas entretanto.
– Mas foi a necessidade de emigrar que trouxe a concretização desse sonho...
Foi exatamente isso que aconteceu. Quando parecia que eu e o meu marido íamos ficar sem nada, quando tudo parecia uma tragédia, a vida deu-nos tudo. Com o desinvestimento nas marcas o mercado publicitário entrou numa fase complicada. Tivemos mesmo de ir embora. Felizmente ele é um dos diretores criativos mais conceituados do país e recebeu uma proposta de uma agência grande em S. Paulo.
– Mas o humor não é novidade na sua vida. Em Portugal já escrevia para amigos humoristas...
Escrevi sim, mas por não ser material para mim, nunca era bem o meu estilo, mas foi uma boa escola. Como fui copywriter, escrevia imenso no meu Twitter e fui escrevendo para não adormecer o gosto nem a prática da escrita. Assisti a espetáculos de stand up ao vivo, na Internet, em DVD, estudei muito. As pessoas não imaginam que se estuda, que sai tudo naturalmente. E assim é, mas se uma pessoa estudar, o “naturalmente” sai ainda mais potencializado.
– Como surgiu a oportunidade de pisar um palco?
Ainda estava em Lisboa, em clima de despedida para São Paulo, quando me lembrei de enviar um e-mail a um dos meus ídolos do humor brasileiro, o Daniel Duncan. Disse-lhe que ia viver para S. Paulo e ele marcou-me uma sessão de open mic, cinco minutos para os iniciantes experimentarem, no Teatro Folha. Correu muito bem e até me convidaram para voltar na noite seguinte.
– Ser a única portuguesa a fazer stand up no Brasil é um desafio ou uma mais-valia?
Não vou mentir, acho que é um elemento que chama bastante as pessoas e desperta curiosidade. Vejo que é um desafio também, encaro-o como uma luso-brasileira que fala com o sotaque deles mas pensa com o nosso cérebro. Eu tentei fazer em português de Portugal e as pessoas não conseguiram perceber nem 20 por cento do meu material.
– Em apenas um ano muita coisa mudou na sua vida. Sente-se mais feliz e completa?
Muito mais. Sempre fui uma pessoa muito feliz e grata, mas sentia que a vida podia ser mais do que era. Eu queria explodir e não sabia como.
– Entretanto, há seis meses mudaram-se para Brasília. É mais difícil fazer humor lá?
É muito parecido, mas para mim até foi um pouco mais vantajoso, porque sou a única mulher a fazer stand up em Brasília.
– Os seus espetáculos são habitualmente à noite. Como concilia horários com o seu marido?
Ele continua a ser diretor criativo da maior agência digital de Brasília, a ClickIsobar, e ao mesmo tempo ainda arranja maneira de me ajudar no meu texto, na minha roupa, no meu visual. Tenho o melhor publicitário a divulgar-me, tenho muita sorte! Ele tem um sentido de humor genial, o que me contagia e me impele para o fazer rir. Ele é o meu maior crítico, barómetro, público... E não falta a um espetáculo meu. Se isto não é amor...

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