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Úrsula Corona: "Quando atravessamos um oceano por amor, tudo vale a pena"

A atriz brasileira que participa em ‘Sol de Inverno’ confessa que está a adorar viver no nosso país.

Inês Mestre
6 de abril de 2014, 16:00

Úrsula Corona tinha acabado de chegar a Portugal para passar férias quando recebeu o convite para participar na novela da SIC Sol de Inverno. Fã do nosso país e namorada de um português, o empresário Frederico Casal-Ri­beiro, de 41 anos, a atriz brasileira aceitou de imediato o convite e diz que têm sido “as me­lhores férias” da sua vida.
Viciada no trabalho, Úrsula, de 31 anos, consegue ainda ter tempo para praticar desporto e ajudar os outros: no Brasil dedica-se a tentar dar um futuro melhor a crianças e jovens através da ONG Estrela Sports, e apoio e carinho a crianças com cancro. A CARAS esteve à conversa com a atriz que dá vida à Taís de Sol de Inverno.
Como é que a representação surgiu na sua vida?
Úrsula Corona
– O teatro surgiu como uma atividade. Tinha oito anos na primeira vez que pisei o palco e lembro-me muito bem da sensação. Trabalhei muito até aos 13 anos, mas os meus pais queriam que eu estudasse. Fui para Jornalismo, percebi que não era o que queria, e voltei para o teatro. Percebi que não podia fugir da minha essência. Quando nos identificamos com alguma coisa, temos de investir nisso. Mas foi importante afastar-me para perceber melhor o que queria.
O que mais gosta na profissão?
– A possibilidade de aprender com emoções que não são minhas. Emociono-me facilmente e as personagens ensinam-me a organizar essas emoções dentro de mim.
É uma pessoa emotiva?
– Sim, mas também sou muito racional. Tenho de tomar várias decisões todos os dias e isso acaba por nos tornar pragmáticos. Por isso, é no trabalho que consigo ter o canal aberto para as emoções.
Consegue equilibrar bem o lado emotivo com o racional?
– Sim. Acho que o problema é que deixamos de ser crianças muito cedo e man­termos um pouco da nossa criança acordada é importante. Damos menos peso às coisas, percebemos que temos um objetivo, sabemos o que queremos e quem queremos ter perto de nós. Na vida não há tempo para complicar!
Quais são os seus objetivos?
– Esse é o meu problema, tenho muitos! Sou workaholic e adoro. A nível profissional quero trazer a peça que faço na Alemanha para cá, tenho um projeto em Itália com a RAI e quero ajudar mais a ONG que temos no Brasil.
O que faz na ONG?
– A presidente da Estrela Sports é minha amiga e nós trabalhamos com crianças e jovens vulneráveis. Tentamos dar-lhes um futuro através do futebol e da Escola de Música da Rocinha [a maior favela do Brasil, situada no Rio de Janeiro]. Temos crianças com muito talento e criatividade e tentamos dar-lhes uma direção, apesar de ainda haver muitos preconceitos que as impedem de ter oportunidades. O nosso desafio é conseguir isso.
Falou em objetivos profissionais. E pessoais?
– Continuar a dormir e a acordar bem! [risos] Não quero mais nada!
Como tem sido participar em Sol de Inverno?
– Eu estava de férias quando recebi o convite e têm sido as melhores férias da minha vida! Tive surpresas ótimas, aprendi muito e tenho trabalhado com uma equipa incrível. Tem sido só prazer. Os portugueses têm uma maneira diferente de fazer telenovelas e isso é maravilhoso, a diferença faz-nos crescer. E pela primeira vez tive a minha vida completamente organizada! Quando faço telenovelas no Brasil, é muito difícil conseguir fazer outra coisa ao mesmo tempo. Agora vou conseguir trabalhar em quatro países diferentes: Itália, Alemanha, Brasil e Portugal!
Gosta de cá estar?
– Não quero saber de outra coisa! Já vinha cá muitas vezes e passava algumas tempo­radas, mas sempre foi mais um refúgio. Esta foi a primeira vez que estive a trabalhar e com uma rotina de vida e confesso que adorei poder conhecer mais da cultura e do povo português.
Já vinha muitas vezes a Portugal por causa do seu namorado. Como se co­nheceram?
– Fomos apresentados por amigos comuns há dois anos e desde então esta troca cultural luso-brasileira tem resultado bem. Foi um encontro especial.
Como descreve estes dois anos de relação?
– Acho que quando nos disponibilizamos para atravessar um oceano por um amor, tudo vale a pena. Mas é preciso ter muito cuidado com o amor. Vejo cada encontro como um diamante em bruto e depende da maturidade de cada um saber lapidá-lo. Mas todas as relações nos trazem crescimento.
Casar-se e ter filhos faz parte dos planos?
– Não, até porque tenho muitas responsabilidades e quatro ‘filhos adotivos’ no Brasil. Também sei que, na vida, nem tudo se pode planear, mas agora estou mais concentrada no lado profissional.
Disse que tem filhos adotivos no Brasil?
– São quatro crianças da ONG que eu quero acompanhar. Têm entre nove e 16 anos e ficam três vezes por semana comigo quando estou lá, o resto do tempo em família. O meu objetivo é dar-lhes uma educação e uma direção.
É uma experiência difícil?
– Muito difícil. Eles vêm de uma realidade que nunca vamos conhecer – e é por isso que o olhar deles é tão duro – e trazê-los para a outra ponta da sociedade é muito difícil. Estar aqui também foi bom para mim, pois fez-me distanciar e perder o sentimento de culpa que tinha em relação à desigualdade no meu país.
Foi isso que a levou a trabalhar com a ONG?
– Acho que sim, mas também fui incentivada desde criança pelos meus pais a ajudar os outros. Nós achamos que estamos a fazer o bem pelos outros, mas é ao contrário, ganhamos muito.
Tem trabalho em vários países. É uma atriz do mundo?
– Por causa da sua posição geográfica, o Brasil está afastado do mundo, das histórias, dos povos, e a possibilidade que tenho de viajar e trabalhar noutros países faz-me crescer, aprender, alimentar a minha curiosidade. Gosto muito disso. Tenho uma grande necessidade de aprender e conhecer mais.
Admite ser workaholic, mas como passa o seu tempo livre?
– Gosto de exercício físico, sobretudo ao ar livre, ando de skate, de patins, jogo voleibol, danço... Gosto de ocupar o meu tempo e desde que estou cá também estudei latim, pois era uma curiosidade, já que é a raiz da nossa língua. Aliás, este tempo em Portugal serviu para ir à raiz de muitas coisas. Tem sido muito produtivo, exterior e interiormente.

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