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Siza Vieira aos 80 anos: “Tomara eu não ter obra nenhuma e ter 40 anos!”

O mais premiado arquiteto português visitou a exposição‘Porto Poetic’, que homenageia a sua obra e de alguns dos seus pares que têm em comum a formação na ESBAP.

Redação CARAS
2 de abril de 2014, 15:00

Aos 80 anos, Álvaro Siza Vieira está a construir a Porta Nova de acesso aos palácios da Alhambra, em Granada. Em conversa com a CARAS, na inauguração da exposição de arquitetura Porto Poetic, na Galeria Municipal Almeida Garrett, o premiado arquiteto portuense explicou que “não é um trabalho enorme, mas é de grande responsabilidade. Trabalhar a olhar para a Alhambra cria um vazio no estômago, mas também é um estímulo muito grande”.
Sentado numa cadeira desenhada por Fernando Távora, que foi seu professor, Siza Vieira reviu a sua obra – em fotografias, vídeos e maquetas –, que considerou parte de “um processo permanente de aprendizagem”. Convidado a olhar para trás, referiu: “Há projetos que não correm tão bem, mas não tenho qualquer remorso de os ter feito, porque as obras que um arquiteto faz durante a sua vida são um todo.
Tendo como cenário imagens das emblemáticas Piscina das Marés e Casa de Chá da Boa Nova, expostas ao lado de trabalhos de outros arquitetos da chamada Escola do Porto, entre eles o seu amigo Eduardo Souto de Moura, Siza Vieira afirmou, sorridente: “Tomara eu não ter obra nenhuma aqui e ter 40 anos!” E explicou: “Se eu tivesse agora 10 ou 15 anos provavelmente não queria ser arquiteto. As razões são conhecidas: a crise na economia e na construção.” E, sem a pretensão de dar conselhos, defendeu: “Quem é novo tem energia para procurar trabalho longe, fora da Europa, o que é um desperdício para o país que os formou. Mas essa saída também pode ter um retorno se não for definitiva, resultando no enriquecimento das fontes do conhecimento e das sensações.
Com espírito jovem, o prémio Pritzker adianta que continua a inspirar-se no que o rodeia. “Se andarmos com os olhos abertos, com intenção de ver e não apenas olhar, os estímulos são constantes e podem servir de base ao que um arquiteto produz”, concluiu.

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