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Luís Represas: “Não faço planos no que toca a relacionamentos”

Marcámos encontro com o músico para falar desta fase de mudança na sua vida: Luís separou-se há cerca de sete meses, está visivelmente mais magro e acabou de lançar um novo disco, ‘Cores’.

Inês Neves
6 de abril de 2014, 12:00

O novo disco, Cores, foi o ponto de partida para esta conversa com Luís Represas. Neste projeto, o músico conta com a participação especial da filha Carolina, de 18 anos, que escreveu duas das músicas, mas também da ex-mulher, Margarida Pinto Correia, autora de uma letra. Luís assegu­rou-nos que mantém uma “relação fantástica” com a mãe dos seus dois filhos mais novos e que nada os vai separar. Questionado sobre uma possível reconciliação, o músico não diz que não.
– Este é um disco muito pessoal: tem duas letras da sua filha e uma da sua ex-mulher...
– É verdade, mas elas são tratadas como outro autor qualquer. Em relação à Carolina, passei por algumas coisas que ela escreveu e sempre achei que poderiam dar para a música, que seriam bons textos de trabalhar. E foi o que aconteceu. Desafiei-a a trabalhar comigo e provoquei-lhe a inspiração. Quando li as coisas dela, parece que foram escritas por uma pessoa que não tem 18 anos e que já sabe muita coisa. Gosto muito da linguagem dela. Acho que tenho ali uma boa parceira.
– Numa altura em que o Luís se separou da Margarida, não deixa de ser curioso ver uma letra dela neste novo disco...
– E poderá ver noutros discos futuros. Eu não tenho de dormir com os autores que trabalham comigo [risos]. Nós temos uma relação fantástica, ótima, e para além de tudo isso está aquilo que quero cantar e com que me identifico. Ou seja, para além disso tudo, está o autor com quem trabalho. É muito ingrato quando trabalhamos com familiares, porque as pessoas tendem a fazer essa conexão.
– Quanto tempo levou a preparar o disco?
– Talvez um ano... Mas isso é pouco importante, porque as coisas podem ser muito rápidas ou menos, independentemente do resultado. Há coisas que me saem e são óbvias, há outras em que começo por um caminho e depois sigo outro completamente diferente.
– E o que traz de novo? Outro Luís?
– Neste disco há diferenças notórias que têm a ver com a maneira como o abordei. Traz soluções e realidades diferentes das an­teriores embora, para mim, cada disco seja um resultado do que se aprendeu com o anterior e com a experiência que se adqui­riu ao longo do tempo... Fui eu que tratei dos arranjos e da sonoridade final e isso deu-me outro envolvimento. E há aqui ruturas e avanços notórios com o que tenho feito no passado.
– Trabalhar neste disco serviu-lhe de escape para ultrapassar a separação?
– Atravessei a separação trabalhando neste disco, mas não houve dramatismo nenhum, não tenho nada de que escapar, não houve necessidade disso. Não estamos aqui a falar de um drama que necessitasse de escape, caramba, não morreu ninguém!
– Mas também não é uma situação fácil...
– A vida não é fácil, quem disser o contrário está a mentir. Mesmo as coisas mais extraordinárias que nos acontecem não são fáceis. Haverá coisa mais maravilhosa do que ter um filho? E ter um filho não é fácil! Temos é de encarar as coisas com uma atitude positiva e força redobrada, só assim conseguimos que funcionem.
– Agora parece estar numa boa fase, acabou de lançar o seu novo disco, está mais magro...
– O estar mais magro não tem nada a ver com a separação. É muito importante cuidarmos de nós próprios e isso passa por termos, também, cuidado com a alimentação. Percebi que já não tinha nem 30 nem 40 anos, tive de perceber que já passei a linha do meio há algum tempo. Portanto, se quero ter alguma qualidade de vida, sem me tornar fundamentalista e sem parecer aquilo que não sou, tenho de cuidar de mim.
– Quando há uma separação, as pessoas tendem a querer mudar alguma coisa na sua vida...
– Acho que as relações não nos podem caracterizar, não podemos ser aquilo que a relação faz de nós. Claro que crescemos com a relação, mas também com a vida, com o trabalho, com os amigos, com a família. E é na soma de tudo isto que nos caracterizamos. Agora, se quando se começa ou termina uma relação, vamos mudar qualquer coisa, estamos a conferir à relação uma importância que provavelmente ela não tem.
– Está solteiro?
– Até ver, sim. Não tenho namorada. Estou muito tranquilo.
– É assim que se sente bem agora? Sozi­nho, com tempo para si e para fazer as suas coisas?
– Nunca deixei de ter tempo para mim. O tempo que tenho agora é o tempo que sem­pre tive. Nunca tive o meu tempo reduzido pelo facto de viver com alguém.
– Não sente falta de ter alguém à sua espera em casa?
– Posso estar numa casa cheia de conforto estando lá sozinho ou estando com dois dos meus filhos ou com os quatro, ou com ela cheia de amigos. A energia que a casa te dá é a energia que tu lhe queres dar, independentemente de quem lá está dentro. E vivo com o meu filho mais velho, o João, que é um amigo fantástico, temos uma relação muito boa mesmo, estou frequentemente com os meus filhos mais velhos. Portanto, a casa está sempre cheia.
– E desenrasca-se a cuidar da casa? A fazer jantar?
– Sempre me desenrasquei a vida toda. E sempre tive a atitude de não depender de ninguém para viver saudavelmente numa casa, para que a casa tenho conforto e boa energia. Gosto imenso de fazer o jantar para mim ou para a família toda ou amigos. Gosto muito da minha casa, do meu espaço. E esse espaço tem de correr bem, não posso andar a tropeçar em coisas, não pode estar sujo ou desorganizado.
– E o Nuno e o José [os filhos que tem com Margarida Pinto Correia], adapta­ram-se bem à separação?
– Não vou dizer que foi fácil. Como já disse, nada é fácil. Mas não foi complicado, porque ninguém fez dramas, ninguém tornou isto uma batalha campal nem um luto desgraçado. A vida é assim. E acho que eles estão a conseguir resolver bem as coisas. E depois têm mais dois irmãos que adoram e com quem têm uma ótima relação, apesar da diferença de idade. Adoro ver a relação entre eles.
– É sinal que fez e está a fazer um trabalho bem feito com eles.
– Fizemos, porque isto é um trabalho de equipa. E continua a ser um trabalho de equipa, independentemente do que possa acontecer ou do que aconteceu.
– A reconciliação é uma hipótese?
– Não sei o que me vai acontecer quando sair desta porta. Não faço a mínima ideia, não faço projetos nem planos, nem nunca os fiz, no que toca a relacionamentos. O melhor caminho para a vida nos correr mal é fazer planos nesse sentido.

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