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Maria de Medeiros afirma: “Ainda me falta fazer tudo”

De passagem por Portugal, a atriz, realizadora e cantora conversou com a CARAS sobre o seu mais recente trabalho discográfico, ‘Pássaros Eternos’, um álbum que assegura ser muito pessoal.

Marta Mesquita
5 de abril de 2014, 12:00

É na arte que Maria de Me­deiros se descobre. Do cinema ao teatro, passando pela música e até pelo desenho, a atriz, realizadora e cantora não consegue separar a mulher de todos os dias da artista, daí, como confessa, já ter feito da arte “uma forma de vida.”
A par da divulgação de Repare Bem, o mais recente documentário que realizou, e da sua participação como atriz em vários filmes ainda por estrear, a artista acaba de editar em Portugal o seu terceiro álbum, Pássaros Eternos, um trabalho em que assina a maior parte das músicas e letras. Tendo como mote este disco, Maria de Medeiros conversou com a CARAS sobre a mulher que é fora do ecrã e dos palcos e partilhou a relação cúmplice que tem com as filhas, Júlia, de 16 anos, e Leonor, de dez, que nasceram do seu casamento com o cenógrafo espanhol Agustí Camps.
– Maria, o que quer transmi­tir com este disco?
Maria de Medeiros
– Este é o meu terceiro CD, mas na verdade representa uma primeira experiência, uma vez que componho e escrevo quase todas as canções. Por isso, é mesmo um trabalho que marca uma nova etapa. É um disco muito pessoal. Comparo-o muitas vezes ao momento em que nos oferecem a nossa primeira máquina fotográfica, com a qual começamos a registar muitas coisas que nos interessam. A música passa sempre pelas emoções, não é a razão que a domina.
– Disse que é um trabalho muito pessoal. Pergunto-lhe então o que podemos descobrir sobre si neste CD?
– [Risos] Este CD é um reflexo do meu quotidiano, pelo menos da minha realidade linguística, porque no meu dia-a-dia acabo por também falar várias línguas. Mas escrevo cada canção como se fosse uma curta-metragem e nunca parto de mim.
– O que é que a música acres­centou à sua vida?
– Na verdade, acho que há uma grande relação e diálogo entre as várias áreas em que me movimento. Por exemplo, neste CD decidi interpretar a música Aos Nossos Filhos em homenagem às duas mulheres, mãe e filha, que entrevistei no meu trabalho mais recente como realizadora, o documentário Repare Bem. E depois de o filme e o disco estarem feitos, fiz uma peça de teatro que se chama exatamente Aos Nossos Filhos. Por isso, é difícil compartimentar todas estas atividades.
– E numa vida com tanta arte consegue separar a Maria mulher da artista?
– Tento que a arte seja uma forma de vida. Devemos aproveitar cada mo­mento e dar-lhe um sentido. Deve haver ar­te nas nossas es­colhas.
– Por razões profissionais, viaja muito. Há algum lugar no mundo onde se sinta em casa?
– Sim. Paris e Barcelona são as minhas bases. Paris é onde me reconheço. Tenho lá os meus objetos e arquivos. E gosto de ter essa base para depois partir para o mundo!
– Já assumiu anteriormente que tem um lado rebelde. A experiência de vida não tem acalmado essa sua rebeldia?
– Não. E aí vale-me o nosso querido Manoel de Oliveira, que é um ensinamento de liberdade. Ele atreveu-se a fazer realmente o cinema que quis e isso é também uma forma de rebeldia. E é uma pessoa que se projeta para a frente. Acho que não podemos perder a nossa rebeldia e vejo, com alguma surpresa, que as novas gerações tendem a ser demasiado atinadas e conservadoras. Por isso, provavelmente, cabe-nos a nós, mais velhos, ensinar-lhes essa rebeldia.
– E ensina as suas filhas a terem essa rebeldia?
– Sim, tento passar-lhes a importância de terem um ponto de vista seu. Há sempre um perigo em seguirmos a onda sem nos questionarmos se queremos ir por aí ou não. E é nesse sentido que falo de rebeldia e não no sentido de sair e partir tudo! Pelo contrário, porque adoro objetos e sou muito animista. Quando tropeço numa cadeira quase lhe peço perdão. Quando falo de rebeldia, refiro-me a esta capacidade de confiar em nós próprios mesmo que isso nos leve a estar em desacordo com toda a gente.
– Já tem uma filha na ado­lescência e outra a entrar na pré-adolescência, que são fases em que, frequentemente, os filhos e os pais têm alguns con­frontos. Já passou, ou passa, por isso com as suas filhas?
– O que tento é nunca perder o diálogo entre nós. Quero que as minhas filhas saibam que podem sempre falar comigo sobre tudo. Mas também acho muito im­portante que as crianças tenham desde cedo as suas opiniões e jardins secretos. Mas confesso que acho as minhas filhas super queridas e compreensivas.
– A Maria é atriz, reali­zadora, compositora, letrista, intérprete... O que lhe falta fazer?
– Ainda me falta fazer tudo! Não me posso considerar uma pessoa insatisfeita, mas sei que haverá sempre mais qualquer coisa a ser feita. Continuo a aprender constantemente.

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